A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Ligna Ficta para investigar um grupo suspeito de transportar e comercializar madeira nativa ilegalmente, além de fraudar sistemas oficiais de controle florestal. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nos municípios de Barro Alto, em Goiás, e Unaí, em Minas Gerais, por determinação da Justiça Federal em Barra do Garças, no leste de Mato Grosso.
A investigação começou após a apreensão de um caminhão em Barra do Garças que transportava aproximadamente 52 metros cúbicos de jatobá sem o Documento de Origem Florestal (DOF). Além da ausência da documentação exigida para o transporte, a nota fiscal apresentada descrevia um produto diferente daquele encontrado na carga, o que levantou suspeitas sobre a origem e a regularidade da madeira.
A partir desse episódio, os investigadores identificaram indícios de atuação coordenada entre madeireiras instaladas em Goiás e Minas Gerais. Segundo a PF, as empresas investigadas participariam da negociação e comercialização dos produtos florestais, além de financiar o transporte da madeira.
Outro ponto identificado foi o possível uso de créditos florestais sem correspondência física com a madeira disponível. Na prática, esse tipo de irregularidade pode dar aparência de legalidade à movimentação de produtos florestais que não correspondem ao estoque existente. A investigação também apontou a abertura sucessiva de empresas que, conforme a apuração, seria utilizada para dar continuidade às atividades suspeitas.
Os documentos e demais materiais recolhidos durante as buscas passarão por análise pericial. A Polícia Federal pretende esclarecer a participação de cada investigado, identificar os fornecedores e compradores envolvidos e rastrear a origem da madeira comercializada.
A operação busca reunir provas sobre o funcionamento do esquema e aprofundar a apuração das possíveis fraudes ambientais. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou informações sobre prisões relacionadas à ação.