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Após repercussão do caso, policial que atirou em entregador é presa em Cuiabá

A policial penal Jorcenilma França Viegas, de 46 anos, foi presa na tarde desta terça-feira (5), em Cuiabá, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Ela é investigada pelos crimes de tentativa de homicídio e fraude processual, após atirar contra o entregador de aplicativo Carlos Felipe Magalhães, de 34 anos, durante a devolução de um celular pertencente à sua filha.

A prisão ocorreu na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde a policial compareceu para buscar o aparelho celular, que permanecia apreendido para realização de perícia. Ao chegar ao local, ela foi informada sobre a ordem judicial e teve o mandado cumprido pelos investigadores. Após os procedimentos na delegacia, ela deverá passar por exames na Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

O caso aconteceu no bairro CPA IV, em Cuiabá, e ganhou grande repercussão após imagens de uma câmera de segurança mostrarem toda a ação. O vídeo registra o momento em que Carlos chega de motocicleta para entregar o celular. Assim que recebe o aparelho, a policial saca uma arma de fogo, aponta em direção ao entregador e ordena que ele se deite no chão.

Nas imagens, porém, o motociclista tenta deixar o local e, antes de conseguir fugir, é atingido por diversos disparos efetuados pela policial. Ferido, ele cai poucos metros depois.

Segundo as investigações, o celular havia sido esquecido pela filha da policial em uma agência bancária localizada dentro de um shopping da capital. Ao retornar ao local, o aparelho já não estava mais lá. A família utilizou o sistema de rastreamento para tentar localizar o telefone, mas pouco tempo depois o sinal foi interrompido.

Na tentativa de recuperar o aparelho, a jovem divulgou nas redes sociais o número da mãe, oferecendo recompensa para quem encontrasse o celular.

Dias depois, um homem entrou em contato afirmando ter adquirido o telefone de um desconhecido. Inicialmente, ele disse que pretendia devolver o aparelho, mas, conforme as conversas avançaram, passou a exigir dinheiro pela devolução e chegou a afirmar que integrava a facção criminosa Comando Vermelho.

De acordo com a investigação, o suspeito exigiu R$ 600 para entregar o celular e informou que não iria pessoalmente ao encontro. Em vez disso, enviaria um motociclista apenas para fazer a entrega do aparelho e receber o dinheiro. Áudios obtidos durante a investigação mostram o homem explicando como funcionaria a negociação.

Agora, a Polícia Civil apura se Carlos Felipe Magalhães tinha conhecimento da negociação criminosa ou se foi utilizado apenas como intermediário para realizar a entrega do celular.

Logo após o caso, a policial afirmou que teria reagido porque o entregador tentou tomar sua arma durante a abordagem. No entanto, a versão apresentada por ela passou a ser contestada após a análise das imagens de segurança, que, segundo a investigação, não mostram qualquer reação que justificasse os disparos.

Além da tentativa de homicídio, a policial também passou a ser investigada por fraude processual, já que a Polícia Civil apura se houve tentativa de alterar a dinâmica dos fatos apresentada inicialmente às autoridades.

Carlos foi socorrido em estado grave e encaminhado para uma unidade hospitalar da capital. Um dos disparos atingiu o pulmão da vítima. Ele permanece internado, intubado e em coma induzido, enquanto recebe acompanhamento médico.

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa continua investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência, identificar o papel de cada envolvido na negociação e concluir o inquérito policial.

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