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a hora da Corte

Fachin abre julgamento de Moraes com apelo à colegialidade e cita 8 de janeiro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, abriu nesta terça-feira (15) a sessão extraordinária que analisa a validade da investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Logo no início dos trabalhos, Fachin fez um discurso em defesa da colegialidade, da independência do Supremo e da atuação institucional da Corte. O ministro classificou o momento como difícil e afirmou que o tribunal precisa conduzir o julgamento com “sensatez, decoro e serenidade”.

Ao defender a importância do STF ao longo de sua história, Fachin citou os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que a Corte, mesmo diante de críticas e incompreensões, cumpriu sua missão constitucional.

Fachin também fez uma defesa direta do julgamento colegiado. Segundo o presidente do STF, não cabe antecipar o mérito antes da análise das questões processuais e as divergências entre ministros devem permanecer no campo institucional.

A fala ocorre em meio a uma das maiores crises internas recentes do Supremo, com decisões e acusações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Fachin reforçou que a decisão sobre o caso deve ser tomada pelo Plenário, e não individualmente por um ministro.

Moraes chama investigação de “vingança”

Antes da sessão, Alexandre de Moraes apresentou ao STF uma manifestação de 44 páginas em que nega ter cometido irregularidades ou favorecido Daniel Vorcaro.

O ministro afirmou que a investigação conduzida por Mendonça é “inconstitucional e ilegal” e classificou as acusações como uma tentativa de “vingança” de aliados de pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro.

Moraes também negou ter recebido informações antecipadas sobre a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro, e afirmou que não manteve qualquer atuação para beneficiar o banqueiro. Segundo ele, o relatório da Polícia Federal não comprova que mensagens encontradas no celular de Vorcaro tenham sido efetivamente enviadas a ele.

Na defesa, Moraes ainda questionou a forma como o relatório foi produzido, citando problemas que, segundo ele, impediriam uma análise segura da autenticidade e da cadeia de custódia do material. O ministro também pediu que o Plenário acolha a posição da Procuradoria-Geral da República pela nulidade da investigação.

Julgamento acontece com composição reduzida

A sessão desta terça-feira não analisa uma eventual condenação de Moraes. O objetivo é decidir se a investigação poderá prosseguir ou se deverá ser anulada, a partir dos elementos reunidos no caso.

Durante os trabalhos, o ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido e não participará da votação. A decisão ocorreu depois de novas mensagens relacionadas ao caso mencionarem seu filho, Kevin Marques.

Com Moraes fora da análise por ser parte diretamente envolvida no caso e Nunes Marques impedido, o julgamento ocorre com número reduzido de ministros aptos a votar.

A crise ainda terá outro capítulo. A análise de medidas relacionadas à conduta de André Mendonça foi marcada por Fachin para uma sessão separada, em 23 de setembro, evitando que os dois casos fossem julgados conjuntamente.

O processo em discussão nesta terça-feira é a Petição 16.662, que tramita no STF e teve o julgamento marcado oficialmente para 15 de setembro.

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