Escapou do “tribunal”

Uma ação da Polícia Militar evitou que um homem fosse submetido ao chamado “tribunal do crime” na tarde de quarta-feira (2), em Barra do Garças, a cerca de 510 quilômetros de Cuiabá. A vítima teria sido retirada à força do local onde trabalhava e levada para uma casa abandonada no bairro Serrinha.
Quando os policiais chegaram ao imóvel, encontraram o homem com as mãos posicionadas para trás e cercado por três suspeitos. A aproximação das viaturas provocou a fuga do grupo.
A vítima foi retirada imediatamente da casa e colocada em segurança. Durante as buscas realizadas na região, dois dos suspeitos foram localizados e presos. Outros envolvidos conseguiram escapar e continuam sendo procurados.
Com os detidos, os militares encontraram aparelhos celulares e uma porção de substância semelhante à maconha.
Segundo o relato prestado aos policiais, o homem estava trabalhando quando teria sido retirado contra a própria vontade e levado até o imóvel abandonado.
No local, conforme a versão apresentada pela vítima, ela teria sido ameaçada de morte e colocada sob o controle dos criminosos. A suspeita é de que seria submetida a uma espécie de julgamento imposto por integrantes de uma organização criminosa.
Esse tipo de prática é conhecido popularmente como “tribunal do crime” ou “salve”, expressão usada para situações em que integrantes de grupos criminosos submetem pessoas a punições ou julgamentos feitos à margem da Justiça.
A Polícia Militar, no entanto, não detalhou publicamente qual teria sido o motivo pelo qual a vítima seria alvo do suposto julgamento.
A ocorrência começou após a PM receber informações de que integrantes de uma organização criminosa estariam reunidos dentro de uma casa abandonada no bairro Serrinha.
As equipes foram até o endereço para verificar a denúncia.
Ao se aproximarem do imóvel, os militares visualizaram a vítima e três homens. O homem estava com as mãos para trás, enquanto os suspeitos permaneciam próximos a ele.
Assim que perceberam a chegada das viaturas, os envolvidos tentaram fugir.
A prioridade dos policiais foi retirar a vítima do imóvel e garantir sua segurança. Na sequência, foi iniciado um cerco nas proximidades para tentar localizar os fugitivos.
Durante as diligências, dois suspeitos foram encontrados e presos.
Outros participantes da ação conseguiram fugir antes de serem alcançados pelas equipes e permanecem sendo procurados pelas forças de segurança.
Os dois detidos foram encaminhados para a Delegacia da Polícia Civil de Barra do Garças, junto com o material apreendido, onde foram adotadas as providências cabíveis.
A identidade dos presos não foi divulgada nas informações iniciais sobre a ocorrência.
Além de resgatar a vítima, os policiais apreenderam aparelhos celulares que estavam com os suspeitos e uma porção de substância identificada inicialmente como semelhante à maconha.
O material foi levado para a delegacia e deverá integrar os procedimentos da investigação.
A apreensão, por si só, não estabelece a finalidade ou eventual vínculo dos materiais com o sequestro. Essas circunstâncias deverão ser esclarecidas durante a apuração.
Conforme as informações divulgadas pela Polícia Militar, a ocorrência foi registrada com suspeitas relacionadas a organização criminosa, tortura mediante sequestro, sequestro e cárcere privado e desobediência.
O enquadramento inicial ainda será analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação e pelo processo criminal.
Os dois homens presos são tratados como suspeitos, e a eventual participação deles nos crimes deverá ser apurada pela Polícia Civil.
Apesar da prisão de dois suspeitos, a ação não terminou com a captura de todos os envolvidos.
Parte do grupo conseguiu fugir durante a chegada da PM ao imóvel e deixou a região antes de ser localizada.
As forças de segurança continuam tentando identificar e encontrar os demais participantes.
A investigação também deverá esclarecer como o grupo teria localizado a vítima, qual seria a motivação para o sequestro e o que pretendia fazer com o homem dentro da casa abandonada.
Por pouco, o suposto julgamento criminoso não passou da ameaça para uma consequência ainda mais grave. A chegada da PM interrompeu a ação e garantiu que a vítima fosse retirada do imóvel com vida.