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Cadê o comprovante?

Rogerinho da Dakar deixa comando do DAE e volta à Câmara no mesmo dia em que MP cobra investigação

O vereador licenciado Rogério de França Martins, conhecido como Rogerinho da Dakar (PSDB), deixou nesta terça-feira (18) a presidência do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) e retornará à Câmara Municipal, onde deverá assumir a função de líder do governo.

A mudança foi anunciada pela prefeita Flávia Moretti (PL) no mesmo dia em que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tornou pública uma recomendação para que a Prefeitura instaure procedimento administrativo destinado a apurar a conduta do então presidente do DAE após a divulgação de um vídeo no qual ele aparece recebendo maços de dinheiro.

Embora a coincidência tenha chamado atenção, a Prefeitura não informou que a saída tenha sido motivada pela investigação. Na comunicação oficial sobre a mudança, a gestão municipal afirmou que a substituição busca garantir a continuidade das ações da autarquia em um momento considerado delicado. Rogerinho havia assumido o comando do DAE em março deste ano. A própria autarquia ainda o apresentava como diretor-presidente em sua estrutura institucional.

Com a saída, José Carlos Andrade, servidor que já atuava no DAE, foi escolhido para assumir a presidência da autarquia. Rogerinho, por sua vez, volta ao mandato de vereador, do qual estava licenciado, e passa a exercer a liderança do governo na Câmara.

A troca ocorre em meio a uma situação que ganhou repercussão desde que começou a circular, em 10 de agosto, um vídeo de menos de dois minutos mostrando Rogerinho sentado diante de uma mesa enquanto recebe dinheiro em espécie de outro homem. Em determinado momento, ele guarda parte das cédulas no bolso e depois recebe uma sacola com mais dinheiro. A gravação, isoladamente, não permite determinar o valor, a origem ou a finalidade das quantias, nem havia confirmação pública sobre a data ou o local exatos em que foi feita.

Após a repercussão das imagens, Rogerinho afirmou que ficou surpreso com a divulgação e sustentou que o dinheiro estaria relacionado a uma transação comercial particular, uma vez que também atua como empresário. Ele declarou ainda que colocaria seus sigilos à disposição dos órgãos de controle e convidou o Ministério Público e o Tribunal de Contas a analisarem a documentação do DAE.

A partir do vídeo e de outros elementos citados na recomendação, o MPMT passou a apurar se os valores poderiam ter alguma relação com o exercício da função pública, com recursos do DAE ou com eventual favorecimento de terceiros.

A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande recomendou que a Prefeitura instaure procedimento administrativo para esclarecer a situação e também sugeriu o afastamento cautelar do gestor durante a apuração. O município recebeu prazo de 10 dias para apresentar ao Ministério Público documentos que comprovem as providências adotadas.

A apuração considera a possibilidade de que os fatos possam ter repercussões administrativas e, dependendo do que for comprovado, também criminais. Entre as hipóteses mencionadas estão eventuais irregularidades relacionadas à administração pública, improbidade e outras condutas que ainda precisam ser confirmadas.

Um dos pontos citados na investigação é um áudio atribuído a Rogerinho, no qual ele teria pedido ajuda a parlamentares e servidores da Câmara para explicar a origem e o destino do dinheiro que carregava. A autenticidade e o contexto dos materiais são questões que integram a apuração.

O caso ganhou ainda mais atenção porque o próprio DAE já esteve no centro de outra investigação. Em 2024, a Operação Gota D’Água, da Polícia Civil, investigou um suposto esquema envolvendo cobranças indevidas e pagamento de propina dentro da autarquia. Naquela operação, foram presos servidores e um vereador, com investigação que apontou suspeita de desvio de aproximadamente R$ 11,3 milhões. Os fatos daquela operação são anteriores à atual gestão de Rogerinho.

Agora, o Ministério Público busca esclarecer se existe qualquer relação entre o vídeo envolvendo o ex-presidente e as atividades desempenhadas no DAE. Até o momento, não há conclusão pública de que o dinheiro mostrado nas imagens tenha origem em recursos públicos ou que Rogerinho tenha cometido algum crime.

A mudança no comando, portanto, não encerra a investigação. Pelo contrário, o procedimento administrativo recomendado pelo MPMT deverá esclarecer a origem dos valores, a finalidade do pagamento e eventual relação com contratos, decisões ou interesses ligados ao DAE.

Rogerinho permanece como vereador e retorna ao Legislativo justamente no momento em que precisa prestar esclarecimentos sobre o episódio. A Prefeitura, enquanto isso, passa o comando da autarquia para José Carlos Andrade, que já integrava a estrutura do departamento.

O caso segue em apuração e novas medidas poderão ser adotadas conforme os documentos e demais elementos analisados pelo Ministério Público.

Confira o vídeo

MT24H

 


Rogerinho se pronuncia

Após a repercussão das imagens, Rogerinho da Dakar se manifestou pelas redes sociais e negou qualquer irregularidade relacionada aos valores mostrados no vídeo.

Em publicação, o vereador afirmou que é empresário e que já realizou diversas transações comerciais. Ele também disse estar disposto a apresentar documentos e colocar seus sigilos bancário e fiscal à disposição das autoridades para esclarecer a origem do dinheiro.

“Coloco à disposição meu sigilo bancário e o da minha família para mostrar a seriedade. Fica aqui o meu repúdio a isso”, declarou Rogerinho.

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Crédito: Instagram