
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (FICCO/MT), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Safra Paralela, em Rondonópolis, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema envolvendo a adulteração de fertilizantes, furto de grãos e uma possível ligação com uma facção criminosa que atua no estado.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. As ordens foram executadas em endereços ligados aos investigados, incluindo locais utilizados para armazenar fertilizantes e grãos.
A investigação começou a reunir elementos a partir de diligências realizadas com apoio do Comando Regional da Polícia Militar, em Primavera do Leste, e da Polícia Rodoviária Federal, em Rondonópolis. Durante essa etapa, as equipes apreenderam uma grande quantidade de fertilizantes com indícios de adulteração.
O material apreendido passou a ser uma das peças centrais da apuração, que agora busca esclarecer como os produtos eram obtidos, armazenados e distribuídos. Paralelamente, os investigadores tentam descobrir se os mesmos suspeitos também participavam de furtos de grãos e se havia uma estrutura organizada para movimentar as mercadorias.

Outro ponto considerado prioritário é a possível ligação do grupo com uma facção criminosa violenta atuante em Mato Grosso. Essa conexão ainda é tratada como hipótese de investigação e deverá ser confirmada ou descartada a partir das provas reunidas.
A operação também tenta identificar quem seriam os responsáveis por financiar o esquema, quem fornecia suporte logístico e quem recebia os benefícios financeiros das atividades. A polícia pretende cruzar documentos, registros de movimentação de cargas, dados financeiros e outros elementos encontrados durante as diligências para reconstruir a atuação de cada investigado.
A adulteração de fertilizantes é considerada especialmente relevante porque pode prejudicar diretamente produtores rurais que adquiram os produtos acreditando que estão recebendo insumos regulares. Dependendo do tipo de alteração, além do prejuízo financeiro, a qualidade do fertilizante pode ser comprometida e afetar a produtividade das lavouras.
Por esse motivo, a participação do Ministério da Agricultura é importante para verificar tecnicamente os materiais apreendidos e identificar se houve irregularidades na composição e na comercialização dos produtos.
No caso dos grãos, a investigação tenta verificar se havia um sistema de desvio e posterior circulação das cargas. Os investigadores também devem analisar a origem e o destino dos produtos encontrados em imóveis ligados aos suspeitos.
A FICCO/MT é formada pela Polícia Federal, Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal e atua de maneira integrada no enfrentamento ao crime organizado. Nesta operação, o trabalho conta ainda com o suporte técnico do Ministério da Agricultura por meio da Coordenação de Operações Especializadas do programa Vigifronteiras.
Segundo as autoridades, a Operação Safra Paralela ainda está em andamento. Os materiais recolhidos serão analisados e poderão levar à identificação de outros integrantes, colaboradores e possíveis financiadores da estrutura investigada.
Dependendo do que for comprovado ao longo do inquérito, os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, furto qualificado, receptação e estelionato, além de outras infrações que eventualmente sejam identificadas.
A prisão temporária e as buscas determinadas pela Justiça fazem parte da investigação e não representam condenação dos alvos. A participação individual de cada investigado ainda será apurada pelas autoridades.
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