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Agronegócio

O campo apertou

Custo da soja sobe para R$ 8,17 mil por hectare e rentabilidade deve cair 35% em MT

O custo para produzir soja em Mato Grosso deve chegar a R$ 8.171,41 por hectare na safra 2026/27, alta de 16,69% em relação ao ciclo anterior. Ao mesmo tempo, a rentabilidade projetada da cultura deve cair 35,05%, segundo levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Imea e pelo Senar-MT e apresentado nesta quarta-feira (9), em Brasnorte.

A área destinada à soja deve crescer apenas 0,25%, chegando a 13,04 milhões de hectares. A produtividade, porém, está estimada em 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43%, o que levaria a produção estadual para 48,88 milhões de toneladas, recuo de 5,19%.

O custeio da lavoura está calculado em R$ 4.323,22 por hectare, enquanto o Custo Operacional Efetivo chega a R$ 6.012,39. Com todos os componentes considerados, o Custo Total alcança R$ 8.171,41.

Nesse cenário, o Lajida, indicador utilizado pelo estudo para medir o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, está projetado em R$ 1.069,47 por hectare. O valor representa queda de 35,05% frente à safra anterior e de 53,50% em comparação com a média dos últimos cinco ciclos.

Mesmo com as margens menores, a comercialização da próxima safra segue avançada. Até agosto, 39,12% da produção projetada de soja já havia sido negociada em Mato Grosso.

O milho também aparece como ponto de atenção. Depois de uma safra 2025/26 recorde, a área plantada deverá crescer 0,59%, para 7,48 milhões de hectares, mas a produtividade está estimada em 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05%. A produção pode recuar para 53,68 milhões de toneladas.

No milho de alta tecnologia, o custeio deve subir 13,83%, para R$ 3.778,76 por hectare. O Custo Total está estimado em R$ 7.376,08, enquanto a receita bruta projetada é de R$ 5.388,93. O resultado operacional calculado pelo estudo cai 88,16%, para apenas R$ 122,26 por hectare.

Apesar do cenário mais apertado, a demanda interna pelo milho deve crescer 16,23%, chegando a 27,04 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pela expansão das usinas de etanol de milho.

Diante da pressão sobre soja e milho, o CPA-MT também aponta alternativas de diversificação. O sistema soja + algodão apresenta Lajida projetado de R$ 4.273,64 por hectare, 258,61% acima dos R$ 1.191,73 estimados para soja + milho. A combinação com gergelim também aparece acima, com R$ 1.718,48 por hectare.

O algodão, porém, exige investimento inicial maior e também traz maior exposição a riscos. Entre as culturas isoladas, o feijão de terceira safra aparece entre os destaques, com Lajida projetado de R$ 2.832,97 por hectare, alta de 216,60%. Já a cana-de-açúcar apresenta resultado negativo, com Lajida estimado em menos R$ 698,08 por hectare.

Para o produtor, os números reforçam a necessidade de acompanhar de perto custos, produtividade e preços antes e durante a safra. O próprio Imea destaca que esses três fatores serão decisivos para determinar o resultado final da temporada.

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