O ex-governador Mauro Mendes (União) afirmou que a decisão sobre a eventual presença da deputada estadual Janaina Riva (MDB) na chapa majoritária encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) cabe exclusivamente ao aliado. Embora tenha confirmado que deu sua opinião sobre a composição, Mauro evitou revelar qual foi o posicionamento apresentado durante as conversas de bastidores.
Em entrevista à Rádio Jovem Pan FM Cuiabá, Mauro foi questionado sobre as articulações que envolvem a possibilidade de Janaina abrir mão da pré-candidatura ao Senado para disputar a vice-governadoria ao lado de Pivetta. O movimento é defendido por parte da base governista, enquanto outro grupo resiste à composição.
“O que eu tinha que falar para o governador Pivetta eu já falei. Já disse publicamente e repito: a decisão é dele. Todas as pessoas sábias, para decidir, ouvem opiniões. Não só a minha, mas de muita gente próxima dele. Política é uma atividade coletiva. No final, a decisão é dele”, afirmou.
Nos últimos dias, a possível reaproximação entre Janaina e o grupo governista intensificou as discussões nos bastidores. A deputada rompeu politicamente com o Palácio Paiaguás após uma série de embates públicos envolvendo o então chefe da Casa Civil, Fabio Garcia (União), e o próprio Mauro Mendes. As divergências tiveram início durante a disputa pela Primeira Secretaria da Assembleia Legislativa e se agravaram após Janaina acusar o governo de barrar o pagamento de emendas parlamentares de sua autoria. As declarações evoluíram para uma troca pública de acusações entre os dois lados.
Apesar do histórico recente, interlocutores do governo articulam a formação de uma chapa entre Pivetta e Janaina, enquanto outra ala da base defende que a vaga de vice seja ocupada por Fabio Garcia.
Ao comentar a possibilidade de dividir o mesmo palanque com políticos que fizeram críticas à sua gestão, entre eles Janaina e o deputado federal José Medeiros (PL), pré-candidato ao Senado, Mauro afirmou que não costuma mudar de posição por conveniência política.
“Primeiro, eu não sou sem vergonha igual tem alguns políticos por aí. Tem gente que fala um monte de bobagem e, depois de um ou dois meses, está tomando cerveja junto, rindo. Eu respeito as pessoas. Não fico por aí ofendendo ninguém. Agora, se vêm para cima de mim, eu reajo e reajo duro”, declarou.
O ex-governador também afirmou que críticas baseadas em fatos fazem parte da atividade política, mas disse que não aceita acusações pessoais ou contra familiares. Segundo ele, já ingressou com mais de dez ações judiciais contra adversários.
“Se as pessoas ofendem a mim, a minha família, minha esposa, meus filhos, isso tem consequência. Já estou processando alguns e vou continuar fazendo isso”, afirmou.
Durante a entrevista, Mauro também negou a existência de qualquer entendimento político para uma dobradinha informal com José Medeiros na disputa pelas duas vagas ao Senado.
“Não existe nada disso. Não existe nenhuma conversa nesse sentido com ninguém. Sou pré-candidato ao Senado e, depois da convenção, se confirmado, vou pedir o voto dos mato-grossenses para representar o Estado”, disse.
Enquanto Mauro reafirma que a escolha da chapa cabe a Pivetta, o governador segue pressionado por correntes distintas dentro da base aliada. De um lado, lideranças defendem que Janaina agregaria força política e eleitoral ao projeto de reeleição. De outro, aliados avaliam que a composição exigiria superar desgastes acumulados nos últimos anos e preferem a indicação de Fabio Garcia para a vice-governadoria.
A definição deverá ocorrer até o encerramento das convenções partidárias, em 5 de agosto, prazo para a oficialização das chapas que disputarão as eleições de outubro.