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Política

O estúdio quase derreteu

Debate ao Governo de MT vira ringue de acusações, ironias, choro e até pedido de Pix

O primeiro debate televisivo com os seis candidatos ao Governo de Mato Grosso em 2026 entregou exatamente o que uma eleição acirrada costuma produzir: propostas, críticas, acusações, ironias, cutucões e momentos em que a temperatura subiu bastante.

Promovido pela TV Vila Real, do Grupo Gazeta de Comunicação, na manhã desta terça-feira (1º), o encontro reuniu Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Sargento Laudicério (Agir), Rafaell Millas (Missão) e Maurício Coelho (Mobiliza).

O debate foi dividido em cinco blocos. Depois de uma primeira rodada de perguntas feitas por jornalistas, os candidatos passaram a escolher os próprios adversários para os confrontos. Foi aí que a cordialidade eleitoral praticamente pediu licença e saiu do estúdio.

Dinheiro de campanha, violência contra a mulher, segurança pública, educação, pobreza, infraestrutura, operações policiais, alianças políticas e até o passado dos candidatos entraram no cardápio.

E teve de tudo: candidato sendo chamado de “melancia”, adversário classificado como “candidato de aluguel”, promessa de presídio batizado de “Inferno Pantaneiro”, choro ao vivo, cobrança sobre milhões do fundo eleitoral e até pedido de Pix no meio do programa.

fundo eleitoral vira munição e termina em Pix

Um dos momentos mais curiosos ocorreu quando Maurício Coelho decidiu colocar o dinheiro das campanhas no centro do debate.

O candidato do Mobiliza questionou o Sargento Laudicério sobre os valores milionários recebidos por adversários e aproveitou para criticar o uso de recursos públicos nas campanhas.

Laudicério respondeu destacando que sua candidatura está longe das estruturas financeiras dos principais concorrentes.

Em vez de milhões, segundo ele, a campanha está sendo feita com deslocamentos pelo interior e forte presença nas redes sociais.

O sargento afirmou que percorre o Estado de “moto 150” e, no meio da resposta, fez um pedido bastante direto: pediu que eleitores e até os próprios adversários contribuíssem com sua campanha.

“Eu estou andando de moto, 150, a minha arrecadação é essa aqui, QR code do meu CNPJ, Pix, de doação.”

 

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Crédito: TV Vila Real

 

 

A fala arrancou atenção porque resumiu, em poucos segundos, uma das principais discussões do debate: a diferença entre as campanhas com grandes estruturas partidárias e aquelas que disputam espaço com caixas muito menores.

Os dados apresentados à Justiça Eleitoral mostram que, naquele momento, Wellington Fagundes aparecia com cerca de R$ 5,4 milhões em recursos declarados, enquanto Natasha Slhessarenko tinha aproximadamente R$ 4,55 milhões e Otaviano Pivetta, cerca de R$ 1,78 milhão. Rafaell Millas tinha pouco mais de R$ 100 mil declarados, enquanto Laudicério e Maurício ainda não apresentavam valores registrados no mesmo patamar.

Parte significativa do dinheiro dos três primeiros colocados veio de recursos partidários e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

O chamado Fundo Eleitoral é dinheiro público destinado às campanhas e, nas eleições de 2026, soma R$ 4,96 bilhões distribuídos aos partidos conforme os critérios previstos na legislação eleitoral.

Foi justamente essa diferença que Maurício explorou.

Ao final de sua intervenção, o candidato pediu que o eleitor lembrasse, ao encontrar um adesivo ou propaganda dos adversários, que aquelas campanhas também eram financiadas por recursos públicos.

A discussão provocou reação de Natasha, que defendeu os recursos recebidos pelo PSD e argumentou que o partido tem direito ao financiamento dentro das regras eleitorais.

Ou seja: o debate sobre propostas rapidamente virou um debate sobre quem paga a conta da campanha.

Natasha e Maurício trocam farpas

A discussão financeira não ficou restrita ao dinheiro.

Maurício também escolheu Natasha para falar sobre uma proposta de cashback para consumidores de baixa renda na compra de produtos da cesta básica.

