
Uma nova ponte sobre o Rio Cuiabá deverá criar uma importante ligação entre Cuiabá e Várzea Grande e ampliar as alternativas de deslocamento entre os dois municípios. Com 183 metros de extensão e investimento previsto de R$ 46,9 milhões, a estrutura vai conectar as regiões dos bairros Santa Rosa e Santa Isabel, em Cuiabá, ao Mirante do Pari e Chapéu do Sol, em Várzea Grande.
A obra é conduzida pelo Governo de Mato Grosso e, segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), a licitação para a construção da ponte já foi concluída. A empresa Engeponte será responsável pela execução.
O próximo passo é a assinatura do contrato para que o Estado possa emitir a ordem de serviço. A partir dessa etapa, a previsão é de que a construção da ponte seja concluída em aproximadamente 16 meses.
Os acessos à estrutura terão uma etapa própria. De acordo com a Sinfra, a licitação para essa parte da obra está prevista para o dia 20 de agosto, com prazo estimado de execução de um ano após a emissão da ordem de serviço.
Além de criar uma nova opção de travessia sobre o Rio Cuiabá, a obra poderá alterar a distribuição do trânsito entre as duas maiores cidades da região metropolitana. Atualmente, uma parcela significativa dos deslocamentos é concentrada em estruturas como as pontes Júlio Müller, Mário Andreazza e Ponte Nova, aumentando a pressão sobre essas rotas principalmente nos horários de maior movimento.
Na avaliação do arquiteto e urbanista Benedito Libânio, ex-superintendente do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (IPDU) de Cuiabá, a nova ponte tem potencial para melhorar a mobilidade, mas seus resultados dependerão de um planejamento conjunto entre Cuiabá, Várzea Grande e o Governo do Estado.
Segundo o urbanista, a nova ligação poderá ajudar a distribuir parte do fluxo atualmente concentrado nas pontes existentes, criando uma alternativa para moradores que circulam diariamente entre os dois municípios.
“Vai ajudar na questão da mobilidade, a diminuir um pouco mais esses fluxos altos em determinadas pontes, na Júlio Müller, na Ponte Nova, na Mário Andreazza, por exemplo. Vai poder fazer essa distribuição, mas, ao mesmo tempo, isso precisa acontecer a partir de um planejamento integrado entre os municípios”, afirmou.
A importância da obra, entretanto, não deve ficar restrita ao trânsito urbano. A localização da nova ponte também poderá favorecer a conexão de Várzea Grande e Cuiabá com corredores rodoviários utilizados para o transporte da produção agropecuária de Mato Grosso.
A nova ligação deverá facilitar o acesso a rodovias que levam às regiões produtoras e à BR-163, uma das principais vias utilizadas para o escoamento da produção agrícola e pecuária do Estado.
“Essa nova ponte também vai fazer uma interligação com a BR-163, com as rodovias que levam para a nossa fronteira agrícola, para a produção do agronegócio. Mesmo que seja uma obra local, ela tem uma dimensão no Estado todo”, destacou Libânio.
A construção também ocorre em uma área que vem passando por forte transformação urbana. O Chapéu do Sol, em Várzea Grande, é considerado um dos principais vetores de expansão do município e recebeu, nos últimos anos, novos empreendimentos imobiliários, equipamentos públicos e instituições de ensino.
A expansão da região aumentou a circulação de moradores, trabalhadores e estudantes e também ampliou a necessidade de novas conexões viárias com Cuiabá.
Para Libânio, a ponte pode acelerar ainda mais esse processo ao reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades.
“Quando o Governo está encurtando as distâncias, está gerando qualidade de vida para as pessoas que estão nesse deslocamento”, afirmou.
O crescimento urbano também pode estimular o surgimento de novos centros comerciais de bairro, acompanhando a expansão residencial. Com mais moradores e circulação de pessoas, a tendência é de aumento da demanda por mercados, farmácias, restaurantes, serviços e outros estabelecimentos próximos às áreas residenciais.
Esse processo pode reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes até as regiões centrais de Cuiabá e Várzea Grande.
Ao mesmo tempo, o urbanista chama atenção para a necessidade de planejamento. A valorização imobiliária provocada pela chegada de grandes obras e novos empreendimentos pode alterar o perfil da região e pressionar moradores de menor renda.
Por isso, segundo Libânio, o crescimento precisa ser acompanhado pelo poder público para evitar que a valorização dos imóveis resulte na saída de famílias que já vivem nos bairros próximos à futura ponte.
“É muito importante que, dentro dessa perspectiva de planejamento urbano, essas populações desses bairros, principalmente dos mais carentes, possam continuar nesta região”, afirmou.
Outro desafio será integrar a nova estrutura ao sistema de transporte coletivo da região metropolitana.
Na avaliação do urbanista, a ponte não deve ser pensada apenas como uma passagem para veículos particulares. A estrutura precisa estar conectada ao planejamento de mobilidade das duas cidades, incluindo o transporte coletivo e o BRT.
Cuiabá e Várzea Grande já possuem uma dinâmica urbana fortemente integrada, com milhares de pessoas atravessando diariamente os limites entre os municípios para trabalhar, estudar, acessar serviços e realizar atividades comerciais.
Nesse cenário, novas obras de infraestrutura podem melhorar a circulação, mas também precisam estar inseridas em uma estratégia mais ampla de ocupação territorial.
A expectativa é que a nova ponte contribua para aproximar ainda mais as duas cidades e dê suporte ao crescimento de áreas que hoje passam por rápida expansão.
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