Mato Grosso quer mais

O esporte de Mato Grosso passou por uma transformação nos últimos anos, segundo representantes de federações que participaram de uma reunião nesta segunda-feira (24). Dirigentes de modalidades como kickboxing, ginástica, skate, basquete e futebol americano destacaram o aumento no número de atletas, a participação em competições nacionais e internacionais, a melhoria da estrutura esportiva e, principalmente, o impacto dos programas de incentivo mantidos pelo Governo do Estado.
Entre as iniciativas citadas está o Programa Olimpus, que oferece modalidades de apoio como Bolsa Atleta e Bolsa Técnico. Para os dirigentes, o auxílio financeiro ajuda atletas e treinadores a manter uma rotina de preparação e cria condições para que Mato Grosso seja representado em competições de maior nível.
A avaliação apresentada pelas federações é de que o investimento não produziu apenas resultados esportivos. Na visão dos dirigentes, a política pública também contribuiu para profissionalizar entidades que durante anos funcionaram com pouca estrutura e ampliar a capacidade de organização de eventos no Estado.
Um dos relatos mais fortes veio do presidente da Federação Mato-Grossense de Kickboxing, Matheus Noya. Segundo ele, as federações mato-grossenses precisaram passar por um processo de profissionalização para conseguir aproveitar melhor as oportunidades abertas pelo poder público.
“Antigamente, as federações eram todas amadoras e, por isso, não acontecia nada no nosso Estado. O Governo do Estado fez a gente se profissionalizar”, afirmou.
Noya destacou que a evolução das modalidades depende de uma combinação entre apoio público e organização das próprias entidades. Para ele, ter recursos para atletas, realizar grandes eventos e disputar competições importantes exige que as federações também assumam uma estrutura profissional.
“Para fazer algo grandioso, ter um evento bonito, ter atleta e ter Bolsa Atleta, a gente precisa se profissionalizar. Os frutos que estamos colhendo são resultado das portas abertas que vocês deixaram para a gente, mas também porque estamos correndo atrás e representando o nosso Estado”, completou.
Na ginástica, o crescimento apontado também aparece na base. A presidente da Federação Mato-Grossense de Ginástica, Flávia Zelinda, afirmou que aproximadamente 3 mil crianças praticam a modalidade atualmente em Mato Grosso.
Segundo ela, o Estado também passou a receber competições importantes e vem aumentando a presença de atletas mato-grossenses em campeonatos nacionais e internacionais.
“Hoje nós temos três mil crianças fazendo ginástica no Estado. Este ano vamos receber o quarto campeonato brasileiro aqui, de tão bem acolhidos”, relatou.
A dirigente citou ainda a existência de treinadores e atletas beneficiados por bolsas e afirmou que o apoio tem contribuído para ampliar a participação da ginástica mato-grossense fora do Estado.
A estrutura também aparece como um dos principais símbolos dessa mudança.
No skate, o presidente da federação estadual, Bob Peron, destacou a construção da pista do Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, apresentada pelo dirigente como uma das maiores estruturas do gênero na América Latina.
Segundo Peron, a pista permitiu ao Estado receber eventos de grande porte da modalidade. Ele citou a realização de uma competição da Confederação Brasileira de Skate e a chegada de uma etapa de um dos principais circuitos internacionais.
O dirigente também revelou que existe a possibilidade de Mato Grosso entrar novamente na disputa para receber um evento mundial da modalidade.
“Nós sonhávamos com a pista da Arena Pantanal. Deus nos abençoou com a maior pista de skate da América Latina, no Parque Novo Mato Grosso. Fizemos o maior evento da Confederação Brasileira de Skate e trouxemos uma etapa dos maiores eventos do skate do mundo”, afirmou.
Peron disse ainda que pretende participar de uma reunião no Rio de Janeiro para discutir a possibilidade de trazer um Mundial para Cuiabá.
“Agora, se Deus quiser, vamos ao Rio de Janeiro para uma reunião que pode possibilitar trazer o Mundial para Cuiabá, para Mato Grosso. Onde o senhor imaginava isso?”, disse.
No basquete, a principal preocupação apresentada foi justamente evitar que os avanços dos últimos anos sejam interrompidos.
O presidente da Federação de Basquetebol, Jefferson Prado, destacou que o Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico funcionam como estímulo para que atletas e treinadores continuem treinando mesmo diante dos custos envolvidos na preparação e nas viagens.
“O Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico fazem com que o treinador e o atleta continuem a treinar porque sabem que vão poder jogar um campeonato brasileiro, que vão poder competir”, afirmou.
Para Prado, a existência de uma perspectiva concreta de competição muda também a motivação de quem está na base.
“Hoje existe uma motivação para continuar treinando, e isso traz resultados nacionais. A continuidade desse programa e até mesmo a expansão dele é de extrema necessidade para a gente continuar avançando cada vez mais”, defendeu.