A candidata explicou que pretende antecipar a implementação do mecanismo como forma de reduzir o peso dos impostos para famílias mais pobres.

A resposta, porém, não encerrou o assunto.

Natasha afirmou que o questionamento sobre o fundo eleitoral tinha uma intenção política e defendeu a legalidade dos recursos destinados à sua campanha.

Em seguida, também fez cobranças ao adversário e mencionou questões que, segundo ela, deveriam ser explicadas por Maurício, incluindo uma atuação da Polícia Federal.

O confronto colocou os dois em uma das discussões mais tensas do segundo bloco e mostrou que o debate financeiro acabou se transformando em disputa pessoal entre os candidatos.

 

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Crédito: TV Vila Real

 

Wellington vira alvo de Millas e ganha apelido de “melancia”

Se havia um candidato que chegou ao debate disposto a atacar Wellington Fagundes, era Rafaell Millas.

Antes mesmo do início do programa, Millas havia dito que pretendia concentrar parte dos ataques no senador por considerar que ele tinha mais explicações a dar sobre denúncias e investigações.

E cumpriu a promessa.

Durante o debate, Millas questionou Wellington sobre episódios envolvendo seu passado político e citou a Operação Sanguessuga, além de outras investigações mencionadas no confronto.

Wellington negou qualquer envolvimento irregular e afirmou que nunca foi condenado.

Na resposta, o senador elevou o tom e classificou Millas como um “candidato de aluguel”, insinuando que ele estaria servindo aos interesses da candidatura de Pivetta.

Millas devolveu a provocação e chamou Wellington de “melancia”, expressão usada no meio político para atacar alguém acusado por adversários de possuir um posicionamento diferente daquele que apresenta publicamente.

O apelido, que já circulava no cenário político de Mato Grosso, acabou ganhando novamente os holofotes durante o confronto.

A troca resume bem o clima de boa parte do encontro: uma pergunta sobre gestão pública terminava frequentemente em currículo político, alianças e acusações sobre quem estaria apoiando quem.

 

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Crédito: TV Vila Real

 

Pivetta também entrou na briga

O governador Otaviano Pivetta também foi diretamente cobrado e aproveitou diversas oportunidades para defender sua administração.

Em um dos confrontos, Pivetta questionou Natasha sobre estratégias para retirar pessoas da pobreza.

A candidata respondeu defendendo a atração de empresas e a industrialização de setores como couro, ouro e algodão. Natasha também afirmou que aproximadamente 500 mil pessoas passam fome em Mato Grosso.

Pivetta rebateu destacando investimentos realizados pelo atual governo em infraestrutura e agroindústria.

O governador também foi questionado sobre a violência contra mulheres, tema que apareceu repetidamente durante o debate.

violência contra a mulher provoca sequência de cobranças

A pauta da violência contra a mulher foi uma das que mais esquentaram o confronto.

Sargento Laudicério questionou Pivetta sobre medidas de proteção às mulheres vítimas de violência e perguntou como o Estado poderia impedir que elas permanecessem dependentes financeiramente dos próprios agressores.

Pivetta citou ações da atual gestão, incluindo a Patrulha Maria da Penha, auxílio-aluguel, programas habitacionais e investimentos em estruturas voltadas ao atendimento das vítimas.

Laudicério considerou as medidas insuficientes e defendeu uma atuação mais efetiva.

Natasha também levou o tema para o confronto com Pivetta.

A candidata questionou o governador sobre os índices de violência contra mulheres em Mato Grosso e defendeu a criação de uma espécie de “ficha suja” para agressores, impedindo que pessoas com histórico de violência contra mulheres possam disputar cargos públicos.

Pivetta concordou com a ideia de ampliar mecanismos de proteção e assistência.

O assunto, entretanto, ganhou ainda mais peso quando o próprio Sargento Laudicério passou a falar sobre a família.

Laudicério chora e dispara contra adversários

Um dos momentos mais emocionantes do debate aconteceu quando Wellington Fagundes questionou Laudicério sobre supostos problemas e desvios relacionados ao Governo de Mato Grosso, especialmente nas áreas da Saúde e dos consignados.

