
Uma madrugada que deveria ser de música e encontro entre amigos terminou com tiros, correria e a prisão de um policial civil em Água Boa, no leste de Mato Grosso. O investigador Evandro Rosa dos Santos foi preso em flagrante após, segundo relatos registrados pela Polícia Militar, efetuar disparos de uma pistola para o alto durante um evento com som automotivo.
A ocorrência aconteceu na madrugada de sábado (22), em uma região de loteamento próxima ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A PM foi acionada por volta das 2h, depois que pessoas que estavam no local relataram ter ouvido disparos.
Segundo o boletim de ocorrência, havia um encontro de pessoas com veículos e equipamentos de som quando Evandro teria chegado de carro e demonstrado irritação com o volume da música.
Testemunhas relataram que o investigador teria sacado uma pistola e feito disparos para o alto, provocando tumulto entre quem participava do evento. Depois dos tiros, ainda segundo o registro, ele teria se identificado como policial civil e deixado o local antes da chegada da PM.
Os policiais que foram até a área encontraram cinco cápsulas de munição calibre 9 mm espalhadas no ponto indicado pelas testemunhas. Segundo o boletim, as cápsulas eram do tipo training.
A situação, porém, não terminou com a saída do investigador.
Durante a ocorrência, Evandro teria retornado ao local e foi reconhecido pelas vítimas e testemunhas como o homem que teria realizado os disparos. Conforme o registro policial, ele confirmou que esteve no encontro e que efetuou os tiros.
Com o investigador, os policiais apreenderam uma pistola Glock G19, geração 5, calibre 9 mm, além de carregador e munições.
Uma das pessoas que estavam no local também relatou uma situação ainda mais grave. Segundo o depoimento registrado pela PM, o policial teria apontado a arma em sua direção e ameaçado atirar caso ela se aproximasse.
O boletim também descreve o comportamento de Evandro como alterado durante a ocorrência, em meio à discussão relacionada ao volume do som.
Não houve registro de feridos na ação. Segundo a ocorrência, as vítimas, as testemunhas e o próprio policial não apresentavam lesões aparentes.
Depois da abordagem, o investigador foi levado para a Delegacia de Polícia de Água Boa, onde a prisão em flagrante foi formalizada pelos crimes de disparo de arma de fogo em via pública e ameaça.
A Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral da instituição foi comunicada e deverá adotar as providências cabíveis na esfera administrativa. Em posicionamento divulgado após o caso, a instituição afirmou que não compactua com condutas que contrariem a legislação e os princípios que orientam a atividade policial.
A investigação deverá esclarecer a dinâmica completa da confusão, inclusive por que o policial teria se irritado com o evento, quantos disparos foram feitos e em quais circunstâncias ocorreu a suposta ameaça.
Também deverá ser analisado o contexto da utilização da arma, já que se trata de um policial civil e de uma pistola apreendida durante uma ocorrência em via pública.
Documentos públicos do Governo de Mato Grosso mostram Evandro Rosa dos Santos como investigador de polícia lotado em Água Boa. Registros oficiais também indicam sua aprovação no concurso para o cargo e sua atuação na unidade policial do município.
Isso, no entanto, não altera o fato de que a ocorrência atual será analisada separadamente pela esfera criminal e também pela Corregedoria da Polícia Civil.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre eventual decisão judicial após a prisão em flagrante.
O episódio repercutiu justamente pelo contraste da situação: em meio a uma festa com som automotivo, o que era uma discussão sobre barulho terminou com uma pistola 9 mm, cinco cápsulas encontradas na área e um investigador preso.
A investigação agora deve esclarecer se os disparos foram realmente uma tentativa de intimidar os participantes, se houve outras ameaças e quais consequências administrativas poderão ser adotadas pela Polícia Civil.
Confira o vídeo da ocorrência: