Pode abrir a caixa

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) defendeu nesta sexta-feira (11), durante agenda em Manaus, o fim do sigilo sobre a investigação da Polícia Federal que apura o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao comentar o caso, Flávio afirmou que quer “transparência total” e disse que o ideal seria que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirasse o sigilo de todo o material. “Povo merece saber”, declarou o senador, segundo a Folha.
A investigação contra Flávio foi autorizada por Mendonça em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal. A apuração busca verificar possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes relacionados ao financiamento do filme.
A existência do inquérito se tornou pública nesta quinta-feira (10), depois que o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a retirada do sigilo de parte dos documentos do caso Banco Master. O material relacionado a diligências que ainda precisam permanecer em segredo foi preservado.
Flávio disse que não considera a investigação motivo de preocupação e afirmou que a divulgação do caso ocorre por razões eleitorais. Para o candidato, adversários estariam tentando criar um problema para desestabilizá-lo durante a disputa presidencial.

Segundo documentos divulgados, a PF investiga negociações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, para financiar Dark Horse. A investigação aponta que o senador negociou a busca por recursos para a produção do filme. Ele nega irregularidades e sustenta que se tratava de um patrocínio privado, sem contrapartidas.
De acordo com documentos citados pela imprensa, Flávio teria negociado com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para o projeto, dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos, segundo a investigação. Os valores e a origem dos recursos estão entre os pontos analisados pelas autoridades.
O presidenciável também saiu em defesa de Mendonça, responsável por autorizar a investigação. “Ele está sendo juiz”, afirmou Flávio, dizendo que o ministro deveria investigar todos os envolvidos com transparência e divulgar os resultados.
A investigação ocorre paralelamente a outras apurações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e integrantes da política e do Judiciário. O caso ganhou ainda mais repercussão em meio à crise interna do STF e à disputa entre ministros sobre a condução das investigações.