
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na madrugada de sexta-feira (31), Katani Adorno Bocardi, de 31 anos, no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. A investigada desembarcava de uma viagem à Europa quando teve cumprido um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Replay, que apura a atuação do núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV) no estado.
De acordo com a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Katani estava fora do país durante a deflagração da operação, realizada na quinta-feira (30). Assim que retornou ao Brasil, ela passou a ser monitorada e foi presa logo após chegar a Mato Grosso, em uma ação realizada pela Polícia Civil com apoio da Polícia Federal.
Segundo as investigações, Katani é companheira de Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, apontado pelas autoridades como braço financeiro e homem de confiança de uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Emerson também foi preso durante a Operação Replay.
As investigações apontam que Katani teria participação ativa na movimentação de recursos da organização criminosa. Conforme a Polícia Civil, ela realizava operações financeiras incompatíveis com sua renda declarada e utilizava contas bancárias registradas em nome de terceiros para ocultar a origem dos valores e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Ainda segundo a investigação, a suspeita seria responsável por operacionalizar pagamentos determinados por integrantes da facção, incluindo Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”, apontado como tesoureiro da organização criminosa. Mesmo preso desde 2024, ele continuaria exercendo influência sobre parte da estrutura financeira do grupo, segundo a Polícia Civil.
As apurações também revelaram que Katani mantinha um padrão de vida considerado incompatível com sua renda formal. Nas redes sociais, ela compartilhava registros de viagens internacionais, restaurantes de alto padrão e produtos de grifes. Para os investigadores, parte dessas despesas teria sido custeada com recursos provenientes das atividades da organização criminosa.
Outro ponto levantado pela investigação é que Katani trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso até 2022, quando foi exonerada do cargo.
A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que investigam a estrutura financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava pessoas de confiança para registrar imóveis, veículos e movimentar recursos em nome de terceiros, dificultando a identificação do patrimônio pelas autoridades.
A Operação Replay tem como alvo o núcleo financeiro do Comando Vermelho e investiga, ao todo, 15 pessoas suspeitas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio da facção criminosa. A ação foi deflagrada na última quinta-feira (30) e cumpriu mandados judiciais nos estados de Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro, sob coordenação da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Entre os investigados estão Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”; Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”; Alex Júnior Santos de Alencar, o “Soldado”; Aldemir de Assis Campos, conhecido como “Tucão”; Brunno Passos da Silva, o “Brunninho”; além de Katani Adorno Bocardi, Thawany Nunes Silva de Bulhões, Dayane Karol Moreira da Silva, Wellen de Amorim Gomes, Giselly Breier Streck, Jhonatan Alves Ventura, Paulo Vinicius Gabriel de Araújo, Wires Alves Guerra, Nagilda Cândida Ferreira Lima e Fernando Wagner Moraes Amorim.
Até a divulgação das informações pela Polícia Civil, o número total de investigados presos e de eventuais foragidos ainda não havia sido oficialmente confirmado.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 38 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados. Entre os alvos estão imóveis de alto padrão, veículos de luxo e valores mantidos em contas bancárias.
Após passar por audiência de custódia, a defesa de Katani solicitou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. O pedido foi negado pela Justiça, que considerou a gravidade dos fatos investigados e manteve a prisão da suspeita.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo criminoso.