TENSÃO NA CÚPULA DA PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
A medida foi adotada após Mendonça apontar indícios de irregularidades na elaboração de relatórios de inteligência da PF. Segundo o ministro, documentos produzidos pela corporação teriam monitorado sua atuação no Supremo, analisado decisões judiciais e acompanhado aspectos relacionados ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Na decisão, Mendonça afirma ter identificado um monitoramento que considera ilegal e sem base técnica. Ao menos seis relatórios teriam sido produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto, com análises envolvendo integrantes do Judiciário, da Advocacia-Geral da União (AGU) e servidores da própria Polícia Federal.
Além dos afastamentos, o ministro determinou que sejam apuradas as circunstâncias da produção dos documentos e suspendeu relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou da polícia judiciária.
O caso chegou ao STF após pedidos apresentados pelo Partido Novo nos dias 2 e 3 de setembro. A legenda solicitou providências contra Andrei Rodrigues e chegou a pedir a prisão preventiva do diretor-geral da PF, medida que não foi acolhida por Mendonça.
Entre os elementos mencionados no caso estão mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, nas quais aparece uma referência a “Andrei”. O material integra o conjunto de fatos que ampliou a tensão envolvendo integrantes do Supremo e a cúpula da Polícia Federal.
A decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF para análise dos demais ministros.