O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de compra de votos, corrupção e negociação de vantagens indevidas envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. A ação cumpre 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Ao todo, 15 vereadores estão entre os alvos, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá:
| Município | Vereador | Partido informado |
|---|---|---|
| Várzea Grande | Raul Curvo | Republicanos |
| Várzea Grande | Cilço da Cruz | PV |
| Várzea Grande | Braz Jaciro | PSDB |
| Várzea Grande | Alecsand Moreira | MDB |
| Várzea Grande | Wender Silva | Republicanos |
| Várzea Grande | Denival Galibert | PSB |
| Várzea Grande | Miguel Angel | Cidadania |
| Várzea Grande | Lucélia Oliveira | Agir |
| Várzea Grande | Kleberton Feitoza | PSB |
| Várzea Grande | Emerson César | PP |
| Várzea Grande | Wanderley Cerqueira | MDB |
| Várzea Grande | Gisa Barros | Podemos |
| Várzea Grande | Rogerinho Dakar | PSDB |
| Cuiabá | Ilde Taques | Podemos |
| Cuiabá | Alex Rodrigues | PV |
A investigação apura denúncias de que vereadores teriam recebido vantagens financeiras para apoiar a chapa de Wanderley Cerqueira, que venceu a eleição da Mesa Diretora em 14 de maio por 12 votos a 11, derrotando o grupo liderado por Lucas do Chapéu do Sol (PL). Os relatos também mencionam que parlamentares teriam permanecido em uma chácara no distrito da Guia, em Cuiabá, nos dias anteriores à votação, supostamente sob vigilância de seguranças armados. Essas informações fazem parte das suspeitas investigadas e ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Outra linha de apuração envolve um possível acordo relacionado ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande. A suspeita é de que vantagens indevidas poderiam ter sido negociadas em troca de apoio político. O Gaeco busca reunir documentos, celulares e outros elementos que ajudem a esclarecer se houve pagamentos ou acordos ilegais e qual teria sido a participação de cada investigado.
A eleição de maio foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Dias Toffoli considerou irregular a antecipação da votação para o biênio 2027-2028. Em Cuiabá, Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara em 6 de outubro, com os votos dos 27 vereadores, e deverá assumir o comando do Legislativo em janeiro de 2027. Os detalhes específicos das suspeitas envolvendo os parlamentares da Capital ainda não foram divulgados publicamente.
A possível circulação antecipada de informações sobre a operação também entrou no radar de pessoas ligadas à investigação. Relatos preliminares levantaram hipóteses de que investigados poderiam ter sido avisados sobre as diligências e de que celulares ou documentos teriam sido retirados de determinados endereços antes das buscas. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que tenha ocorrido vazamento ou de que essas ações tenham sido efetivamente realizadas.
A Câmara Municipal de Cuiabá informou que acompanha os desdobramentos e destacou que eventuais condutas individuais devem ser apuradas pelas autoridades competentes, sem representar necessariamente a atuação institucional do Legislativo. A defesa de Ilde Taques também afirmou que o vereador nega envolvimento em articulações ilegais relacionadas à eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande e que colaborou com as autoridades.
A investigação tramita sob sigilo, e os materiais recolhidos durante a operação serão analisados pelos investigadores. O cumprimento de mandados de busca e apreensão não significa condenação nem comprova, por si só, o envolvimento dos alvos nos crimes apurados.