A chapa da cutia

O candidato ao Senado Pedro Taques (PSB) criticou nesta quinta-feira (24) o também candidato José Medeiros (PL) após a repercussão dos áudios de uma conversa do deputado com o prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União), irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Em vídeo publicado nas redes sociais, Taques acusou o adversário de adotar um discurso diferente em público e nos bastidores quando o assunto é o Supremo.
Taques ironizou o episódio usando o bordão associado ao próprio Medeiros e afirmou: “Acharam o rabo da cutia”. Na avaliação do candidato, o conteúdo da gravação mostra uma contradição entre críticas públicas ao STF e a postura adotada por Medeiros ao procurar Gilmar Mendes após receber a informação de que poderia ser alvo de uma operação durante a campanha.
O ex-governador também afirmou que Medeiros teria “rabo preso” com ministros da Corte e disse que candidatos nessa situação não teriam disposição para votar pelo impeachment de integrantes do Supremo. As afirmações são acusações feitas por Taques e não foram apresentadas por ele, no vídeo, acompanhadas de prova de eventual favorecimento ou acordo entre Medeiros e ministros.
Na mesma manifestação, Taques apresentou propostas relacionadas ao funcionamento do STF. Entre elas estão a criação de uma regra para obrigar o Senado a votar processos de impeachment de ministros em até 30 dias, a adoção de mandato de 12 anos para integrantes da Corte, idade mínima de 60 anos para nomeação e o fim das decisões monocráticas, segundo o candidato.
O ataque ocorre após Medeiros confirmar a autenticidade de um dos áudios que circularam nos últimos dias. Na gravação, ele diz a Chico Mendes que não costuma atacar o STF e afirma ter orientado sua equipe de marketing a retirar referências à Corte de peças de campanha, embora faça uma ressalva específica em relação ao ministro Alexandre de Moraes.
Depois da repercussão, Medeiros afirmou nas redes sociais que procurou pessoalmente Gilmar Mendes em Brasília após receber a informação sobre uma possível operação contra ele. Segundo o candidato, o ministro lhe informou que não havia investigação em andamento envolvendo seu nome. Até o momento, não há confirmação independente de uma operação articulada contra Medeiros.
A troca de acusações também reabre uma disputa política antiga entre Taques e Medeiros. Os dois fizeram parte da mesma chapa ao Senado em 2010, quando Taques foi eleito senador. Naquele processo eleitoral, a documentação inicialmente apresentada indicava Zeca Viana como primeiro suplente e Paulo Fiúza como segundo, mas uma nova ata apresentada posteriormente colocou Medeiros na primeira suplência. O TRE-MT reconheceu em 2018 que a ata apresentada posteriormente era fraudada e cassou o mandato de Medeiros.
Medeiros recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, que suspendeu os efeitos da decisão do TRE enquanto o recurso era analisado, mantendo-o no cargo naquele momento. O episódio continua sendo usado por Taques nas críticas ao adversário, enquanto Medeiros nega ter participado da fraude apontada no processo.