
A partir da próxima rodada, o futebol brasileiro terá novas regras para tentar diminuir a chamada “cera” e aumentar o tempo de bola rolando. A mudança foi aprovada nesta segunda-feira (10) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pelos clubes das Séries A e B, e será aplicada imediatamente no Brasileirão, na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro Feminino A1.
Boa parte das medidas já foi utilizada na Copa do Mundo de 2026 e faz parte de um movimento internacional para reduzir paralisações e tornar as partidas mais dinâmicas. As mudanças envolvem desde o tempo que o goleiro pode permanecer com a bola nas mãos até a maneira como substituições e atendimentos médicos serão realizados.
A ideia é simples: menos tempo parado e mais bola rolando.
A CBF apresentou aos clubes um estudo sobre o tempo efetivo de jogo no futebol brasileiro. Na Série A, até a pausa para a Copa do Mundo, a média era de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida. Na Série B, o número era ainda menor: 51 minutos e 9 segundos.
O levantamento identificou que uma parcela considerável do tempo perdido está relacionada a faltas, reposições de bola, atendimentos médicos e procedimentos do VAR.
Segundo a entidade, ajustes nesses pontos poderiam recuperar cerca de 6 minutos e 22 segundos de bola rolando por partida. A expectativa é que apenas o conjunto de novas regras inspirado nas medidas da Copa possa acrescentar aproximadamente 5 minutos e 49 segundos de jogo por partida.
A intenção, portanto, não é simplesmente acelerar o futebol, mas reduzir situações em que a interrupção é utilizada deliberadamente para gastar tempo.
Uma das mudanças que mais deve chamar a atenção dos torcedores é a regra dos oito segundos para os goleiros.
O goleiro poderá permanecer com a bola controlada pelas mãos por, no máximo, oito segundos. Nos últimos cinco segundos, o árbitro fará uma contagem visual com a mão.
Se o goleiro ultrapassar o limite, o adversário ganhará escanteio.
A regra já faz parte das Leis do Jogo atualizadas pela IFAB e substituiu a antiga lógica dos seis segundos. A punição também mudou: em vez de tiro livre indireto, a equipe adversária recebe um escanteio.
Na prática, aquele goleiro que segura a bola, cai no chão, levanta, ajeita a defesa e continua esperando poderá colocar sua equipe em uma situação perigosa.
Outra mudança está nas cobranças de lateral.
Quando o árbitro entender que o jogador está deliberadamente atrasando a reposição, poderá iniciar uma contagem visual de cinco segundos.
Se a cobrança não for realizada dentro desse período, o lateral passa para o adversário.
A contagem não será necessariamente iniciada em toda cobrança. A regra é direcionada aos casos em que houver atraso deliberado. O árbitro pode primeiro determinar que o jogador cobre rapidamente e, em seguida, iniciar a contagem.
O mesmo princípio será aplicado aos tiros de meta.
Caso o árbitro considere que o time está retardando propositalmente a reposição, poderá iniciar uma contagem de cinco segundos.
Se o goleiro ou outro jogador responsável pela cobrança não colocar a bola em jogo dentro do período, o adversário receberá um escanteio.
É uma mudança que pode alterar bastante aquela rotina de esperar alguns segundos antes de escolher quem vai cobrar o tiro de meta.
A famosa caminhada lenta para fora do campo também entra na mira das novas medidas.
O jogador substituído terá 10 segundos para deixar o campo depois que a substituição for indicada.
A orientação é que ele saia pelo ponto mais próximo, sem atravessar lentamente o gramado.
Se o atleta atrasar propositalmente a saída, o substituto terá que esperar antes de entrar, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.
A exceção é para situações em que o jogador esteja realmente lesionado e não tenha condições de sair rapidamente.
Outra mudança importante envolve os atendimentos médicos.
Quando um jogador precisar deixar o campo para receber atendimento por uma lesão, ele deverá permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar.
A medida busca impedir que uma suposta lesão seja utilizada apenas para interromper o jogo e permitir que o atleta volte imediatamente depois que a partida for paralisada.
Nesse caso, a mudança é ainda mais curiosa.
Quando o goleiro receber atendimento médico dentro de campo, um jogador de linha da mesma equipe também terá que sair durante um minuto.
