O pau comeu na assembleia

O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Júlio Campos (União Brasil), protagonizou um bate-boca com o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso, Rosenwal Rodrigues dos Santos, na manhã desta quarta-feira (9).
Júlio concedia entrevista no Salão Negro da Assembleia quando pediu silêncio ao grupo de servidores que acompanhava a movimentação na Casa. Irritado com o barulho, o deputado acionou a segurança e pediu que o sindicalista deixasse o local.
“Por favor, silêncio aí! Eu estou dando entrevista. Nos respeite! Você vai fazer discurso lá fora. Segurança, tira esse moço daí, por favor”, afirmou Júlio.
Após a discussão, o parlamentar foi vaiado pelos servidores. Júlio reagiu dizendo que, apesar do episódio, estava justamente defendendo os interesses da categoria.
“Eu estou defendendo a causa de vocês. Vocês têm que respeitar aqui o Poder Legislativo. Aqui não é Judiciário”, declarou.
Os servidores estavam na Assembleia para pressionar os deputados pela nova votação do veto ao projeto que prevê reajuste linear de 6,8% aos servidores efetivos do Judiciário.
O projeto havia sido aprovado pela ALMT em 2025, mas o veto do então governador Mauro Mendes acabou mantido em uma votação que posteriormente foi anulada pela Justiça. O Tribunal determinou que a matéria fosse novamente apreciada, desta vez com votação aberta e nominal.
Na noite de terça-feira (8), a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos determinou que o veto fosse colocado na pauta desta quarta-feira e manteve multa pessoal de R$ 50 mil por dia, limitada inicialmente a R$ 1 milhão, em caso de descumprimento.
Apesar da determinação judicial, a votação acabou não acontecendo nesta quarta-feira.
A sessão foi suspensa por falta de quórum. Segundo informações divulgadas durante a manhã, apenas cinco deputados estavam presentes no plenário e outros três participavam de forma remota, número considerado insuficiente para abrir a Ordem do Dia e analisar o veto.
Júlio afirmou que a matéria deveria ser votada e que, caso estivesse na presidência da sessão, cumpriria a determinação judicial. Ele também defendeu que os deputados garantissem presença suficiente para colocar o veto em apreciação.
Enquanto a discussão sobre o reajuste continua, o bate-boca entre o deputado e os servidores virou um dos principais episódios da manhã na Assembleia.
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