
Uma propriedade rural de Dom Aquino, a cerca de 170 quilômetros de Cuiabá, entrou no radar da Polícia Civil durante uma investigação sobre furtos de gado na região. Na segunda-feira (10), os investigadores apreenderam 120 cabeças de bovinos encontradas no local, entre animais adultos e bezerros.
A ação faz parte da Operação Curral do Crime II, que apura a possível utilização de propriedades rurais para receber, concentrar e esconder animais provenientes de crimes patrimoniais.
Durante a conferência do rebanho, os policiais conseguiram identificar inicialmente 16 animais que pertenciam a duas vítimas de furtos investigados desde junho. Em um dos casos, mais de 60 cabeças de gado haviam sido levadas de uma propriedade.
Além dos animais já reconhecidos, a equipe encontrou bovinos com marcas sobrepostas, sinais de remarcação e possíveis alterações nos elementos utilizados para identificar a origem do gado.
A suspeita é de que essas alterações possam ter sido utilizadas para dificultar o reconhecimento dos animais e sua vinculação aos verdadeiros proprietários. A confirmação, porém, dependerá da análise documental e pericial realizada durante o andamento da investigação.
Dos 120 animais retirados cautelarmente da propriedade, 85 são adultos e 35 são bezerros.
A Polícia Civil informou que, naquele momento, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a procedência regular de todo o rebanho encontrado.
Por isso, os animais permanecerão sob análise enquanto os investigadores tentam estabelecer a origem de cada cabeça.
A identificação não depende apenas da aparência do animal. Os policiais deverão cruzar as marcas encontradas nos bovinos com documentos utilizados no transporte e na comercialização do gado, incluindo Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais, registros de compra e informações sobre movimentações dos rebanhos.
Esse cruzamento poderá indicar quais animais foram adquiridos legalmente, quais podem ter sido furtados e se existem outras vítimas relacionadas ao caso.

Um dos principais elementos encontrados durante a fiscalização foram as marcas consideradas suspeitas.
Em alguns animais havia sinais de que uma identificação anterior poderia ter sido sobreposta por outra. A chamada remarcação é um dos pontos que serão analisados pela investigação para verificar se houve tentativa de dificultar a identificação da procedência dos bovinos.
A Polícia Civil também deverá comparar essas informações com registros de propriedades rurais e ocorrências de furto de gado registradas na região.
Caso outros animais sejam relacionados a crimes ainda não esclarecidos, a apreensão poderá ajudar a ampliar a investigação e identificar novas vítimas.
O responsável pela fazenda não foi encontrado pelos investigadores durante a operação.
Segundo a Polícia Civil, a apuração também busca esclarecer se ele tinha conhecimento da origem dos animais e se a propriedade era efetivamente utilizada para receber ou esconder gado proveniente de furtos.
Até o momento, a investigação aponta apenas uma possível participação do responsável. A situação ainda será esclarecida a partir das provas reunidas pela polícia.
A ausência de documentação de parte do rebanho e os sinais encontrados em alguns animais estão entre os elementos que motivaram a apreensão cautelar.
A operação é resultado de investigações iniciadas após registros de furtos de gado ocorridos desde junho.
A partir das informações levantadas pelos investigadores, surgiu a suspeita de que determinados animais poderiam estar sendo levados para propriedades utilizadas como pontos de ocultação.
O trabalho passou então a envolver não apenas a localização dos animais desaparecidos, mas também a identificação dos possíveis locais utilizados para recebê-los.
Foi nesse contexto que os investigadores chegaram à propriedade em Dom Aquino.
A identificação de 16 animais pertencentes a duas vítimas reforçou a necessidade de manter todo o rebanho apreendido até que sua origem seja devidamente esclarecida.
A Polícia Civil ainda tenta descobrir se entre as 120 cabeças apreendidas existem outros animais relacionados a ocorrências de furto.
Os investigadores também trabalham para localizar bovinos que possam ter sido levados de propriedades rurais e ainda não tenham sido recuperados.
A orientação é que produtores que tiveram animais furtados ou que reconheçam marcas entre o rebanho apreendido procurem a Delegacia de Jaciara, responsável pelas investigações, levando documentos que possam comprovar a propriedade dos animais.
Entre os documentos que podem auxiliar na identificação estão registros do rebanho, notas fiscais, Guias de Trânsito Animal e demais comprovantes relacionados à criação, compra ou transporte dos bovinos.
A ação contou com equipes da Delegacia de Jaciara e apoio de policiais das unidades de Dom Aquino e Juscimeira.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, as diligências se estenderam por aproximadamente 16 horas.
O nome Curral do Crime II faz referência justamente à suspeita investigada pela Polícia Civil: a utilização de uma propriedade rural como ponto para receber e ocultar animais que podem ter sido obtidos por meio de furtos.
As investigações continuam para identificar a origem das 120 cabeças apreendidas, localizar outros animais eventualmente furtados e esclarecer a participação de cada pessoa envolvida.
Até a conclusão das apurações, os animais identificados como pertencentes às vítimas poderão ser relacionados aos respectivos registros de furto, enquanto os demais continuarão sendo submetidos ao processo de verificação de procedência.
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