O treinador terá um período determinado para indicar qual jogador cumprirá o tempo fora. Caso isso não aconteça, a definição poderá seguir o procedimento estabelecido para o capitão.
A ideia da CBF é evitar que uma paralisação provocada pelo atendimento do goleiro seja utilizada para reorganizar a equipe e passar instruções enquanto o jogo está parado.
Outra novidade é o reforço do princípio de que somente o capitão deve ser o interlocutor da equipe com o árbitro em determinadas situações.
A intenção é reduzir os cercos ao árbitro e tornar as discussões mais organizadas.
Em vez de vários jogadores reclamando simultaneamente de uma decisão, a comunicação deverá ficar concentrada no capitão.
A orientação de “somente o capitão” já vinha sendo utilizada em competições e agora ganha espaço dentro das medidas de comportamento e fluidez do jogo.
Uma das medidas mais comentadas é a chamada “Lei Vini Jr.”.
O jogador poderá ser expulso se cobrir intencionalmente a boca enquanto se comunica com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.
A medida busca combater discussões e provocações em campo nas quais os jogadores escondem a boca para evitar que a comunicação seja identificada.
A regra não significa que qualquer jogador que coloque a mão na boca será automaticamente expulso. O contexto da comunicação e a intenção do comportamento serão considerados pela arbitragem.
As mudanças também atingem o VAR.
Uma das novidades é a possibilidade de revisão de uma situação envolvendo segundo cartão amarelo que resulta em expulsão.
Até então, o protocolo do VAR era limitado a situações específicas, como gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identificação.
Com a mudança, uma expulsão decorrente de um segundo amarelo poderá ser corrigida caso a arbitragem tenha cometido um erro objetivo na aplicação da segunda advertência.
Outra alteração envolvendo escanteios será implementada posteriormente.
A partir de 2027, o VAR poderá revisar um escanteio concedido por engano quando a cobrança resultar diretamente em gol ou pênalti.
Todas essas mudanças fazem parte de uma mesma estratégia: reduzir o tempo perdido durante as partidas.
A IFAB, órgão responsável pelas Leis do Jogo, também adotou medidas semelhantes para a temporada 2026/27, incluindo a contagem de cinco segundos para laterais e tiros de meta deliberadamente atrasados.
No futebol brasileiro, a CBF pretende aproveitar essas medidas para aproximar o tempo efetivo de jogo dos principais campeonatos internacionais.
O desafio, porém, não depende apenas das novas regras. A própria entidade reconhece que o comportamento de jogadores, treinadores e árbitros continuará sendo determinante.
Menos faltas desnecessárias, reposições mais rápidas, atendimentos médicos objetivos e decisões mais ágeis do VAR também serão necessários para que os minutos sejam efetivamente recuperados.
A proposta é que o torcedor passe a assistir a um futebol com menos espera, menos paralisação e mais bola rolando.
1. Goleiro: máximo de 8 segundos com a bola nas mãos. Excedeu? Escanteio para o adversário.
2. Lateral: contagem de 5 segundos em caso de atraso deliberado. Excedeu? Lateral para o adversário.
3. Tiro de meta: 5 segundos para a cobrança quando houver atraso deliberado. Excedeu? Escanteio para o adversário.
4. Substituição: jogador substituído terá 10 segundos para deixar o campo.
5. Atendimento médico: jogador atendido fora do campo deverá esperar pelo menos 1 minuto para retornar.
6. Atendimento ao goleiro: um jogador de linha da equipe também deverá cumprir 1 minuto fora.
7. Capitão: comunicação com o árbitro será concentrada no capitão em situações previstas pelo protocolo.
8. “Lei Vini Jr.”: comunicação provocativa, depreciativa ou inflamatória com a boca coberta poderá resultar em cartão vermelho.
9. Segundo amarelo: o VAR poderá intervir em erro que resulte em expulsão pelo segundo cartão.
10. Escanteio: a partir de 2027, o VAR poderá revisar escanteio concedido por engano quando o lance resultar diretamente em gol ou pênalti.
No fim das contas, a mensagem da nova regulamentação é direta: quem tentar gastar tempo terá cada vez menos espaço para fazê-lo.
A CBF estima que as novas medidas possam ajudar a recuperar minutos importantes de bola rolando.
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