De bico fechado

Uma rinha de galos que estaria sendo transmitida ao vivo pela internet foi fechada nesta quinta-feira (17), no bairro Jardim Marajoara, em Várzea Grande. A ação da Guarda Municipal começou após uma denúncia recebida pelo Centro de Inteligência Municipal de Segurança, pelo telefone 153.
Segundo os dados mais recentes da ocorrência, mais de 90 galos foram encontrados no imóvel, sendo vários com ferimentos e pelo menos quatro em estado grave. Parte das aves estava em gaiolas e outras permaneciam soltas pelo local.
Os agentes chegaram ao endereço e conseguiram visualizar dois galos presos em gaiolas e expostos diretamente ao sol por vãos no muro. Quando perceberam a presença da Guarda, cerca de seis pessoas fugiram pelos fundos. Um dos envolvidos acabou abordado.
Durante a vistoria, as equipes encontraram estrutura montada para as disputas, grades com marcas de sangue, medicamentos e anabolizantes, além de celulares que poderão ser analisados durante a investigação. Há ainda informações de que as brigas estavam sendo transmitidas pela internet no momento da ação.

Um homem de 38 anos, que se apresentou como responsável pelo aluguel do imóvel, teria informado aos agentes que os animais eram criados para participar de rinhas. Posteriormente, o proprietário da residência, de 33 anos, apareceu no local, teria desacatado os guardas e acabou preso. Conforme o registro da ocorrência, ele ainda resistiu ao uso das algemas e precisou ser contido.
Ao todo, três pessoas foram conduzidas à Delegacia Especializada do Meio Ambiente (DEMA). A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Politec também participaram da ocorrência para registrar as condições encontradas e avaliar os animais. As aves apreendidas deverão passar por avaliação e terão a destinação definida pelas autoridades.
A prática de rinha de galos é proibida no Brasil e pode configurar crime de maus-tratos contra animais, previsto no artigo 32 da Lei nº 9.605/1998. A Constituição também determina a proteção da fauna contra práticas que submetam os animais à crueldade.
A investigação deverá apurar quem organizava as disputas, a participação de cada um dos envolvidos e há quanto tempo o espaço era utilizado para a atividade.