LADRÃO DE GADO

Um homem investigado pelo furto de 45 cabeças de gado da raça Nelore em uma propriedade rural de Cocalinho, no leste de Mato Grosso, foi preso na manhã desta sexta-feira (28) em Aruanã, Goiás. A prisão foi cumprida durante uma ação integrada das Polícias Civis de Mato Grosso e Goiás.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito é investigado por furto qualificado de semoventes de produção e teria participação na retirada dos animais da fazenda, ocorrida na madrugada de 13 de maio deste ano.
As investigações apontam que o rebanho foi posteriormente remarcado e comercializado com documentação falsa. A negociação teria movimentado mais de R$ 100 mil.
O homem foi localizado enquanto trafegava de motocicleta pela região central de Aruanã. O município fica a aproximadamente 100 quilômetros de Cocalinho.
Investigação começou após desaparecimento do rebanho
A Polícia Civil instaurou o inquérito em maio, depois que o proprietário da fazenda comunicou o desaparecimento dos animais.
Durante a apuração, os investigadores passaram a levantar informações sobre a movimentação do rebanho e chegaram ao suspeito preso nesta sexta-feira.
Conforme a investigação, os animais foram retirados da propriedade e posteriormente tiveram a identificação alterada para dificultar o rastreamento. A polícia também identificou a utilização de documentação falsa na comercialização.
Os compradores, segundo os investigadores, não teriam conhecimento da origem criminosa dos bovinos.
A apuração continua para esclarecer a participação de outras pessoas na retirada, transporte e comercialização dos animais.
Suspeito deixou Mato Grosso após descobrir investigação
Segundo a Polícia Civil, o homem teria descoberto que estava sendo investigado e, posteriormente, oferecido dinheiro para que seu nome fosse retirado da apuração.
Depois disso, ele deixou Mato Grosso e seguiu para Goiás.
Os investigadores conseguiram identificar o deslocamento e compartilharam as informações com a Polícia Civil goiana.
A partir do trabalho conjunto, o suspeito foi localizado em Aruanã e o mandado de prisão preventiva foi cumprido.
Histórico criminal é investigado
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o homem possui um histórico de aproximadamente 20 anos de envolvimento em crimes.
Ele responde a pelo menos oito processos criminais, incluindo condenações relacionadas a outros casos de roubo e furto de gado na região.
O investigado também responde, em outro estado, por acusações relacionadas a homicídios consumados e tentados.
A Polícia Civil afirma que o histórico foi levado em consideração no curso da investigação, mas cada acusação deverá seguir seu próprio processo judicial.
Suspeito teria vivido por anos com identidade falsa
Outro ponto que chamou atenção na investigação foi a suspeita de que o homem tenha usado documentos e identidade falsos durante anos para dificultar sua localização.
Segundo a Polícia Civil, ele chegou a disputar e assumir um cargo eletivo utilizando um nome fictício.
A fraude foi descoberta em uma investigação realizada anteriormente.
Em 2022, ele foi preso depois que a identidade falsa foi identificada. Na ocasião, segundo a polícia, renunciou ao cargo para o qual havia sido eleito.
O episódio passou a integrar o histórico usado pelos investigadores para localizar e identificar o suspeito.
Prisão foi resultado de operação entre dois estados
A prisão em Aruanã contou com a participação de policiais da Delegacia de Cocalinho e da Delegacia de Água Boa, além da Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Aruanã.
Também participaram equipes da Polícia Militar de Nova Nazaré, Cocalinho e Aruanã.
A integração entre as forças de segurança foi necessária porque o investigado deixou Mato Grosso durante o andamento da apuração e passou a circular em território goiano.
Furto de gado tem previsão específica no Código Penal
O caso é enquadrado no artigo 155, § 6º, do Código Penal, que trata especificamente do furto de semoventes domesticáveis de produção.
A regra alcança animais como bovinos, suínos, equinos e outros criados para fins produtivos.
No caso de Cocalinho, a Polícia Civil atribui ao investigado participação no furto dos 45 bovinos e pediu sua prisão preventiva durante o avanço das apurações.
A medida foi autorizada pela Justiça.
Animais foram vendidos por mais de R$ 100 mil
A investigação aponta que o rebanho foi comercializado após passar por alterações na identificação e na documentação.
A negociação envolveu mais de R$ 100 mil.
Segundo a polícia, os compradores que receberam os animais não sabiam que o gado havia sido furtado.
A adulteração das identificações teria dificultado a descoberta da origem do rebanho e permitido que os animais entrassem novamente no mercado.
A Polícia Civil continua analisando a documentação e os demais elementos reunidos para esclarecer como os bovinos foram retirados da propriedade e qual foi o caminho percorrido até a venda.
Inquérito entra na fase final
Com a prisão do investigado, a Polícia Civil informou que o inquérito está entrando na fase final.
Os investigadores ainda podem ouvir outras pessoas e concluir a análise dos documentos relacionados ao transporte e à comercialização dos animais.
Depois da conclusão, o procedimento será encaminhado ao Poder Judiciário para as providências previstas no processo.
A investigação também poderá apontar novas responsabilidades caso sejam encontrados elementos que relacionem outras pessoas ao furto ou à venda do gado.