O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço para ter um de descanso. A declaração representa uma mudança em relação às críticas que vinha fazendo à proposta, uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio anunciou a posição após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo o senador, a decisão considera a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros. “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1. Então, eu vou votar a favor”, afirmou. Apesar do apoio, ele disse defender um modelo que permita maior liberdade para os trabalhadores organizarem a própria jornada, inclusive em situações de trabalho remoto ou de pessoas que precisam conciliar o emprego com os cuidados dos filhos.
O candidato também argumentou que a redução da jornada pode elevar os custos das empresas e aumentar o risco de informalidade. Por isso, defendeu que o governo federal compense financeiramente os empregadores pelas despesas adicionais. Flávio, porém, não detalhou como essa compensação seria financiada nem apresentou uma estimativa de custos. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a PEC prevê prazo de transição para adaptação das empresas, mas não auxílio financeiro público para compensar a mudança.
A declaração contrasta com o discurso adotado por Flávio nos últimos meses. Em maio, ele classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e afirmou que a redução da jornada poderia provocar desemprego em massa e aumento do custo de vida. Em outubro, voltou a chamar de “oportunista” a iniciativa de votar a proposta durante o segundo turno e defendeu uma alternativa baseada no pagamento por hora trabalhada e na flexibilidade de horários. Até então, não havia assumido publicamente o compromisso de votar a favor do texto em tramitação.
A proposta em discussão no Senado é a PEC 221/2019, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio. O texto prevê reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, e ampliar o descanso semanal. A votação em primeiro turno está marcada para quarta-feira (14). O líder do governo no Congresso afirmou que tenta viabilizar a análise dos dois turnos no mesmo dia, por meio de um requerimento para dispensar o intervalo regimental entre as votações.
A mudança de posição ocorre em meio à disputa presidencial. A redução da jornada é uma das principais propostas de Lula para o segundo turno, enquanto Flávio tenta demonstrar apoio à demanda dos trabalhadores sem abandonar a defesa de maior flexibilidade nas relações de trabalho. A votação no Senado deverá mostrar se o apoio anunciado pelo candidato também se traduzirá em votos suficientes para avançar com a medida.