A Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, investiga um possível incidente de segurança após movimentações suspeitas de bilhões de dólares em carteiras digitais associadas à plataforma nesta quinta-feira (29). Análises de dados registrados na blockchain apontam transferências que podem chegar a US$ 5,6 bilhões, mas o valor ainda é preliminar e não foi confirmado oficialmente como prejuízo ou montante integralmente roubado.
As movimentações envolveram carteiras vinculadas à corretora em diferentes redes de criptomoedas, incluindo Ethereum, Bitcoin e Tron. Parte dos ativos foi transferida para endereços que passaram a ser monitorados por pesquisadores do setor. As estimativas variam conforme os endereços e as transações considerados, e a empresa ainda não divulgou um balanço definitivo sobre o volume de recursos envolvidos nem esclareceu a causa técnica do incidente.
Em comunicado, a Binance afirmou que suas equipes de segurança estão investigando o caso e declarou que os fundos dos usuários estão seguros. A empresa também alertou os clientes para que desconfiem de links, mensagens e solicitações de dados recebidas por canais não oficiais. Como medida preventiva, a corretora suspendeu temporariamente saques em algumas redes, sem anunciar um bloqueio geral de todas as operações.
Changpeng Zhao, conhecido como CZ, fundador e ex-CEO da Binance, também comentou o episódio nas redes sociais. Ele afirmou que a movimentação parecia indicar um ataque hacker e disse esperar que todos os fundos dos clientes sejam integralmente cobertos. Zhao ressaltou, porém, que não administra mais diretamente a plataforma, embora continue como acionista.
Parte dos recursos envolvidos foi bloqueada por empresas responsáveis por stablecoins, criptomoedas projetadas para manter valor estável em relação a moedas tradicionais, como o dólar. A Tether informou ter congelado mais de US$ 1,567 bilhão em USDT relacionado ao caso, enquanto a Circle bloqueou aproximadamente US$ 823 milhões em USDC. Juntas, as duas quantias representam cerca de US$ 2,39 bilhões em ativos impedidos de continuar circulando.
O bloqueio dificulta a movimentação desses tokens, mas não significa que todo o dinheiro envolvido tenha sido recuperado ou devolvido à corretora. A identidade dos responsáveis e a dimensão efetiva das possíveis perdas continuam sem confirmação. Se a estimativa de US$ 5,6 bilhões for confirmada como resultado de um único ataque, o episódio poderá superar o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão sofrido pela corretora Bybit em 2025, até então considerado um dos maiores ataques do setor.