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A bomba virou outdoor da BYD

Gasolina chega a R$ 6,99 em Cuiabá e etanol vai a R$ 3,99; veja quanto pesa no bolso

Quem passou pelo posto de combustível em Cuiabá nos últimos dias provavelmente já percebeu que abastecer ficou mais caro. Registros feitos nesta quarta-feira (26) mostram a gasolina comum chegando a R$ 6,99 por litro em posto da Capital, enquanto o etanol comum aparece a R$ 3,99.

O mesmo estabelecimento registrou ainda gasolina aditivada a R$ 6,99, diesel comum a R$ 6,89 e diesel S-10 aditivado a R$ 6,99. O etanol aditivado chegou a R$ 4,29.

Os valores chamam atenção porque estão acima das médias da última pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para Cuiabá, realizada entre 16 e 22 de agosto.

Naquele levantamento, a gasolina comum tinha preço médio de R$ 6,72, o etanol hidratado de R$ 3,74, o diesel comum de R$ 6,61 e o diesel S-10 de R$ 6,91. A pesquisa considerou 19 postos da Capital para gasolina e etanol.

Isso significa que um litro de gasolina encontrado a R$ 6,99 está R$ 0,27 acima da média anterior da ANP, enquanto o etanol a R$ 3,99 está R$ 0,25 mais caro que a média registrada na semana passada.

No caso do diesel comum, a diferença chega a R$ 0,28 por litro. Já o diesel S-10 a R$ 6,99 fica R$ 0,08 acima da média anterior.

A ressalva é importante: R$ 6,99 não representa necessariamente o preço médio de toda Cuiabá. Trata-se do valor registrado em determinados postos, enquanto o levantamento da ANP é uma média calculada a partir dos estabelecimentos pesquisados. A agência mantém levantamento semanal com preços por município e por posto.

Gasolina encosta nos R$ 7

A principal dor de cabeça está na gasolina.

Com o litro a R$ 6,99, falta apenas R$ 0,01 para a barreira simbólica dos R$ 7.

O preço representa uma mudança perceptível para quem abastece grandes volumes. Em um tanque de 50 litros, por exemplo, o motorista gastaria:

Combustível Preço por litro 50 litros
Gasolina R$ 6,99 R$ 349,50
Etanol R$ 3,99 R$ 199,50
Diesel comum R$ 6,89 R$ 344,50
Diesel S-10 R$ 6,99 R$ 349,50

No caso de um motorista que abastece 50 litros de gasolina, R$ 349,50 saem do bolso em um único abastecimento.

Se comparado ao preço médio de R$ 6,72 registrado pela ANP na semana de 16 a 22 de agosto, são R$ 13,50 a mais para os mesmos 50 litros.

No etanol, 50 litros a R$ 3,99 custam R$ 199,50, contra R$ 187,00 pela média anterior de R$ 3,74. A diferença é de R$ 12,50 por tanque de 50 litros.

Ou seja, mesmo variações aparentemente pequenas no preço por litro conseguem virar uma diferença considerável quando multiplicadas pelo tamanho do tanque.

Alta de R$ 0,20 também aparece em postos

Além do registro de R$ 6,99, levantamentos divulgados nesta semana apontam que vários postos de Cuiabá passaram a praticar aumentos de aproximadamente R$ 0,20 por litro.

Em alguns estabelecimentos, a gasolina que estava na faixa de R$ 6,79 passou para R$ 6,99. O etanol também teria avançado de cerca de R$ 3,79 para R$ 3,99.

Para o consumidor, a conta é simples: um reajuste de R$ 0,20 representa R$ 10 a mais em um abastecimento de 50 litros.

Em um mês com quatro abastecimentos desse tamanho, a diferença chegaria a R$ 40, caso o aumento fosse mantido durante todo o período.

E, para quem utiliza o veículo diariamente para trabalhar, viajar ou fazer entregas, a despesa pode crescer ainda mais.

O que está por trás do aumento?

O preço que aparece na bomba não depende de um único fator.

A própria Petrobras explica que o valor final da gasolina inclui diferentes componentes ao longo da cadeia, entre eles o preço do combustível produzido, tributos, o custo do etanol anidro misturado à gasolina e as parcelas relacionadas à distribuição e à revenda. A precificação nas diferentes etapas da cadeia é livre.

Por isso, uma mudança no preço final de um posto não significa necessariamente que a Petrobras tenha reajustado seus preços na mesma proporção.

Entre a refinaria e o consumidor existe toda uma cadeia de custos e margens.

