Mais de 60 relógios de luxo, grandes quantidades de dinheiro em espécie e veículos importados estão entre os itens apreendidos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, que investiga possíveis irregularidades em contratos administrativos e pagamentos relacionados ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
Imagens divulgadas pela PF mostram relógios de marcas internacionais, cédulas de reais, dólares e euros, além de garrafas de vinho e acessórios de grife. Entre os modelos identificados nas fotografias estão o TAG Heuer Carrera Calibre 16, o Rolex Submariner Date e o Bulova Shelby Racer Chronograph. Uma bolsa transversal da marca Prada também aparece nos registros.

Os valores de referência desses relógios variam conforme o modelo e o mercado. O Rolex Submariner Date, por exemplo, pode alcançar cerca de R$ 159 mil. A Polícia Federal, porém, não divulgou uma avaliação oficial do conjunto de bens apreendidos.
As fotografias também mostram veículos de marcas como Mercedes-Benz e Audi, incluindo modelos semelhantes ao Classe GLB e ao Q5. Parte do dinheiro foi registrada sobre uma mesa em um dos imóveis alvo das buscas. Em outras imagens, as cédulas aparecem guardadas em caixas no porta-malas de um veículo utilizado pelos agentes. O total em dinheiro apreendido ainda não foi informado, e a PF não revelou a quem pertencem os objetos.

Investigação envolve contratos e movimentações financeiras
A operação tem como um dos alvos o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, que foi preso preventivamente. Também estão entre os presos a secretária-executiva do tribunal, Roseli Loss; o servidor Adriangelo Barros Antunes; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada para pressionar fornecedores, além de possível favorecimento na liberação de recursos públicos. Os investigadores também examinam divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras consideradas atípicas e saques frequentes em espécie.

Informações divulgadas sobre a apuração apontam saques que somam R$ 500 mil atribuídos a Sérgio Ricardo e movimentações financeiras de R$ 33 milhões realizadas por um dos investigados em apenas um ano. A relação dessas transações com os contratos sob suspeita ainda precisa ser esclarecida.
A ação mobiliza mais de 180 policiais federais e prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também determinou o afastamento de sigilos e o sequestro de bens.
A PF apura fatos que podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A origem dos valores e a propriedade dos bens recolhidos deverão ser esclarecidas durante a investigação.
