
Uma onça-pintada morreu após ser atropelada enquanto tentava atravessar a MT-358, entre o distrito de Assari, em Barra do Bugres, e o município de Nova Olímpia, na região médio-norte de Mato Grosso. O acidente aconteceu na noite de terça-feira (18), nas proximidades de uma curva conhecida como Curva da Ilda.
O animal era uma fêmea jovem, segundo as informações divulgadas após o atropelamento. A ocorrência foi registrada por um policial militar que estava de folga e voltava de uma pescaria quando passou pelo trecho.
O cabo Daniel Almeida Brito contou que estava acompanhado de um colega quando presenciou a situação. Segundo ele, uma caminhonete realizava uma ultrapassagem de um caminhão quando a onça entrou na pista para fazer a travessia.
A movimentação teria deixado pouco espaço para uma manobra de emergência.
“A caminhonete não conseguiu desviar, né? Porque se ela desviasse para o lado direito, ela ia bater no caminhão. E se fosse para o lado esquerdo, ia bater de frente mais ainda”, relatou o policial.
A onça foi atingida e morreu ainda no local. Um vídeo gravado pelo cabo após o acidente mostra o animal caído sobre o asfalto e registra a conversa entre as pessoas que presenciaram o episódio.
Apesar do relato de que uma caminhonete teria atingido o animal, as informações disponíveis ainda apresentam uma divergência sobre o veículo envolvido. Durante a gravação, outra pessoa teria mencionado um caminhão. Como não houve um registro oficial detalhado da ocorrência no momento do atropelamento, não foi possível confirmar de forma independente qual veículo atingiu a onça.
Também não foram divulgadas informações sobre a identidade do motorista.
Após registrar as imagens, Daniel comunicou as autoridades responsáveis para que o corpo do animal fosse recolhido.
“A gente gravou aquele vídeo, no momento do acidente, e informou as autoridades competentes para que fossem lá buscar o corpo”, contou.
Ainda não foi informado pelo material fornecido qual órgão realizou o recolhimento ou qual foi a destinação da carcaça.
O episódio chama atenção para um problema maior das rodovias que atravessam áreas de circulação de animais silvestres. O próprio Governo de Mato Grosso realizou, em fevereiro deste ano, uma oficina voltada especificamente à prevenção de atropelamentos de fauna nas estradas, reunindo Sema, PRF e outros órgãos para discutir os locais de maior ocorrência e medidas de redução desses acidentes.
A onça-pintada é um dos grandes predadores dos ecossistemas brasileiros e a morte de um animal dessa espécie nas rodovias representa também uma perda para a fauna local. Registros oficiais e estudos ambientais apontam que o atropelamento é um dos impactos associados à presença de estradas em áreas de habitat de animais silvestres, inclusive da onça-pintada.
No Mato Grosso, a situação ganha uma dimensão ainda maior durante períodos de seca. Segundo o policial que presenciou o atropelamento, queimadas e incêndios em áreas de vegetação podem fazer com que animais deixem regiões de mata e se movimentem em busca de outros locais.
“Os animais costumam sair mais da mata devido a ter fogo ali. E aí às vezes acontecem esses atropelamentos. A região de Nova Olímpia tem uns canaviais e, às vezes, pega fogo. Nesse período de seca agora pega fogo”, explicou Daniel.
Ele disse ainda que nunca havia presenciado antes um atropelamento de onça.
“Eu não tinha visto antes de onça. Primeira vez que eu vi um atropelamento de onça.”
A presença de animais na pista pode surpreender até motoristas atentos. Em uma situação dessas, a recomendação de segurança é reduzir a velocidade sempre que houver possibilidade de travessia de fauna, principalmente em trechos cercados por vegetação e próximos a áreas de mata ou cursos d’água.
Também é importante não tentar perseguir, capturar ou retirar um animal silvestre da pista por conta própria, especialmente quando o animal ainda estiver vivo. Uma onça ferida pode permanecer extremamente perigosa mesmo quando aparenta estar debilitada. O mais seguro é manter distância e acionar os órgãos responsáveis.
No caso de um animal atropelado ou encontrado morto na estrada, a comunicação às autoridades ajuda no registro dos pontos onde os acidentes estão acontecendo. Esse tipo de informação pode ser utilizado para identificar trechos críticos e orientar medidas de prevenção, como sinalização, redução de velocidade e estruturas de passagem de fauna.
O caso da MT-358 ainda não tem uma dinâmica oficialmente concluída. A testemunha aponta que a onça surgiu durante uma ultrapassagem, mas não há, até o momento, um relato oficial que permita atribuir responsabilidade ao motorista ou afirmar exatamente como ocorreu a colisão.
O que ficou registrado é a imagem de um animal jovem, encontrado morto no meio de uma rodovia, em uma região onde a circulação de fauna faz parte da realidade ambiental.
Para quem trafega pelo trecho entre Assari e Nova Olímpia, o alerta é simples: em estrada cercada de mata, o próximo obstáculo pode não aparecer em uma placa. Pode aparecer correndo na pista.