Carregando horário local…
Carregando clima local…
EUA 10 anos 4,73 ◆ 0,00%Petróleo bruto 84,75 ▲ 1,39%Ouro 4.099,60 ▼ 1,47%Euro 1,15 ▼ 0,09%

Notícias

Cidades

Depois da escuridão, um recomeço

Após 15 facadas, mulher recebe alta e deixa hospital caminhando em Nova Mutum

Dezesseis dias depois de ser atacada com mais de 15 golpes de faca dentro do local onde trabalhava, Adriele Maria dos Santos de Jesus, de 32 anos, recebeu alta hospitalar nesta quarta-feira (2) e deixou o Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro, em Nova Mutum, caminhando.

A saída da unidade representa uma virada no caso que assustou moradores da cidade em agosto. Na ocasião, Adriele foi atingida repetidamente durante uma tentativa de feminicídio atribuída pela polícia ao ex-companheiro, Daniel Borges de Jesus, de 46 anos.

Após os golpes, a mulher precisou passar por cirurgia de emergência e permaneceu internada em estado grave, inclusive intubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Agora, começa uma nova fase da recuperação ao lado da família.

Um vídeo divulgado após a alta mostra Adriele deixando o hospital de pé, caminhando por uma rampa e acenando para a pessoa que registra o momento. A cena contrasta com o estado crítico em que ela chegou à unidade de saúde após o ataque.

Adriele é mãe de quatro filhos, de 4, 6, 12 e 16 anos.

ataque aconteceu dentro do local de trabalho

O crime ocorreu na tarde de 17 de agosto, em uma mercearia localizada no bairro Jardim das Orquídeas, em Nova Mutum, a cerca de 260 quilômetros de Cuiabá.

Segundo as informações levantadas pelas forças de segurança, Adriele estava encerrando o expediente quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. As câmeras de segurança registraram parte da ação.

As imagens mostram Daniel entrando no estabelecimento e avançando contra a vítima. A agressão começa do lado de fora e continua já dentro do comércio. Em determinado momento, o homem derruba a mulher e retira uma faca que carregava consigo.

Adriele foi atingida por mais de 15 golpes, segundo os relatos divulgados na época. Pessoas que estavam no estabelecimento tentaram intervir para impedir que a agressão continuasse.

Um dos homens que entrou na confusão foi o próprio filho de Daniel, de 20 anos, que tentou proteger a mãe e também acabou ferido na perna. Outros frequentadores do comércio ajudaram na tentativa de conter o agressor.

A vítima foi encontrada com diversas perfurações pelo corpo e recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros antes de ser encaminhada ao Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro.

suspeito fugiu e foi encontrado em área de mata

Depois do ataque, Daniel deixou o local e fugiu para uma área rural. A Polícia Militar iniciou buscas ainda após a ocorrência.

A caminhonete utilizada por ele, uma Montana, foi localizada abandonada em uma praça na Rua das Helicônias. As equipes continuaram o rastreamento até chegar a uma região de mata próxima à Fazenda Jacamin, na área de acesso a São José do Rio Claro.

Daniel foi localizado e preso na tarde de 18 de agosto, menos de 24 horas depois da tentativa de feminicídio.

A operação contou com policiais da Cavalaria, do Grupamento RAIO, da Força Tática e do 26º Batalhão da Polícia Militar. Na prisão, o suspeito apresentava uma lesão na cabeça. Segundo a versão divulgada pela polícia, o ferimento teria ocorrido quando testemunhas arremessaram uma cadeira contra ele durante a agressão no comércio.

Após a captura, Daniel foi encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil e permaneceu à disposição da Justiça.

MT24Hprimeira-pagina-2026-08-18T163600.051-768x512

Crédito: PMMT

histórico inclui medida protetiva e prisão anterior

Um dos pontos que mais repercutiram após o crime foi o histórico de ocorrências envolvendo o casal.

Segundo informações divulgadas na época, Daniel já havia sido preso em julho, após descumprir uma medida protetiva e tentar manter contato com Adriele. Durante aquela ocorrência, os policiais também encontraram na residência dele uma espingarda de pressão modificada para disparar munição calibre .22.

Após a audiência de custódia, ele foi colocado em liberdade sob medidas cautelares.

Entre as determinações informadas estavam uso de tornozeleira eletrônica vinculada ao botão do pânico, afastamento do lar, proibição de frequentar a residência e o local de trabalho da vítima, proibição de contato com Adriele e familiares e suspensão da posse de armas.

O novo ataque aconteceu semanas depois, segundo as informações reunidas durante a investigação.

vídeo do ataque também foi registrado

Além das imagens da saída de Adriele do hospital, o caso ganhou repercussão por causa das câmeras de segurança que registraram parte da tentativa de feminicídio.

O vídeo mostra o momento em que o suspeito chega ao estabelecimento, entra em confronto físico com a vítima e, na sequência, saca a faca. As imagens também registram a intervenção de pessoas que estavam no local e a tentativa de interromper a agressão.

Por se tratar de uma gravação de violência extrema, a divulgação do conteúdo deve ser feita com cuidado e sem cortes que explorem graficamente os ferimentos da vítima.


 

Veja o momento do ataque registrado pelas câmeras de segurança:

MT24H

 

agora, a recuperação continua

A alta hospitalar não encerra as consequências do crime. Adriele ainda terá pela frente um período de recuperação física e emocional depois das lesões provocadas pelo ataque.

Mas a imagem dela deixando o hospital caminhando representa um contraste marcante com os primeiros dias da internação, quando o quadro era considerado grave e houve necessidade de cirurgia de emergência e cuidados intensivos.

A investigação segue tratando o caso como tentativa de feminicídio, enquanto Daniel permanece preso.

O episódio também chama atenção para a sequência de violência que antecedeu o ataque, principalmente porque já havia uma medida protetiva e outras determinações judiciais contra o suspeito.

Em Mato Grosso, dados divulgados pelo Ministério da Justiça apontaram 241 tentativas de feminicídio em 2025 e 53 feminicídios consumados. Os números ajudam a dimensionar a gravidade do problema no Estado, mas o caso de Nova Mutum tem ainda o agravante de ter ocorrido após medidas de proteção já impostas à vítima.

Para Adriele, porém, o capítulo mais recente é outro: depois de 16 dias internada, ela finalmente voltou para casa e poderá continuar a recuperação perto dos quatro filhos.