Dinheiro tem lado

O candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) afirmou nesta quarta-feira (9) que abriu mão de parte dos recursos destinados à sua própria campanha para reforçar candidaturas de aliados à Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A declaração ajuda a explicar a distribuição desigual do dinheiro partidário entre os candidatos do União Brasil.
“Eu abri mão de uma parte daquilo que me foi garantido por ser um candidato competitivo ao Senado para repassar isso a alguns deputados estaduais, principalmente aqueles que tinham mais ligação conosco”, afirmou Mauro.
Os registros disponíveis no DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que, até 8 de setembro, Júlio Campos e Michelly Alencar não haviam recebido recursos diretamente da direção nacional do União Brasil. Ao mesmo tempo, outros candidatos da legenda já tinham valores expressivos em suas campanhas.
O maior repasse identificado era para o deputado Dilmar Dal Bosco, com R$ 115,9 mil do partido. Cenira Evangelista recebeu R$ 96,6 mil, Sebastião Rezende, R$ 86,9 mil, enquanto Sula, Wender Ramon e Subtenente Antônio receberam R$ 48,3 mil, R$ 19,3 mil e R$ 9,6 mil, respectivamente. Ao todo, os repasses nacionais identificados somavam R$ 386,8 mil.
Sem dinheiro direto do partido até o levantamento, Júlio Campos declarou R$ 150 mil em receitas, sendo R$ 100 mil de recursos próprios, R$ 30 mil de Sylvio Piva e R$ 20 mil de Kennedy Rodony de Jesus Marques.
Michelly Alencar declarou R$ 165 mil, também sem recursos da direção nacional. Segundo os registros disponíveis, a receita veio de três doadores: R$ 100 mil de Paulo Roberto Valerio de Castro, R$ 60 mil de Mario Silvio Gonçalves Ferreira e R$ 5 mil de Ricardo Augusto Carola Junior.
A situação chama atenção porque os dois estão entre os nomes mais conhecidos da chapa do União Brasil. Júlio é irmão do senador Jayme Campos e chegou a defender uma candidatura própria do partido ao Governo de Mato Grosso, enquanto Mauro trabalhou pelo apoio da sigla ao governador Otaviano Pivetta.
O deputado também já fez críticas públicas à condução de Mauro à frente do União Brasil e afirmou que a legenda perdeu força durante a atual gestão.
Michelly, por sua vez, também teve atritos com a direção partidária. No início do ano, tentou deixar o União Brasil para disputar as eleições por outra sigla, mas não recebeu autorização para sair.
Questionado sobre a possibilidade de outros candidatos majoritários, como Virginia Mendes e Fábio Garcia, também destinarem parte dos próprios recursos aos candidatos proporcionais, Mauro afirmou que a decisão depende de cada um.
“É critério deles. Cada um tem autonomia dentro daquilo que é combinado com a nacional”, disse.
Os valores registrados no TSE ainda podem mudar até o fim da campanha, com novos repasses, doações e outras receitas sendo declarados pelas candidaturas.