
Um médico de 38 anos, procurado pela Justiça de Mato Grosso por suspeita de integrar uma organização criminosa e participar de um esquema de lavagem de dinheiro, foi preso na Bolívia na sexta-feira (14). A captura ocorreu a partir de informações levantadas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, com apoio da Polícia Federal, do Ministério Público de Mato Grosso e da Interpol.
O homem era alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pela 5ª Vara Criminal de Sinop e estava sendo procurado no âmbito da Operação Codinome Fantasma III, investigação que mira a estrutura financeira de uma organização criminosa com atuação no norte de Mato Grosso.
Como o investigado havia deixado o território brasileiro, o nome dele foi incluído na difusão vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para comunicar às polícias de diferentes países que uma pessoa é procurada e deve ser localizada para eventual prisão, conforme as regras e a legislação do país onde ela for encontrada.
A localização ocorreu graças ao trabalho de inteligência desenvolvido pela Draco de Sinop. Depois que o paradeiro do médico foi identificado, as autoridades brasileiras compartilharam as informações com os organismos responsáveis pela cooperação policial internacional, permitindo que a captura fosse realizada na Bolívia.
A Polícia Civil não informou em qual cidade boliviana o médico foi encontrado nem há quanto tempo ele estava fora do Brasil.
A prisão está diretamente relacionada à terceira fase da Operação Codinome Fantasma, deflagrada em março de 2026 pela Polícia Civil de Mato Grosso.
Na ocasião, a Draco de Sinop concentrou os esforços no que os investigadores apontaram como núcleo financeiro de uma organização criminosa que atua na região norte do Estado, com suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes.
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e incluíram quatro mandados de prisão preventiva, 27 mandados de busca domiciliar e o bloqueio de 30 contas bancárias.
Também foram determinadas apreensões de veículos de carga e passeio, a suspensão das atividades de quatro empresas e o sequestro de nove imóveis, com valores que ultrapassavam R$ 10 milhões em bens atingidos pelas medidas.
A estratégia da investigação é atingir não apenas os responsáveis pela prática direta dos crimes, mas também a estrutura utilizada para movimentar, ocultar e transformar os recursos provenientes das atividades ilícitas em patrimônio.
Nesse contexto, o médico passou a ser investigado por suposta participação na organização criminosa e por lavagem de dinheiro. As acusações ainda estão em fase de investigação e não representam condenação.
A chamada Red Notice, ou difusão vermelha, é um alerta internacional utilizado para localizar uma pessoa procurada por autoridades de um país.
É importante destacar que uma notificação vermelha não equivale, por si só, a um mandado de prisão internacional. A Interpol atua como mecanismo de cooperação e compartilhamento de informações entre polícias, enquanto a prisão é realizada conforme a legislação do país onde o procurado é localizado.
Foi justamente esse mecanismo que permitiu que a informação sobre o médico chegasse às autoridades bolivianas.
Depois da identificação do investigado, policiais locais realizaram a prisão em território boliviano.
Agora começa uma nova etapa: os procedimentos de cooperação jurídica e policial internacional que poderão permitir o retorno do investigado ao Brasil para responder ao processo relacionado à Operação Codinome Fantasma III.
A localização do médico exigiu uma atuação que ultrapassou as fronteiras brasileiras.
Segundo a Polícia Civil, a Draco de Sinop foi responsável pelo trabalho de inteligência que permitiu identificar o paradeiro do investigado. A ação contou ainda com apoio do Ministério Público de Mato Grosso e da Polícia Federal.
Com a confirmação de que o homem estava na Bolívia, a cooperação com a Interpol e as autoridades policiais bolivianas foi utilizada para concretizar a captura.
Esse tipo de atuação é especialmente importante em investigações de organizações criminosas que possuem integrantes, patrimônio ou movimentações financeiras fora do país.
A Polícia Civil destaca que a cooperação internacional permite que um investigado não consiga simplesmente escapar das buscas ao atravessar uma fronteira.
A terceira fase da Operação Codinome Fantasma foi estruturada justamente para atingir o fluxo financeiro da organização investigada.
Em março, além das prisões e buscas, a Justiça autorizou bloqueios de contas bancárias, suspensão de empresas e sequestro de imóveis que, segundo a investigação, estariam relacionados às atividades criminosas ou à lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram bloqueadas 30 contas e determinadas medidas sobre quatro pessoas jurídicas. Nove imóveis foram alvo de sequestro judicial, enquanto veículos também foram apreendidos.
A lógica da investigação é tentar identificar como os recursos supostamente obtidos com atividades criminosas eram movimentados e posteriormente incorporados ao patrimônio dos investigados.
É justamente nessa etapa que a acusação de lavagem de dinheiro ganha importância: a investigação procura descobrir não apenas a origem dos valores, mas também os mecanismos usados para esconder ou dar aparência legal aos recursos.
Com a prisão realizada na Bolívia, o próximo passo será a formalização dos procedimentos necessários para que o investigado possa ser encaminhado ao Brasil.
Esse processo depende dos mecanismos de cooperação existentes entre os dois países e das decisões das autoridades competentes.
A Polícia Civil não informou uma data para eventual transferência do médico para Mato Grosso.
Enquanto isso, a investigação da Operação Codinome Fantasma III continua analisando os elementos já reunidos e buscando esclarecer a participação individual de cada investigado.
A prisão na Bolívia representa, portanto, mais uma etapa da operação, mas não encerra a investigação sobre a estrutura criminosa.
O médico é investigado por organização criminosa e lavagem de dinheiro e deverá ter assegurado o direito de defesa e ao devido processo legal.
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