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Ala dissidente

Júlio Campos declara apoio a Wellington e diz que não votará em Pivetta

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) declarou nesta quarta-feira (12) que não pretende apoiar Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Mesmo com o União Brasil oficialmente integrado à aliança que sustenta a candidatura de Pivetta, o parlamentar afirmou que seu voto será destinado ao senador Wellington Fagundes (PL).

A declaração expõe uma divisão dentro do grupo político depois da convenção do União Brasil que definiu os rumos da legenda para a eleição. Júlio disse que permanecerá no partido e seguirá sua campanha para deputado estadual, mas não pretende atuar de forma intensa no palanque da candidatura majoritária apoiada oficialmente pela sigla.

“Eu estou no União Brasil. O União Brasil fez uma coligação oficial em convenção com o Republicanos. A minha campanha oficial será dentro do União Brasil, mas eu não vou votar no Otaviano Pivetta, vou seguir a ala dissidente”, afirmou.

A chamada ala dissidente é formada por integrantes que ficaram do lado derrotado na disputa interna do União Brasil sobre o caminho que o partido adotaria na eleição para governador.

Na convenção, a proposta de apoio a Pivetta venceu por 30 votos a 19 a corrente que defendia uma candidatura própria do União Brasil.

O grupo ligado ao senador Jayme Campos, irmão de Júlio, estava entre os que defendiam uma alternativa própria para o governo. Após o resultado, Jayme declarou apoio a Wellington Fagundes.

Júlio afirmou que também seguirá esse caminho.

“Eu e outros companheiros que na convenção perdemos a convenção, numa convenção vocês acompanharam com alta pressão política, eleitoral e financeira para derrotar a candidatura própria do senador Jayme Campos, teremos plena liberdade para votar em outro candidato”, declarou.

Júlio pretende manter distância do palanque de Pivetta

Apesar de continuar filiado ao União Brasil e participar da disputa proporcional pela legenda, Júlio disse que sua atuação nas atividades relacionadas à chapa majoritária será discreta.

Segundo o deputado, a prioridade será concentrar esforços na própria campanha.

“Eu vou até trabalhar discretamente, mas sem participar da grande maioria. Eu vou cuidar da minha campanha”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de ter de declarar apoio a Pivetta em materiais de campanha, Júlio fez uma distinção entre os recursos utilizados para financiar a campanha e sua manifestação pessoal de voto.

O parlamentar afirmou que, na avaliação dele, a utilização de recursos próprios ou de doações não o obrigaria a adotar a mesma posição da direção partidária.

A questão, porém, envolve regras eleitorais específicas sobre propaganda, coligações e utilização de recursos de campanha, que dependerão das condições em que cada material for produzido.

relação com Wellington pesa na escolha

Ao explicar por que decidiu apoiar Wellington Fagundes, Júlio Campos citou uma relação política construída ao longo de décadas.

O deputado lembrou que o senador e sua família mantêm vínculos políticos com o grupo dos Campos desde os anos 1970.

Júlio afirmou ainda que Wellington sempre esteve ao seu lado em diferentes eleições e que a relação de confiança entre as famílias foi determinante para sua decisão.

“Eu voto no Wellington Fagundes. Aliás, porque até tenho que ser grato, porque o Wellington votou em mim toda a vida”, declarou.

O deputado também relembrou a relação com João Baiano, pai de Wellington Fagundes, que, segundo ele, foi um importante aliado político em Rondonópolis desde sua campanha de deputado federal em 1978.

Para Júlio, essa trajetória política e familiar ajuda a explicar sua escolha para a eleição deste ano.

elogios a Gisela, mesmo com apoio a outro candidato

Júlio também foi questionado sobre a indicação de Gisela Simona para ocupar a vaga de vice na chapa de Otaviano Pivetta.

Embora tenha afirmado que não comemorou a escolha, o deputado disse que considera Gisela um nome qualificado e que não teria motivo para se opor à indicação.

Segundo Júlio, diferentes integrantes do grupo político foram consultados antes da definição da vice, incluindo Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende.

O parlamentar afirmou que, quando foi questionado sobre o nome de Gisela, deu seu consentimento.

“Eu não podia jamais vetar uma pessoa como Gisela Simona”, afirmou.

Mesmo estando em desacordo com a candidatura de Pivetta ao governo, Júlio elogiou a futura vice e disse que poderia contar com ela em uma eventual equipe de governo.

“Eu achei que o nome da Gisela, que realmente é um bom nome, cá entre nós, se eu fosse governador do Estado, eu queria ter a Gisela na minha equipe de trabalho”, declarou.

A declaração mostra que a divergência de Júlio está concentrada principalmente na composição da disputa pelo Governo de Mato Grosso, enquanto ele mantém avaliação positiva sobre nomes que integram a chapa adversária.

disputa interna ainda repercute

A posição de Júlio acontece poucos dias depois da decisão do União Brasil de apoiar oficialmente Pivetta.

A convenção encerrou uma disputa interna que envolveu a possibilidade de o partido lançar candidatura própria ao governo. A derrota desse grupo abriu espaço para que integrantes da legenda adotassem posições diferentes durante a campanha.

Júlio Campos deixou claro que continuará no União Brasil, mas pretende votar em Wellington Fagundes.

Com o posicionamento, o deputado se soma ao grupo que passou a atuar de maneira independente em relação à decisão majoritária do partido, enquanto mantém sua própria candidatura para a Assembleia Legislativa.

A eleição deste ano deve manter o ambiente político de Mato Grosso marcado por alianças cruzadas, especialmente entre candidatos proporcionais e as chapas que disputam o Governo e o Senado.