Enquanto o STF pega fogo...

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a viagem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Itália em meio à crise que envolve integrantes da Corte e a direção da Polícia Federal.

Nikolas publicou no X, na terça-feira (8), uma ironia sobre a presença do ministro no país europeu: “Ele precisa de mais tempo, pessoal. Calma!!!!”. A publicação ocorreu no mesmo dia em que Gilmar pediu vista no julgamento que analisava o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
Gilmar estava entre os convidados do casamento da filha do empresário Marcos Molina, controlador da Marfrig/BRF e presidente do conselho da MBRF. A cerimônia ocorreu em Cernobbio, às margens do Lago de Como, no hotel Villa d’Este.

O gabinete do ministro afirmou que a viagem não se limita ao casamento. Gilmar também tinha compromisso acadêmico na Universidade de Turim, onde participou nesta quinta-feira (10) de uma conferência sobre circulação da doutrina na jurisprudência constitucional. Segundo a assessoria, ele poderia participar normalmente das sessões do STF de forma remota.
O pedido de vista feito por Gilmar interrompeu a análise do afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada na Segunda Turma. Até então, havia maioria para manter a decisão de André Mendonça, com votos favoráveis do próprio Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques.
O episódio ocorre em meio a uma sequência de decisões envolvendo Mendonça, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Edson Fachin. Mendonça havia afastado a cúpula da PF, Dino determinou a reintegração e Fachin posteriormente suspendeu as duas decisões, alegando conflito e sobreposição entre as ordens. O presidente do STF também assumiu o inquérito das fake news, retirando sua condução de Moraes, e marcou para 15 de setembro uma sessão extraordinária para discutir os procedimentos relacionados à crise.
Gilmar deverá retornar ao Brasil para participar da sessão extraordinária de terça-feira. O STF informou que a data da sessão foi definida em razão dos prazos processuais estabelecidos por Fachin, e não pela viagem do ministro à Europa.