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O chifre era só na cabeça

Mulher sonha com traição, acorda furiosa e esfaqueia marido enquanto ele dormia em Sorriso

Uma mulher de 20 anos foi presa na madrugada desta quarta-feira (19) após atacar o próprio marido, de 25 anos, enquanto ele dormia, em Sorriso, no norte de Mato Grosso. Segundo a Polícia Militar, o homem sofreu pelo menos seis perfurações e precisou ser levado para uma unidade de saúde.

O detalhe que chamou atenção no relato policial é a possível motivação apresentada pela mulher. Conforme as informações registradas na ocorrência, ela teria dito aos policiais que sonhou que o marido estava mantendo uma relação extraconjugal. Depois de acordar, teria ficado irritada e atacado o companheiro com uma faca de serra.

Ou seja, o suposto crime começou no mundo dos sonhos e terminou com a polícia e uma vítima ferida no mundo real.

A ocorrência foi registrada por volta das 5h, quando policiais do 12º Batalhão da Polícia Militar foram acionados para atender uma denúncia relacionada a uma tentativa de homicídio.

De acordo com o relato policial, a própria mulher teria informado que havia golpeado o marido enquanto ele dormia. Ela também teria acionado o Corpo de Bombeiros para prestar socorro ao companheiro.

A vítima, entretanto, conseguiu deixar a residência depois do ataque. Ferido, correu para fora do imóvel e acabou sendo localizado pelos policiais em um terreno baldio próximo à casa.

Quando foi encontrado, apresentava seis perfurações pelo corpo, principalmente nas regiões das costas, braços e pernas. Ele recebeu atendimento e foi encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Durante o ataque, a faca utilizada teria quebrado, segundo as informações repassadas aos policiais. Não foram divulgados detalhes sobre o tamanho dos ferimentos nem sobre o estado de saúde mais recente do homem.

A suspeita também apresentava lesões e foi encaminhada para a delegacia, onde a ocorrência foi registrada.

A versão sobre o sonho como motivação consta no relato apresentado pela suspeita à polícia. Isso não significa, porém, que a investigação já tenha concluído que esse foi o único motivo para o ataque. A Polícia Civil deverá ouvir o casal e outras pessoas, além de analisar as circunstâncias anteriores à agressão.

Segundo as informações preliminares, o relacionamento já apresentava histórico de episódios de violência, o que também deverá ser considerado na apuração.

Até o momento, não há informação de que tenha sido comprovada qualquer traição ou relação extraconjugal. A suposta traição apareceu apenas como parte do contexto relatado pela mulher após o ataque.

Também é importante destacar que um sonho não constitui evidência de uma traição real. Sonhos podem provocar emoções intensas, inclusive ciúme, medo ou raiva, mas não servem para confirmar acontecimentos que ocorreram na vida real. Especialistas consultados em outras situações semelhantes ressaltam que sonhar com infidelidade não significa necessariamente que exista uma traição.

Depois de ser localizada, a mulher recebeu voz de prisão e foi levada para a Polícia Civil. O caso deverá ser investigado para esclarecer a dinâmica completa da agressão e definir a responsabilização da suspeita.

A ocorrência foi registrada inicialmente como tentativa de homicídio, mas a classificação jurídica poderá ser analisada e eventualmente modificada conforme o avanço da investigação.

A Polícia Civil também deverá verificar se havia histórico de violência entre o casal, quais circunstâncias antecederam o ataque e se outras situações podem ter contribuído para a agressão.

Por enquanto, o caso chama atenção justamente pela situação incomum relatada no boletim: um ciúme provocado por um sonho teria terminado em uma agressão real, com seis golpes de faca e uma fuga pela madrugada.

E fica o lembrete mais importante dessa história: sonho é sonho. Quando o despertador toca, é melhor conferir a realidade antes de transformar o pesadelo em ocorrência policial.