Sebastião da Silva Junior, conhecido como “Federal do CV-MT”, foi preso novamente na manhã desta segunda-feira (19), durante a Operação Ad Rem, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso. Ele é investigado por supostamente exercer funções de gerência do tráfico de drogas e administrar recursos financeiros do Comando Vermelho no estado.
A nova fase da investigação também busca atingir o patrimônio relacionado às atividades criminosas. A operação inclui seis mandados de busca e apreensão, uma prisão preventiva e o sequestro judicial de cinco imóveis, sendo quatro em Várzea Grande e uma chácara na região do Rio dos Peixes, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Sebastião havia sido preso no fim de março, durante a Operação Ruptura CPX, mas deixou a prisão em maio, após a Justiça revogar a preventiva. Na ocasião, a defesa alegou que ele seria apenas um “laranja”, usado por terceiros para movimentar dinheiro da facção. Também questionou as provas apresentadas pela investigação e afirmou que o apelido “Federal do CVMT” seria atribuído a outra pessoa.
A decisão que permitiu sua soltura considerou insuficientes os elementos apresentados naquele momento para justificar a manutenção da prisão preventiva. Ele foi liberado mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil afirma ter reunido novos indícios de que o investigado teria participação mais ampla na estrutura da facção. Além da administração financeira, ele é apontado como responsável pelo controle de estoques de drogas, distribuição de entorpecentes, gestão de pontos de tráfico e controle financeiro de outros integrantes. Em um dos períodos analisados, foram identificados cerca de R$ 661 mil em movimentações financeiras relacionadas às atividades investigadas.
As investigações também apontam indícios de que familiares e terceiros teriam sido utilizados para ocultar patrimônio ligado ao esquema. Entre os negócios analisados está a aquisição de uma propriedade rural por aproximadamente R$ 180 mil, com pagamento de R$ 100 mil em dinheiro.
A Operação Ad Rem é um desdobramento da Ruptura CPX, deflagrada em março para investigar a atuação do Comando Vermelho e a tentativa de domínio do Complexo Residencial Isabel Campos, em Várzea Grande. A nova etapa concentra esforços na identificação e no sequestro de bens que possam estar relacionados às atividades ilícitas.