Na resposta, o sargento abandonou momentaneamente o discurso mais técnico e falou sobre a própria mãe, que, segundo ele, perdeu a visão aos 60 anos.

Laudicério relacionou a situação à dificuldade de acesso a atendimento público e se emocionou diante das câmeras.

O candidato chegou a chorar enquanto falava do problema.

Na sequência, direcionou críticas a Wellington e Pivetta e chamou os dois de “covardes”, afirmando que ambos tiveram oportunidades políticas para atuar sobre problemas que continuam afetando a população.

O momento mudou completamente o ritmo do confronto. O que começou como uma pergunta sobre gestão pública terminou em um discurso pessoal sobre saúde, família e experiência profissional.

 

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“inferno pantaneiro” entra na conversa sobre segurança

A segurança pública também teve espaço garantido no ringue eleitoral.

Natasha questionou Laudicério sobre o avanço das facções criminosas e sobre o efetivo das forças de segurança.

O sargento respondeu recorrendo à própria experiência como policial e afirmou que os profissionais da área estão sobrecarregados e enfrentam problemas estruturais.

Ele defendeu mais valorização das forças de segurança e criticou a falta de suporte aos policiais.

Rafaell Millas também falou sobre o combate ao crime e apresentou uma proposta que rapidamente chamou atenção pelo nome.

O candidato afirmou que pretende criar um presídio de segurança máxima e chamou a estrutura de “Inferno Pantaneiro”.

Laudicério respondeu defendendo endurecimento contra criminosos, mas ressaltando a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos policiais.

educação vira outro campo de batalha

A educação também provocou confronto direto entre os dois principais nomes da disputa.

Wellington Fagundes tentou associar parte de sua trajetória política aos resultados alcançados durante o período em que Mato Grosso foi governado por Mauro Mendes.

O senador citou articulações feitas em Brasília e afirmou ter contribuído para viabilizar recursos para o Estado.

Ao mesmo tempo, levantou questionamentos sobre possíveis irregularidades em compras públicas, incluindo menções a livros didáticos e merenda.

Pivetta rebateu as críticas defendendo os resultados da atual administração.

O governador citou investimentos na educação e a construção de novas escolas, sustentando que a área apresentou avanços durante os últimos anos.

O confronto mostrou uma disputa que deve ser recorrente durante a campanha: Wellington tentando apresentar experiência política e articulação federal, enquanto Pivetta utiliza os resultados da atual gestão como principal cartão de visita.

passado político ficou em cima da mesa

Antes mesmo de entrar no estúdio, Pivetta já havia avisado que pretendia lembrar o passado político dos adversários.

Durante o debate, cumpriu a promessa.

Investigações, antigas alianças, mandatos anteriores e episódios envolvendo os candidatos apareceram em diferentes momentos.

Wellington foi pressionado sobre operações e suspeitas citadas por Millas.

O senador respondeu dizendo que não possui condenação e acusou adversários de utilizarem denúncias como estratégia eleitoral.

Pivetta e Wellington também protagonizaram trocas de acusações relacionadas a administrações anteriores, aliados políticos e episódios envolvendo o ex-governador Silval Barbosa.

Em determinado momento, Pivetta chegou a falar sobre o histórico dos adversários e até sobre eventual “ficha criminal”, reforçando que pretendia apresentar ao eleitor o passado político de cada concorrente.

alianças também viram munição

Além de propostas, as alianças políticas foram exploradas praticamente como se fossem personagens próprios do debate.

Millas acusou Wellington de tentar ocupar o espaço da direita e questionou sua relação com diferentes grupos.

Wellington, por outro lado, sugeriu que Millas estaria no debate para beneficiar Pivetta.

Natasha também foi questionada sobre seu discurso de renovação política.

A candidata foi cobrada por relações políticas com nomes como Gilmar Fabris e Emanuel Pinheiro.

