Com arma é leão, sem ela é gato

A Operação Energia Limpa voltou a percorrer as ruas de Várzea Grande nesta quinta-feira (27) para combater um problema que vai muito além da conta de luz: as ligações clandestinas de energia elétrica.
Coordenada pela Polícia Civil, com apoio técnico da Polícia Técnica e Identificação Oficial (Politec) e da concessionária Energisa, a ação identificou instalações irregulares em diferentes pontos do município e resultou na prisão de suspeitos.
Em uma das ocorrências, no bairro Engordador, a fiscalização ganhou contornos ainda mais tensos quando um homem teria ameaçado e agredido integrantes da equipe da Energisa e, segundo o registro policial, utilizado uma faca, uma espingarda de pressão e um galão de gasolina durante as ameaças.
O suspeito acabou preso e foi autuado por uma série de crimes.
Em outras fiscalizações realizadas no município, as equipes também encontraram ligações clandestinas em estabelecimentos comerciais.
A operação tem como objetivo identificar fraudes no fornecimento de energia, interromper instalações perigosas e responsabilizar quem utiliza mecanismos para evitar o registro real do consumo.
Segundo a Polícia Civil, uma das irregularidades verificadas durante as ações foi a existência de ligações diretas na rede de distribuição, sem passagem pelo medidor oficial.
Esse tipo de instalação impede que o consumo seja registrado corretamente pela concessionária e pode caracterizar furto de energia elétrica qualificado pela fraude, conforme previsto no artigo 155 do Código Penal.
Além do prejuízo financeiro provocado pela energia que deixa de ser contabilizada, as instalações clandestinas podem representar riscos para quem mora ou trabalha no imóvel e também para profissionais que precisam atuar na rede.
Cabos improvisados, alterações no padrão de entrada e conexões fora das especificações podem provocar curtos-circuitos, choques elétricos, sobrecarga e incêndios.
Por isso, as equipes não estão apenas procurando quem estaria deixando de pagar pelo consumo.
Também existe uma preocupação com a segurança da própria instalação elétrica.
A situação mais grave registrada durante a operação ocorreu no bairro Engordador.
De acordo com as informações divulgadas pela Energisa, as equipes realizavam uma inspeção em uma residência que já havia sido identificada em situações anteriores relacionadas ao furto de energia.
Durante a fiscalização, os técnicos localizaram uma ligação direta na rede.
Foi nesse momento que o morador teria deixado a residência e iniciado uma série de ameaças contra os trabalhadores.
Segundo o relato da ocorrência, o homem teria agredido integrantes da equipe, incluindo uma funcionária.
A situação teria se agravado quando o suspeito pegou uma faca e passou a ameaçar os profissionais.
Depois, ele voltou para dentro do imóvel e retornou carregando uma espingarda de pressão, que também teria sido utilizada para intimidar a equipe.
Como se a situação já não fosse suficientemente perigosa, o homem teria aparecido posteriormente com um galão de gasolina e ameaçado incendiar o veículo utilizado pelos profissionais durante a fiscalização.
Diante do risco, a Polícia Civil foi acionada.
Investigadores da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Várzea Grande (Derf) foram até o endereço.
Segundo a Polícia Civil, o homem foi localizado e resistiu à prisão, sendo necessário contê-lo.
Durante a ocorrência, os policiais apreenderam a faca e a espingarda de pressão apontadas no relato das ameaças.
A Politec também esteve no local e realizou a análise técnica da instalação elétrica.
Segundo as informações divulgadas, a perícia confirmou a existência da ligação direta na rede, caracterizando a irregularidade apontada durante a fiscalização.
O suspeito foi preso em flagrante.
Além do furto de energia qualificado pela fraude, ele foi autuado por lesão corporal dolosa, ameaça, desacato e resistência.
Ou seja: o que começou como uma fiscalização de energia terminou com uma ocorrência policial bem mais pesada.
A ocorrência do Engordador não foi a única que terminou em prisão durante a operação.
Segundo a Energisa, outras equipes realizaram fiscalizações em diferentes estabelecimentos de Várzea Grande e encontraram ligações clandestinas de energia.
As irregularidades foram identificadas em um lava-jato e em um barracão de retífica de motores.
Nos dois locais, a perícia técnica confirmou alterações nas instalações elétricas.
Os responsáveis foram presos em flagrante.
Somando essas duas ocorrências ao caso do Engordador, três pessoas foram presas durante as ações realizadas nesta quinta-feira em Várzea Grande, conforme informou a concessionária.
Em outra frente da operação, a Polícia Civil informou que foram identificadas ligações clandestinas em um estabelecimento comercial no bairro São Matheus e em uma residência no Jardim Eldorado.
No comércio, o responsável pelo estabelecimento não estava presente quando os agentes realizaram a fiscalização.
Um funcionário foi conduzido até a delegacia para prestar esclarecimentos.
Já na residência, o responsável foi localizado, identificado e preso em flagrante.
Após os procedimentos realizados na unidade policial, ele foi encaminhado para audiência de custódia, permanecendo à disposição da Justiça.
Essas ocorrências fazem parte do trabalho continuado da Operação Energia Limpa.
Popularmente conhecido como “gato de energia”, o furto pode ocorrer de diferentes maneiras.
Uma das mais comuns é criar uma conexão que permita consumir eletricidade sem que a energia passe corretamente pelo medidor.
