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Quem manda é o cifrão

Galvan acusa família Maggi de apoiar Lula por dinheiro: “Eles são dinheiristas”

O candidato ao Senado por Mato Grosso Antônio Galvan (Avante) elevou o tom contra os empresários Eraí Maggi e Blairo Maggi ao comentar a aproximação da família com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante entrevista nesta quarta-feira (19), Galvan afirmou que os irmãos não seriam movidos por identificação com o PT ou com o bolsonarismo, mas por interesses econômicos. Foi nesse contexto que disparou a frase que ganhou destaque:

“Eles não são petistas, eles não são bolsonaristas, eles são dinheiristas.”

A declaração foi feita durante uma fala em que Galvan comentava a relação histórica da família Maggi com diferentes governos e políticas de financiamento voltadas ao agronegócio. A crítica partiu inicialmente de uma pergunta sobre Eraí Maggi, mas acabou envolvendo também Blairo Maggi, ex-governador e ex-senador de Mato Grosso.

Segundo Galvan, a aproximação política dos empresários estaria relacionada à possibilidade de acesso a recursos e incentivos destinados ao setor produtivo.

“Quem abre os cofres e dá dinheiro para eles, claro que paga de volta. Ninguém está falando que é de graça, eles apoiam”, afirmou.

As declarações são uma avaliação política de Galvan. Não há, nas informações apresentadas pelo candidato, comprovação de que Eraí ou Blairo Maggi tenham apoiado Lula ou governos anteriores em troca de recursos públicos. A acusação deverá ser considerada dentro do contexto político da disputa eleitoral.

Galvan também afirmou que a família Maggi teria se afastado do governo de Jair Bolsonaro por entender que a distribuição de recursos destinados aos produtores rurais havia mudado.

“Ele dividiu melhor o bolo do recurso”, disse o candidato, referindo-se ao ex-presidente.

Na sequência, Galvan citou novamente Blairo Maggi e fez referência ao setor financeiro construído pela família.

“Como o próprio Blairo conseguiu um banco, o Banco Maggi, no mandato da Dilma Rousseff”, afirmou.

Sobre esse ponto, há registro público de que o Banco Central autorizou, em 2014, a criação de uma instituição de fomento ligada ao Grupo André Maggi, chamada Banco Amaggi. À época, reportagens registraram a autorização e relacionaram a instituição ao grupo empresarial comandado por Blairo Maggi.

A relação política de Blairo Maggi com governos do PT também é documentada. Em 2011, já como senador, ele integrou o Conselho Político da então presidente Dilma Rousseff e participou de reuniões com integrantes do governo. Em 2016, entretanto, Maggi assumiu o Ministério da Agricultura no governo de Michel Temer, depois de deixar o PR e ingressar no PP.

Também existem registros de atuação empresarial e política de Blairo Maggi ao longo de diferentes administrações. O Senado Federal registra seus mandatos como senador por Mato Grosso, enquanto biografias e reportagens históricas apontam sua trajetória como empresário do agronegócio e ex-governador do estado.

Em relação a Eraí Maggi, a posição pública mais recente citada em reportagens não representa necessariamente um apoio formal e declarado a Lula. Em abril deste ano, quando questionado sobre a disputa presidencial, Eraí evitou cravar apoio ao presidente e afirmou que “o que for melhor para o Brasil, vai acontecer”. A fala foi interpretada como uma postura de cautela diante do cenário eleitoral.

Galvan, porém, sustenta uma leitura diferente. Para ele, a relação entre grandes produtores e governos deve ser analisada principalmente pela ótica econômica.

O candidato também afirmou que, durante governos petistas, a família teria ampliado sua riqueza e citou novamente a relação de Blairo com a gestão de Dilma Rousseff.

A crítica acontece em meio à movimentação política para as eleições de 2026 e coloca novamente em evidência uma velha disputa dentro do próprio agronegócio de Mato Grosso: quanto do posicionamento político de grandes empresários do setor é ideologia e quanto é pragmatismo econômico?

Na avaliação de Galvan, a resposta seria clara. O candidato não apresentou sua crítica como uma mudança de posição em relação ao agro ou ao setor produtivo, mas como uma acusação à maneira como grandes grupos empresariais se relacionam com o poder público.

Ao final da fala, Galvan tentou separar a crítica ao governo Lula de uma rejeição ao próprio PT como partido. Também fez uma comparação semelhante ao comentar o Supremo Tribunal Federal.

“A sigla partidária não tem culpa nenhuma, como a própria Suprema Corte, o STF, não tem culpa nenhuma. São membros que fazem parte dela e que fazem as coisas erradas”, afirmou.

A declaração acrescenta mais um elemento à estratégia política de Galvan, que mantém discurso crítico ao governo federal e aos setores que considera próximos da atual administração.

O episódio também reforça o tom de fogo amigo dentro do próprio agronegócio mato-grossense, já que Galvan construiu sua trajetória política justamente ligado à representação de produtores rurais e entidades do setor.

Até a publicação desta matéria, não havia uma manifestação de Eraí Maggi ou Blairo Maggi respondendo especificamente à acusação de Galvan de que o apoio político seria motivado por interesses financeiros.

Vídeo:

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