O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (5). O Ibovespa disparou 7,85% e chegou aos 207.190,44 pontos, novo recorde histórico, depois de alcançar 209.605,70 pontos durante o pregão. Já o dólar caiu 4,12%, para R$ 4,99, uma das maiores quedas da moeda nos últimos anos.
A movimentação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Lula (PT). Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Parte dos investidores interpretou o resultado como um cenário potencialmente mais favorável para medidas de controle das contas públicas, reformas e redução dos juros. A composição do Congresso, que ficou mais alinhada à direita e ao centro-direita, também entrou no cálculo do mercado por aumentar, na avaliação de analistas, a possibilidade de aprovação de determinadas medidas econômicas.
Os juros futuros também despencaram durante o pregão, refletindo a expectativa de uma trajetória mais favorável para a inflação e para a taxa Selic. Empresas que dependem mais do crédito reagiram com força, especialmente nos setores de varejo e construção. As ações do Magazine Luiza chegaram a subir mais de 26%, enquanto papéis da Cyrela, B3 e BTG Pactual também registraram altas superiores a 20% em determinados momentos do dia.
A volatilidade foi tamanha que o Tesouro Direto suspendeu temporariamente as negociações durante a manhã. Segundo o próprio Tesouro Nacional, a interrupção ocorreu devido à alta volatilidade dos mercados. O serviço foi reaberto posteriormente.
O movimento ganhou ainda mais força porque o mercado vinha de um setembro positivo. No último pregão do mês, em 30 de setembro, o Ibovespa havia fechado aos 186.340,46 pontos, com alta mensal de 5,03%, enquanto o dólar terminou a sessão a R$ 5,174.
No exterior, a reação já aparecia antes da abertura dos negócios no Brasil. O ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, chegou a registrar alta superior a 12%, enquanto o real também se valorizava nos mercados futuros.
Analistas, porém, avaliam que a disparada não significa que o cenário para o Brasil esteja definido. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, novas pesquisas, alianças políticas, propostas econômicas e principalmente a capacidade de cada candidato apresentar um plano para as contas públicas devem continuar influenciando os preços dos ativos nas próximas semanas.