Também podem existir adulterações do equipamento de medição ou outras alterações destinadas a reduzir artificialmente o consumo registrado.
No caso de Várzea Grande, a perícia identificou especificamente ligações diretas na rede, segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil.
É importante diferenciar uma instalação irregular de um simples problema técnico ou defeito no equipamento.
Uma falha do medidor, por exemplo, não significa automaticamente que o consumidor tenha cometido furto.
A caracterização da fraude depende da análise técnica e das circunstâncias de cada caso.
Quando alguém faz uma ligação clandestina, o prejuízo não necessariamente termina na diferença entre o que foi consumido e o que aparece na fatura.
Instalações improvisadas podem afetar a segurança da rede elétrica e colocar outras pessoas em risco.
Uma conexão irregular pode causar aquecimento excessivo de condutores, faíscas e curtos-circuitos.
Em determinadas condições, isso pode resultar em incêndio.
Também existe o risco de choque elétrico para moradores, vizinhos e trabalhadores que realizam manutenção na rede.
É justamente por isso que operações como a Energia Limpa envolvem técnicos da distribuidora e equipes especializadas de perícia.
O objetivo é identificar a irregularidade sem colocar ainda mais pessoas em risco.
A participação da Politec é importante porque a caracterização técnica da fraude pode ser fundamental para o processo criminal.
Os peritos analisam a instalação, verificam como a energia estava sendo desviada e registram tecnicamente as condições encontradas.
Esse trabalho produz elementos que podem ser utilizados na investigação e posteriormente apresentados à Justiça.
No caso do Engordador, por exemplo, a análise técnica teria confirmado a existência da ligação direta na rede.
Assim, a fiscalização não fica baseada apenas na observação dos agentes ou nos relatos dos envolvidos.
Existe também uma análise pericial da instalação.
O gerente de Combate a Perdas da Energisa Mato Grosso, Luciano Lima, criticou a situação registrada durante a fiscalização e ressaltou que os trabalhadores estavam apenas cumprindo uma atividade operacional.
Segundo ele, o furto de energia já é uma prática criminosa, mas as ameaças e agressões contra os profissionais tornam a ocorrência ainda mais grave.
A empresa reforçou que suas equipes precisam acessar imóveis e redes para identificar irregularidades e que situações de violência aumentam o risco durante esse tipo de trabalho.
A concessionária também orienta que qualquer suspeita de fraude seja comunicada pelos canais oficiais, sem que o morador tente interferir pessoalmente em instalações elétricas.
Quando uma fraude é confirmada, o problema não fica necessariamente restrito à regularização da conta.
A pessoa pode responder criminalmente pelo furto de energia, além de eventualmente enfrentar outras consequências relacionadas à adulteração da instalação ou a danos provocados pela irregularidade.
Na ocorrência do Engordador, por exemplo, a situação foi ainda mais grave porque a investigação também apontou crimes relacionados às ameaças, agressões e resistência à prisão.
Por isso, uma abordagem que começou para verificar a existência de um “gato” terminou envolvendo uma série de acusações.
A Polícia Civil trata a Operação Energia Limpa como uma ação continuada, com fiscalizações realizadas para identificar fraudes no consumo de energia em diferentes pontos.
As equipes trabalham de forma integrada para localizar instalações clandestinas, registrar as irregularidades e responsabilizar os envolvidos.
Segundo a Energisa, as denúncias da população também ajudam a direcionar as equipes para locais suspeitos.
As informações podem ser encaminhadas de maneira anônima pelos canais da concessionária ou diretamente aos órgãos de segurança.
Para emergências e situações de risco envolvendo a rede elétrica, a Energisa Mato Grosso disponibiliza atendimento gratuito pelo 0800 646 4196 e WhatsApp pelo (65) 99999-7974.
A orientação principal é não tentar mexer na instalação por conta própria.
Mesmo uma ligação aparentemente simples pode estar energizada e oferecer risco de choque ou incêndio.
Também não é recomendado confrontar diretamente a pessoa que esteja realizando uma fraude.
O mais seguro é comunicar a situação aos canais oficiais da distribuidora ou às forças de segurança.
Em casos de emergência, a prioridade deve ser afastar-se da área e acionar o atendimento apropriado.
A operação também mostra como um único trabalho de fiscalização pode levar a diferentes descobertas.
A Polícia Civil começa investigando uma suspeita de fraude, a equipe técnica verifica a instalação e a perícia documenta a situação.
A partir daí, podem surgir outras informações sobre responsáveis, imóveis reincidentes e diferentes formas de desvio.
No caso de Várzea Grande, a fiscalização desta quinta-feira resultou em três prisões, além da identificação de outras ligações clandestinas.
E o caso mais grave ainda teve direito a faca, espingarda de pressão e ameaça com gasolina.
Tudo por causa de uma fiscalização de energia.
A expressão popular pode fazer parecer que se trata apenas de uma “gambiarra” para economizar alguns reais na conta.
Mas, segundo os órgãos envolvidos, a realidade é bem diferente.
Além de configurar crime quando caracterizada a fraude, uma instalação clandestina pode colocar em risco quem mora no imóvel, os vizinhos e os próprios trabalhadores que precisam atuar na rede.
Por isso, a Polícia Civil, a Politec e a Energisa mantêm operações integradas para identificar as ligações irregulares e impedir que elas continuem funcionando.
No balanço desta quinta-feira, Várzea Grande teve pelo menos três presos e várias instalações irregulares identificadas.