Ela respondeu que não pode ser responsabilizada automaticamente pelos atos de todas as pessoas que integram ou já integraram grupos políticos próximos e afirmou possuir critérios próprios para avaliar seus aliados.

Na réplica, Natasha devolveu a provocação e citou o partido de Millas e o ex-deputado Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, argumentando que um eventual episódio envolvendo um integrante de uma legenda não significa que todos os demais membros devam responder por ele.

Mais uma vez, a discussão saiu das propostas e voltou para quem anda com quem na política.

 

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Crédito: TV Vila Real

 

infraestrutura entra no confronto

As rodovias estaduais também apareceram entre os assuntos mais importantes.

Pivetta questionou Millas sobre obras de infraestrutura e lembrou ações realizadas durante a gestão em parceria com Mauro Mendes.

Millas prometeu ampliar a pavimentação das rodovias estaduais e defendeu a ligação das estradas com ferrovias.

O candidato ainda aproveitou a resposta para voltar a criticar Wellington e mencionar sua passagem pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit.

Pivetta, por sua vez, voltou a defender a estratégia adotada pelo Estado para ampliar a malha rodoviária e reduzir gargalos de transporte.

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Crédito: TV Vila Real

clima continua quente até fora do ar

E, como qualquer boa treta política, o debate aparentemente não ficou limitado às câmeras.

Durante um dos intervalos, houve um desentendimento envolvendo o marido de Natasha e Maurício Coelho.

Segundo relato feito por Maurício, o marido da candidata teria se aproximado e dito que a situação “ficaria feia”.

Imagens que circularam mostram Natasha intervindo durante a discussão e tentando separar os envolvidos.

O episódio aconteceu fora do ar e acrescentou mais um capítulo ao já movimentado confronto entre Natasha e Maurício.

Ou seja, o debate acabou, mas a temperatura nos bastidores continuou alta.

primeiro debate coloca seis candidatos no mesmo ringue

O encontro desta terça-feira teve um significado especial na corrida eleitoral porque foi a primeira vez que os seis candidatos ao Governo de Mato Grosso ficaram frente a frente em um debate transmitido pela televisão aberta.

A TV Vila Real dividiu o programa em cinco blocos: uma primeira etapa com perguntas de jornalistas, três blocos de confrontos diretos e, por fim, as considerações finais.

A ordem das perguntas e dos adversários foi definida previamente por sorteio, evitando que os candidatos escolhessem livremente todos os confrontos.

O formato acabou favorecendo justamente aquilo que o eleitor normalmente espera de um debate: respostas e réplicas, mas também embates diretos.

E os embates vieram.

Para o eleitor, o encontro serviu como uma primeira amostra de como cada candidato reage quando deixa o discurso preparado da propaganda e precisa responder imediatamente ao adversário.

Para os candidatos, virou uma oportunidade de atacar pontos frágeis dos concorrentes e tentar conquistar espaço em uma campanha que ainda tem muito chão pela frente.

proposta, ataque e muita política no mesmo pacote

Ao final, cada candidato teve um minuto para suas considerações finais.

Mas foi difícil alguém sair do estúdio sem deixar uma frase ou um confronto pelo caminho.

Pivetta defendeu os resultados da gestão e sua experiência administrativa.

Wellington apostou na trajetória política e nas articulações em Brasília.

Natasha reforçou o discurso de renovação e políticas sociais.

Laudicério apresentou a imagem de candidato ligado à segurança pública e à realidade das ruas, além de defender uma campanha de poucos recursos.

Millas concentrou boa parte das críticas em Wellington e nas estruturas políticas tradicionais.

Maurício transformou o financiamento das campanhas em uma das principais bandeiras de seu discurso e terminou o debate reforçando que sua candidatura, segundo ele, não pesa sobre o bolso do eleitor na mesma proporção dos concorrentes que recebem recursos públicos.

No fim das contas, Mato Grosso teve aquilo que costuma acompanhar qualquer eleição acirrada: propostas para todos os lados, acusações para todos os gostos e muito material para a próxima rodada de respostas.

E olha que foi só o primeiro debate.

 

Confira a íntegra do debate clicando aqui.