A Petrobras mostra, por exemplo, que na composição nacional da gasolina entram a parcela da própria companhia, impostos federais e estaduais, etanol anidro e distribuição e revenda. Para a semana de 16 a 22 de agosto, a companhia calculava um preço médio nacional de referência de cerca de R$ 6,52, mostrando justamente que o valor final varia conforme a região e as condições do mercado.

Etanol também ficou mais caro

Quem costuma fugir da gasolina e optar pelo etanol também encontrou reajuste.

O preço de R$ 3,99 registrado em Cuiabá fica acima da média de R$ 3,74 da pesquisa anterior da ANP.

Mesmo assim, o etanol segue com uma diferença bastante grande em relação à gasolina na bomba.

Considerando os preços de R$ 3,99 e R$ 6,99, respectivamente, o etanol custa aproximadamente 57,1% do preço da gasolina.

Esse cálculo é importante para veículos flex porque, como regra prática, muitos motoristas usam uma referência próxima de 70% para avaliar quando o etanol pode ser economicamente vantajoso. Mas a relação real depende do consumo de cada veículo, já que um carro pode fazer quilometragens diferentes com os dois combustíveis.

Portanto, não é simplesmente olhar o preço por litro. O ideal é comparar quanto o veículo percorre com cada combustível.

Ainda assim, pelos preços registrados nesta semana, o etanol aparece com uma diferença bastante expressiva diante da gasolina.

Diesel também está quase nos R$ 7

A alta não ficou restrita aos carros de passeio.

O diesel também aparece perto da marca dos R$ 7 em Cuiabá.

No registro desta semana, o diesel comum estava em R$ 6,89, enquanto o diesel S-10 chegou a R$ 6,99.

Para um tanque de 80 litros, por exemplo, o motorista gastaria:

Diesel comum a R$ 6,89: R$ 551,20.

Diesel S-10 a R$ 6,99: R$ 559,20.

A diferença de apenas dez centavos por litro já representa R$ 8 em um tanque de 80 litros.

Para caminhoneiros, transportadoras, produtores rurais e empresas que utilizam grandes volumes de combustível, pequenas oscilações por litro podem representar valores muito maiores ao longo do mês.

Gasolina agora tem 32% de etanol anidro

Outro detalhe importante do mercado brasileiro entrou em vigor neste mês.

Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum comercializada no país passou a ter, temporariamente, 32% de etanol anidro em sua composição, contra os 30% anteriores. A mudança foi estabelecida pela Resolução CNPE nº 9/2026 e terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período.

A medida faz parte da política energética do governo e foi adotada após estudos técnicos que apontaram segurança e viabilidade para a frota brasileira.

A alteração da mistura é, porém, apenas um dos elementos do mercado.

Não é correto atribuir automaticamente o preço de R$ 6,99 em Cuiabá à mudança para E32.

O valor pago pelo consumidor também depende dos custos da gasolina, etanol anidro, impostos, logística, distribuição e margem dos revendedores.

Governo mantém subvenção para gasolina

Outro fator que está acontecendo simultaneamente é a subvenção federal de R$ 0,44 por litro de gasolina.

O benefício foi prorrogado até 9 de setembro de 2026, conforme portaria publicada pelo Ministério da Fazenda. A medida foi criada para amenizar o impacto da alta dos combustíveis relacionada à valorização do petróleo no cenário internacional.

A subvenção, no entanto, não funciona como tabelamento do preço na bomba.

Ela é destinada a produtores e importadores e atua em uma etapa anterior da cadeia. O valor final pago pelo consumidor continua sendo influenciado pelos demais componentes da formação de preços.

Por isso, mesmo com a existência da subvenção, um posto pode apresentar valor diferente de outro.

Cuiabá já estava acima da média nacional

Outro dado interessante aparece quando se compara Cuiabá com o cenário brasileiro.

Na pesquisa da ANP de 16 a 22 de agosto, a gasolina comum estava em R$ 6,72 por litro na Capital, enquanto a média nacional ficou em aproximadamente R$ 6,52 na mesma semana, segundo os dados de preços acompanhados pela ANP e utilizados pela Petrobras em sua análise de composição.

Ou seja, mesmo antes do preço observado nesta semana chegar a R$ 6,99 em determinados postos, Cuiabá já aparecia acima da média brasileira.

Isso ajuda a explicar por que qualquer novo aumento chama ainda mais atenção entre os motoristas.

O motorista deve pesquisar antes de abastecer

Como os valores variam entre os postos, a diferença de alguns centavos pode representar economia para quem abastece com frequência.

A própria ANP disponibiliza semanalmente dados de preços por municípios e também informações individualizadas dos postos pesquisados.

Por isso, comparar preços antes de abastecer pode fazer diferença.

