Operação Insídia

Nazil tem mais de uma década no sistema prisional
Nazil Santos Silva, um dos alvos da Operação Insídia, é policial penal efetivo do Estado de Mato Grosso e possui uma longa trajetória no sistema penitenciário.
Registros do Diário Oficial mostram que ele já exercia função de agente do sistema penitenciário pelo menos desde 2011. Ao longo dos anos, passou por diferentes funções dentro da estrutura prisional e também ocupou cargos de confiança.
Em março de 2025, um ato oficial registrou Nazil como ocupante de função de direção no Centro de Ressocialização de Várzea Grande, unidade que atualmente é conhecida como Ahmenon Lemos Dantas. O documento aponta 40 horas semanais na função de diretor da unidade.
Em registros posteriores, o nome de Nazil continua aparecendo como policial penal efetivo da Secretaria de Estado de Justiça. Documentos do governo também registram sua atuação anteriormente na Penitenciária Central do Estado.
É justamente essa experiência dentro do sistema prisional que, segundo a investigação da Polícia Civil, teria dado a ele condições para atuar no esquema. Conforme a apuração, Nazil usava as prerrogativas do cargo para facilitar a entrada clandestina de celulares e outros objetos destinados a integrantes de uma facção criminosa. A investigação aponta ainda que ele cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por aparelho e que parte dos pagamentos teria sido feita na conta bancária da companheira para dificultar o rastreamento das movimentações.
A Justiça determinou a prisão preventiva do policial penal, o afastamento cautelar de suas funções e o bloqueio de R$ 25,5 mil em valores relacionados a ele. Nazil é investigado por corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa.
Karoliny Cardoso Viegas também tinha ligação profissional com o sistema prisional, mas por outra porta: a educação.
Documentos oficiais do Governo de Mato Grosso mostram que ela foi contratada como professora temporária da rede estadual. Em registros da Seduc, aparece com formação em Licenciatura Plena em Letras, com habilitação em Português e Inglês. Em 2023, esteve vinculada à Escola Estadual Padre José de Anchieta e, posteriormente, passou a atuar na Escola Estadual Professora Maria da Cunha Bruno.
Em 2025, o nome de Karoliny voltou a aparecer em contratos temporários da Seduc. Já em fevereiro e março de 2026, documentos oficiais registraram sua contratação para atuação na Maria da Cunha Bruno. A Secretaria de Estado de Educação informou, porém, que ela deixou a rede estadual em março deste ano, após solicitar exoneração.
Segundo a Polícia Civil, enquanto trabalhava em salas anexas de uma escola estadual dentro do Centro de Ressocialização de Várzea Grande, Karoliny tinha trânsito autorizado na unidade. É justamente esse acesso que, de acordo com a investigação, teria sido utilizado para facilitar a entrada clandestina de celulares e outros materiais.
A investigação também aponta que ela teria recebido transferências via Pix feitas por detentos, familiares e visitantes cadastrados no sistema prisional. As movimentações financeiras ajudaram a Polícia Civil a chegar aos suspeitos.
A Justiça determinou a prisão preventiva da professora, o bloqueio de R$ 14,6 mil e a suspensão cautelar das funções públicas. Ela também é investigada pelos mesmos crimes atribuídos ao policial penal.
A Operação Insídia começou a ser estruturada a partir de elementos encontrados pela Polícia Civil em junho de 2025. Durante a análise de materiais apreendidos, os investigadores identificaram transferências via Pix que chegaram até Karoliny e passaram a cruzar as movimentações financeiras com informações sobre a entrada de objetos na unidade.
A suspeita, segundo a investigação, é de que os dois tenham utilizado justamente os acessos concedidos pelas funções que exerciam para facilitar o ingresso dos materiais. Karoliny teria se aproveitado do trânsito autorizado como profissional da educação, enquanto Nazil teria utilizado as prerrogativas do cargo de policial penal.
Ao todo, a Operação Insídia resultou em oito medidas judiciais, entre prisões preventivas, buscas e apreensões, bloqueios financeiros e suspensões cautelares de funções.
Os dois permanecem na condição de investigados. As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo, e a investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer toda a dimensão do esquema.