Uma mulher de 51 anos que havia sido declarada morta no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, voltou a apresentar sinais vitais enquanto funcionários de uma funerária preparavam seu velório. O caso ocorreu na noite de quinta-feira (5), na cidade que faz fronteira com Ponta Porã (MS). Após ser levada novamente ao hospital e internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ela morreu na manhã desta sexta-feira (6).
Identificada como Gregória Aparecida Ovelar, a paciente havia passado por uma cirurgia após apresentar complicações de saúde. A certidão de óbito foi emitida por volta das 20h20 de quinta-feira e indicava infarto mesentérico como causa da morte. Depois da liberação hospitalar, o corpo foi encaminhado à funerária Pax Amambay, onde seriam iniciados os procedimentos para o velório.
Durante a preparação, funcionários e familiares perceberam que Gregória abriu os olhos e voltou a respirar. Diante da situação, ela foi transportada às pressas de volta ao Hospital Regional, onde uma nova avaliação confirmou a presença de sinais vitais. A paciente foi internada em estado crítico na UTI, por volta das 23h. O marido, Facundo Gadea, confirmou a morte na manhã seguinte, após ser comunicado pela equipe médica.
O diretor da XIII Região Sanitária do Paraguai, médico Pablo Ayala, apresentou uma possível explicação para o episódio. Segundo ele, Gregória enfrentava um câncer em estágio terminal e havia desenvolvido um infarto mesentérico, condição grave provocada pela interrupção do fluxo sanguíneo para parte do intestino, que exigiu intervenção cirúrgica. Por causa da doença e do uso contínuo de medicamentos fortes, a equipe precisou aumentar as doses de sedativos e analgésicos.
Na avaliação de Ayala, a quantidade de medicamentos pode ter provocado uma depressão intensa das funções respiratórias, tornando os sinais vitais imperceptíveis e levando à declaração equivocada de óbito. A hipótese, porém, ainda precisa ser esclarecida por uma investigação. O diretor informou que os profissionais envolvidos no atendimento serão chamados para apresentar suas versões por escrito, junto com a direção do hospital.
A ocorrência provocou revolta entre familiares, e a Polícia Nacional do Paraguai foi acionada para acompanhar a situação na unidade de saúde. O caso levantou questionamentos sobre os procedimentos utilizados para confirmar a morte da paciente e sobre a atuação da equipe responsável pelo atendimento.
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