
O Botafogo iniciou uma profunda reformulação no elenco neste segundo semestre. Até o momento, oito jogadores deixaram o clube nesta janela de transferências, movimento que representa uma economia estimada em R$ 6 milhões por mês na folha salarial.
A mudança acontece nos primeiros passos da nova gestão do clube, comandada por Eduardo Iglesias, e também sob a influência da GDA, nova investidora que começa a participar do planejamento do futebol.
Mais do que simplesmente abrir espaço no elenco, a diretoria estabeleceu uma meta financeira: reduzir uma folha que girava em torno de R$ 21 milhões para aproximadamente R$ 15 milhões mensais.
A economia alcançada com as saídas coloca o clube próximo desse objetivo.
A redução da folha também expõe um dos problemas que o Botafogo vinha enfrentando nos últimos ciclos: o alto investimento em jogadores que não conseguiram entregar, dentro de campo, o retorno esperado.
Parte dos atletas que deixaram o elenco nesta janela chegou ao clube durante um período marcado por críticas ao planejamento e ao processo de recrutamento. O Botafogo passou a acumular jogadores com salários elevados, mas que acabaram tendo participação limitada ou rendimento abaixo das expectativas.
Na prática, o clube tinha uma folha pesada e um elenco que não correspondia ao tamanho do investimento.
A reformulação atual busca justamente corrigir essa distorção. A estratégia é reduzir contratos considerados pouco eficientes, abrir espaço para novos nomes e tornar o processo de contratação mais criterioso.
Um dos exemplos recentes é o meia Santi Rodríguez, que ainda vive um cenário de incerteza no clube. Contratado como uma aposta importante, o uruguaio não conseguiu se firmar como protagonista e seu futuro no Botafogo segue sendo avaliado.
Outro caso é o atacante Rwan Cruz, que chegou ao clube cercado de expectativa, mas não conseguiu corresponder dentro de campo e acabou deixando o Botafogo no ano passado.
Os casos ajudam a ilustrar o desafio que a nova estrutura terá pela frente: transformar investimento em rendimento esportivo, evitando que o clube volte a comprometer milhões em jogadores que não conseguem se estabelecer no elenco.
Até agora, o Botafogo se desfez de oito atletas nesta janela. Para conseguir reduzir a folha, o clube adotou estratégias diferentes, entre vendas, empréstimos e rescisões.
Confira as saídas:
| Jogador | Destino/situação |
|---|---|
| Bastos | Rescindiu contrato |
| Chris Ramos | Emprestado ao Real Oviedo, da Espanha |
| Joaquín Corrêa | Rescindiu e assinou com o Estudiantes, da Argentina |
| Léo Linck | Emprestado ao Estrela Amadora, de Portugal |
| Nathan Fernandes | Emprestado ao Ludogorets, da Bulgária |
| Neto | Rescindiu contrato |
| Newton | Vendido ao São Paulo |
| Raul | Rescindiu e assinou com o AVS, de Portugal |
A saída de Newton foi a única da lista envolvendo uma transferência definitiva. Nathan Fernandes, Chris Ramos e Léo Linck foram emprestados, enquanto Neto, Bastos, Raul e Joaquín Corrêa deixaram o clube após rescisões.
Apesar da faxina no elenco, a reformulação não significa que o Botafogo tenha abandonado o mercado. Pelo contrário: o clube ainda pretende realizar novas movimentações antes do fechamento da janela.
Até o momento, o Glorioso contratou Warleson, Gabriel Batista, Lucas Monzón, Paulinho, Domingos Andrade e Danilo Pereira.
A diferença está no impacto financeiro. Segundo o levantamento do ge, a previsão é de que os gastos mensais com os novos jogadores representem menos da metade da economia obtida com as saídas.
E o trabalho no mercado ainda não terminou. A prioridade do Botafogo neste momento é reforçar o setor ofensivo, com a busca por dois atacantes de lado: um ponta-direita e um ponta-esquerda.
A ideia é encontrar jogadores que possam aumentar a velocidade, a capacidade de criação e o poder de desequilíbrio do ataque, preenchendo posições consideradas importantes para a sequência da temporada.
Com isso, a diretoria tenta fazer uma operação que vai além de simplesmente trocar jogadores: reduzir o custo do elenco, corrigir carências e aumentar a qualidade do time ao mesmo tempo.
A janela, portanto, ainda deve render novidades no Nilton Santos. O Botafogo continua trabalhando nos bastidores e pode anunciar novos reforços até o encerramento do período de transferências.
A reformulação ainda não terminou.
Ythallo e Caio Roque continuam fora dos planos do Botafogo desde a reapresentação após a Copa do Mundo.
Para Ythallo, o planejamento é buscar um empréstimo que permita ao zagueiro atuar com mais frequência e ganhar experiência.
Já no caso de Caio Roque, o clube trabalha para encontrar um novo destino para o lateral, que possui vínculo por empréstimo com a Portuguesa.
Caso novas saídas sejam concretizadas, a tendência é que a folha salarial seja reduzida ainda mais.
A nova fase também deve representar uma mudança importante na maneira como o Botafogo busca jogadores.
Com a influência da GDA, a proposta é fortalecer o departamento de scouting e ampliar a busca por atletas em diferentes mercados, priorizando jogadores com potencial de crescimento e valorização.
A ideia não é simplesmente contratar nomes desconhecidos para gastar menos. O objetivo é encontrar bons jogadores e grandes promessas antes que eles atinjam seu maior valor de mercado.
O modelo busca inspiração em clubes que construíram uma forte estrutura de recrutamento e desenvolvimento de atletas, como o Brighton, da Inglaterra.
Nesse formato, o trabalho de observação passa a ter papel central: analisar características, desempenho, potencial de evolução e possibilidade de adaptação ao modelo de jogo antes de realizar um investimento.
A intenção é fazer com que o Botafogo deixe de depender apenas de jogadores já consolidados no mercado e passe a identificar oportunidades que possam se transformar em peças importantes do elenco.
A mudança, portanto, não deve ser encarada apenas como uma tentativa de reduzir salários.
O projeto da GDA busca fazer com que o Botafogo gaste melhor.
A expectativa é montar um elenco mais eficiente financeiramente, com jogadores capazes de entregar desempenho dentro de campo e, ao mesmo tempo, representar ativos que possam se valorizar ao longo do tempo.
É uma mudança de lógica: em vez de pagar caro por jogadores que já atingiram seu valor máximo, o clube pretende encontrar atletas com margem para crescer.
Para isso funcionar, entretanto, o scouting precisará acertar mais do que errou nos últimos ciclos.
O Botafogo agora tenta transformar os R$ 6 milhões economizados por mês em uma oportunidade para reconstruir seu elenco com mais critério, menos desperdício e uma visão de longo prazo.
No fim das contas, a missão da nova estrutura é clara: não basta diminuir a folha. É preciso fazer cada real investido no futebol render mais dentro de campo.
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