O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do empresário Henrique dos Santos Ventura, conhecido como “Gugu” ou “Guh”, investigado por suposta participação no núcleo financeiro de um grupo ligado ao Comando Vermelho em Mato Grosso.
A decisão foi tomada de forma monocrática pelo ministro Joel Ilan Paciornik, em 30 de setembro de 2026, após a defesa recorrer contra a manutenção da prisão. Henrique é apontado nas investigações como operador de contas utilizadas para movimentar, fracionar e ocultar recursos de origem supostamente ilícita.
Segundo a apuração da Polícia Civil e do GAECO, o empresário teria ligação com Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como “Dandão”, citado como integrante da estrutura investigada. Uma das informações reunidas no processo aponta que uma chave Pix vinculada a Henrique aparecia em uma relação de sacadores atribuída à facção e compartilhada em aplicativo de mensagens.
O Ministério Público sustenta que Henrique fazia parte de um núcleo financeiro estruturado e hierarquizado, responsável pela circulação e ocultação de valores. A investigação também identificou movimentações patrimoniais consideradas suspeitas, entre elas a transferência, em dezembro de 2025, do registro de um veículo de alto valor para terceiros, embora o investigado continuasse, segundo os autos, com a posse do automóvel.
Na tentativa de derrubar a prisão, a defesa alegou que os diálogos usados na investigação ocorreram em 2025, enquanto a prisão preventiva foi decretada em 29 de janeiro de 2026, o que, segundo os advogados, afastaria a atualidade dos fatos. Também foram apresentados argumentos sobre primariedade, residência fixa e atividade profissional lícita, além do pedido para substituir a prisão por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico.
Paciornik, porém, manteve a custódia. Entre os fundamentos considerados estão a complexidade da investigação, que envolveu análise de dados telemáticos e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), além da necessidade de preservar a ordem pública e impedir eventual continuidade das atividades atribuídas ao grupo.
A decisão também levou em consideração que Henrique e o corréu José Augusto Queiroz de Amorim, o “Guto”, não foram encontrados nos endereços informados durante a deflagração da operação, situação apontada no processo como elemento de risco para a aplicação da lei penal.
A denúncia contra os investigados foi recebida pela Justiça de Mato Grosso em 22 de abril de 2026 pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. O processo segue em andamento e, neste momento, está na fase de citação dos acusados para apresentação de resposta à acusação.
A manutenção da prisão preventiva não representa condenação. A responsabilidade dos investigados pelos crimes atribuídos ainda será analisada no decorrer da ação penal.