Para quem coloca 50 litros no tanque, uma diferença de:

R$ 0,10 por litro = R$ 5 de economia

R$ 0,20 por litro = R$ 10

R$ 0,30 por litro = R$ 15

Pode parecer pouco em um único abastecimento, mas a diferença se acumula para quem precisa abastecer várias vezes ao mês.

Para motoristas profissionais e empresas, o impacto é ainda maior.

Preço na bomba não conta a história inteira

É importante também evitar uma conclusão simplista de que a alta observada significa necessariamente que o combustível ficou mais caro apenas por decisão de uma empresa.

O preço final é resultado de uma cadeia.

Na gasolina, entram o combustível produzido, os tributos, o etanol anidro, transporte, distribuição e revenda. A Petrobras ressalta que a formação do preço na cadeia envolve diferentes agentes e que as margens de distribuição e revenda são estimadas em seus cálculos.

Além disso, o mercado pode sofrer influência das condições internacionais do petróleo e dos custos de aquisição dos produtos.

É por isso que o preço de um posto pode mudar antes de aparecer uma nova pesquisa semanal da ANP.

A pesquisa da agência funciona como uma fotografia do período pesquisado, e não como uma tabela que determine quanto todos os postos devem cobrar.

Quanto custa rodar com gasolina a R$ 6,99?

Outra maneira de entender o impacto é calcular pelo consumo.

Imagine um carro que percorra 10 quilômetros por litro de gasolina.

Com um litro a R$ 6,99, cada 100 quilômetros rodados custariam aproximadamente:

10 litros × R$ 6,99 = R$ 69,90.

Em 1.000 quilômetros:

100 litros × R$ 6,99 = R$ 699.

Agora imagine um carro que rode 2.000 quilômetros por mês.

Nesse exemplo, seriam cerca de R$ 1.398 somente em gasolina.

Naturalmente, o valor real depende do consumo do veículo, trânsito, velocidade, ar-condicionado, peso carregado e perfil de uso.

Mas a conta mostra por que alguns centavos a mais na bomba pesam tanto no orçamento de quem roda muito.

E se o preço chegar a R$ 7?

A diferença psicológica entre R$ 6,99 e R$ 7 pode ser pequena, mas, para o bolso, cada centavo representa dinheiro quando multiplicado por dezenas ou centenas de litros.

Se a gasolina chegar efetivamente a R$ 7 por litro, 50 litros custariam exatamente R$ 350.

Hoje, a R$ 6,99, o mesmo tanque fica em R$ 349,50.

Ou seja, a barreira dos R$ 7 pode ter muito mais peso simbólico do que financeiro.

A diferença entre os dois valores para um tanque de 50 litros é de apenas R$ 0,50.

O que realmente pesa é a manutenção do preço elevado por vários abastecimentos.

O que pode acontecer nos próximos dias?

Ainda não é possível afirmar que todos os postos de Cuiabá vão permanecer em R$ 6,99.

Os levantamentos da ANP mostram médias e faixas de preços, e os valores podem mudar de acordo com o estabelecimento e o momento da compra. A própria agência mantém atualizações semanais e disponibiliza séries históricas para acompanhamento.

Também não há, com as informações disponíveis, uma confirmação de que o preço observado representa um novo preço médio consolidado da Capital.

Por enquanto, o cenário mais seguro é dizer que há postos vendendo gasolina a R$ 6,99 e que esse preço está acima da média da semana anterior.

A confirmação de uma nova média para Cuiabá dependerá da próxima rodada oficial da ANP.

Até lá, o consumidor precisa lidar com a realidade que está na placa do posto.

E ela já está bem perto dos sete reais.

Confira os preços registrados

Combustível Média ANP em Cuiabá (16 a 22/08) Preço observado nesta semana Diferença
Gasolina comum R$ 6,72 R$ 6,99 +R$ 0,27
Etanol hidratado R$ 3,74 R$ 3,99 +R$ 0,25
Diesel comum R$ 6,61 R$ 6,89 +R$ 0,28
Diesel S-10 R$ 6,91 R$ 6,99 +R$ 0,08

Os preços de R$ 6,99, R$ 3,99, R$ 6,89 e R$ 6,99 foram observados em registro de posto de Cuiabá; eles não representam uma média oficial para toda a cidade. A referência de comparação é o levantamento semanal da ANP.

No fim das contas, o cenário para o motorista cuiabano é simples de resumir:

a gasolina já está batendo na porta dos R$ 7, o etanol passou dos R$ 4 em alguns estabelecimentos e o diesel também ronda os R$ 7.

E, como sempre, tem uma notícia boa e uma ruim.

A boa é que ainda existe diferença entre os postos.

A ruim é que até o ponteiro da bomba já está fazendo conta para chegar nos R$ 7.