Uma reação fatal

O empresário Jerônimo Gregório Mariano Neto, de 28 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira (9) após permanecer 14 dias internado em estado grave por causa da inalação de gases tóxicos durante um procedimento de purificação de ouro em uma joalheria de Cáceres, a cerca de 218 quilômetros de Cuiabá.

O acidente aconteceu em 26 de agosto, quando houve um vazamento de ácido nítrico durante o procedimento com peças de ouro. Jerônimo foi levado inicialmente para uma UPA, recebeu atendimento e, devido ao agravamento do quadro respiratório, foi transferido para a UTI do Hospital Regional, onde precisou ser intubado.
Durante a internação, ele também apresentou complicações renais e precisou passar por sessões de hemodiálise. Na terça-feira (8), sofreu a primeira parada cardiorrespiratória. Por volta das 4h55 de quarta-feira, teve uma segunda parada e não resistiu.
Segundo informações médicas repassadas à família, a morte ocorreu por síndrome respiratória aguda decorrente de pneumonia química. As circunstâncias do vazamento ainda deverão ser esclarecidas.
Jerônimo era natural de Mirassol d’Oeste, trabalhava no comércio de eletroeletrônicos e também era proprietário de um estabelecimento em Cáceres. A Prefeitura do município publicou uma nota de pesar e se solidarizou com familiares e amigos.
A morte provocou homenagens de amigos e familiares nas redes sociais. Entre as mensagens, a amiga Jéssica Poliane relembrou a convivência com Jerônimo e escreveu: “Eu vou sentir tanto sua falta. Agradeço a Deus todos os momentos que passei com você e a Barbara, quanto fomos felizes, já sorrimos, choramos e principalmente nos ajudamos. Descanse em paz, gordão.”
Outros amigos também lamentaram a morte precoce do empresário. Jerônimo foi sepultado nesta quinta-feira (10), em Cáceres.
O ácido nítrico (HNO₃) é uma substância altamente corrosiva e também pode causar danos graves por inalação. Em determinados processos, especialmente quando entra em contato com metais ou outros materiais reativos, podem ser formados óxidos de nitrogênio, entre eles o dióxido de nitrogênio (NO₂), um gás tóxico para o sistema respiratório.
Esses gases podem irritar as vias respiratórias e atingir profundamente os pulmões. Em exposições importantes, podem provocar pneumonite química e edema pulmonar, com possibilidade de agravamento mesmo horas depois da exposição. O NIOSH classifica 25 ppm de ácido nítrico como concentração imediatamente perigosa à vida e à saúde.
Por isso, procedimentos que utilizam ácido nítrico precisam ser realizados com ventilação e exaustão adequadas, controle rigoroso das reações, equipamentos de proteção compatíveis e protocolos específicos para produtos químicos. Em caso de vazamento ou liberação de fumaça, a prioridade é afastar pessoas da área contaminada e acionar equipes treinadas para resposta a emergências químicas, em vez de tentar controlar o acidente sem proteção adequada.