O futebol americano trouxe outro exemplo da diferença apontada pelas entidades.
O representante da modalidade lembrou que, alguns anos atrás, atletas precisavam recorrer a campanhas e arrecadações para conseguir dinheiro suficiente para viajar e disputar competições.
“Cinco, seis anos atrás, a gente fazia vaquinha em semáforo para conseguir pagar o ônibus”, relatou.
Segundo ele, a realidade mudou e o futebol americano passou a disputar competições nacionais com maior estrutura. O dirigente citou como exemplo o desempenho obtido no ano passado, quando a equipe chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro e conquistou o título.
“É esse o empenho que a gestão do Governo de Mato Grosso deu para o futebol americano”, afirmou.
Os relatos apresentados durante o encontro apontam, portanto, para uma mudança que envolve diferentes etapas do esporte: formação de atletas, apoio financeiro, capacitação de treinadores, estrutura física, organização das federações e realização de competições.
A avaliação do Governo do Estado é semelhante. O governador Otaviano Pivetta afirmou que a expansão dos investimentos no esporte foi possível depois de uma reorganização financeira iniciada a partir de 2019.
Segundo Pivetta, o Estado passou por um período de ajuste nas contas antes de ampliar a capacidade de investimento em áreas consideradas estratégicas.
“Nós organizamos o Estado em 2019. Em 2019 e 2020, arrumamos a casa, mudando aquele Estado desorganizado, quebrado, para esse Estado que hoje é sintonizado com essa sala que vocês estão sendo acolhidos aqui. A partir de 2020, nós começamos a investir em todas as áreas. E no esporte também. Foi uma decisão política”, afirmou.
Na avaliação do governador, o investimento em esporte precisa ser acompanhado de resultados sociais concretos. Pivetta afirmou que os recursos destinados à Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) têm origem nos impostos pagos pela população e, por isso, devem retornar à sociedade por meio de políticas públicas efetivas.
“Nós queremos produzir bem-estar em escala. Esse é o dever do Estado. Os recursos que a gente canaliza para a Secel são recursos dos pagadores de impostos, dos nossos contribuintes. Por isso, precisam ser bem aplicados, gerar retorno social e chegar à vida das pessoas”, declarou.
O governador também afirmou que pretende manter os investimentos em políticas voltadas principalmente para crianças e adolescentes.
“O que eu quero é continuar investindo em políticas públicas que realmente transformem a vida das nossas crianças e adolescentes mato-grossenses”, concluiu.
A defesa pela continuidade aparece como o principal ponto em comum entre as federações. Os dirigentes reconhecem que a estrutura atual ainda depende de investimento para se manter e crescer, mas avaliam que os resultados alcançados mostram o efeito de políticas públicas permanentes.
A lógica defendida pelas entidades é que o apoio financeiro resolve uma parte importante do problema, mas não funciona sozinho. Para transformar uma modalidade em uma atividade competitiva, é necessário ter atleta treinando, treinador capacitado, federação organizada, locais adequados e calendário de competições.
No caso da ginástica, por exemplo, o crescimento começa nas crianças e chega aos grandes campeonatos. No skate, passa pela construção de estruturas capazes de receber competições de alto nível. No basquete, está diretamente relacionado à permanência de atletas e técnicos. Já no futebol americano, a evolução aparece na mudança entre equipes que precisavam fazer arrecadação para viajar e uma modalidade que passou a disputar e vencer competições nacionais.
O kickboxing, por sua vez, coloca a profissionalização das federações como uma das chaves para que os recursos públicos sejam transformados em resultados esportivos.
A reunião também mostra como o debate sobre esporte em Mato Grosso deixou de se limitar apenas à formação de atletas. Atualmente, as próprias entidades passaram a defender a capacidade do Estado de sediar grandes competições, trazer eventos de alcance nacional e internacional e utilizar a estrutura esportiva para movimentar outras áreas.
A realização de eventos de grande porte pode gerar impacto em setores como turismo, hotelaria, alimentação, transporte e comércio, além de dar maior visibilidade às modalidades e aos atletas locais.
Ao mesmo tempo, o fortalecimento da base pode ampliar a quantidade de crianças e adolescentes envolvidos com atividades esportivas, criando novas possibilidades para a descoberta de talentos.
A principal cobrança das federações, portanto, não é apenas por mais recursos. É pela continuidade de uma política esportiva capaz de manter o que já foi construído e ampliar o alcance dos programas.
Depois de anos em que algumas modalidades precisavam improvisar para sobreviver, os dirigentes agora defendem uma fase diferente: mais atletas, mais competições, mais estrutura e mais presença de Mato Grosso no cenário esportivo brasileiro e internacional.
E, pelo discurso apresentado, o jogo que as federações não querem perder agora é justamente o da continuidade.