Carregando horário local…
Carregando clima local…
EUA 10 anos 4,73 ◆ 0,00%Petróleo bruto 84,75 ▲ 1,39%Ouro 4.099,60 ▼ 1,47%Euro 1,15 ▼ 0,09%

Notícias

Política

Abilio botou Renan na boca

Abilio ironiza Renan Santos e diz que presidenciável “não passaria” em teste toxicológico

O debate presidencial da Band terminou no domingo (23), mas a pancadaria verbal continuou em Mato Grosso. Nesta terça-feira (25), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), saiu em defesa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela ausência no primeiro debate da eleição e aproveitou para disparar uma provocação contra o adversário Renan Santos (Missão).

Segundo Abilio, Renan poderia não passar em um eventual teste toxicológico. O prefeito também afirmou que um candidato ao Governo de Mato Grosso, cujo nome não revelou, enfrentaria o mesmo problema caso a Justiça Eleitoral exigisse esse tipo de exame.

“Tem alguns candidatos lá que eu acho que não passariam no teste toxicológico. Por exemplo, o Renan, não sei se ele passaria no teste toxicológico. Assim como um candidato a governo aqui, eu acho que se fizer o teste toxicológico também não entra dentro do processo eleitoral”, afirmou Abilio.

A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva e ocorreu no momento em que o prefeito comentava a ausência de Flávio no debate realizado pela Band no domingo.

O primeiro confronto presidencial de 2026 acabou reunindo somente Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Além de Flávio, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo) também não participaram. A ausência dos principais nomes virou um dos principais assuntos do encontro.

Flávio justificou sua ausência alegando que os candidatos presentes não seriam seus principais adversários e que seu objetivo seria enfrentar diretamente o projeto político que considera responsável pelos problemas do país.

Abilio adotou a mesma linha e classificou a ausência como uma estratégia eleitoral. Para o prefeito, Flávio poderia evitar desgastes no primeiro turno e, em um eventual segundo turno, buscar apoio dos eleitores dos candidatos que participaram do debate.

Na avaliação de Abilio, entrar em um confronto agora poderia fazer com que Flávio atacasse ou fosse atacado por candidatos que, posteriormente, poderiam ser importantes para uma composição eleitoral.

“Imagina que ele vá participar da discussão e, com a ausência do Lula, ele passa a ser o foco do ataque e ele vai ter que rebater esses candidatos. Aí, chega o segundo turno, ele vai precisar de ter o apoio desses candidatos, fica constrangedor”, explicou.

A provocação contra Renan veio nesse contexto.

O comentário de Abilio não surgiu completamente do nada. Em abril deste ano, vieram a público mensagens atribuídas a Renan Santos, trocadas em um grupo do Instagram entre 2024 e 2025, nas quais o presidenciável mencionava experiências com Psilocybe cubensis, conhecido popularmente como “cogumelo mágico”. O conteúdo foi incluído em uma denúncia apresentada ao Ministério Público Federal no Distrito Federal.

Renan confirmou a autenticidade das mensagens e afirmou ter usado a substância em algumas ocasiões, mas classificou o consumo como ocasional e chegou a mencionar o uso de microdoses. Segundo informações divulgadas sobre o caso, ele afirmou posteriormente que não utiliza mais a substância e que havia adotado uma postura diferente em sua vida pessoal.

Esse ponto é importante porque a fala de Abilio é uma provocação política, não o resultado de um exame toxicológico. Até o momento, não há teste apresentado que permita afirmar que Renan seria reprovado em um exame.

O próprio prefeito usou a expressão “não sei se ele passaria”, deixando claro que se tratava de uma hipótese feita durante a entrevista.

A discussão também traz uma segunda questão levantada por Abilio: a inexistência de exigência de teste toxicológico para candidatos como condição geral de participação nas eleições.

A legislação eleitoral não estabelece um exame toxicológico como requisito geral para que alguém possa disputar a Presidência ou outros cargos eletivos. Assim, a fala do prefeito funciona como uma crítica política e uma provocação aos adversários, e não como uma descrição de uma regra eleitoral vigente.

Debate teve Renan como um dos principais críticos dos ausentes

Renan Santos foi um dos candidatos que mais exploraram a ausência de Lula e Flávio durante o debate da Band. O encontro foi marcado por críticas aos dois principais nomes que não compareceram, e Renan adotou um tom particularmente agressivo.

O candidato chegou a levar objetos para ironizar os ausentes e direcionou críticas duras a Lula e Flávio. A estratégia acabou tornando seu comportamento um dos principais assuntos do debate.

Após o encontro, a campanha de Lula chegou a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra declarações feitas por Renan durante o debate, pedindo a retirada de conteúdos publicados nas redes sociais e aplicação de multas. A discussão mostra como o primeiro debate acabou produzindo mais repercussão pelos ataques e pelas ausências do que propriamente pelo confronto entre os líderes das pesquisas.

E foi justamente esse comportamento que Abilio usou como argumento para defender a estratégia de Flávio.

Abilio também elogiou adversários

Apesar de defender o aliado e disparar contra Renan, Abilio não criticou tudo o que foi apresentado durante o debate.

O prefeito destacou positivamente propostas apresentadas por Augusto Cury, especialmente aquelas relacionadas a pessoas neurodivergentes e ao autismo.

Segundo Abilio, essa pauta poderia ser incorporada por Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O prefeito também citou ideias apresentadas por Romeu Zema, mesmo o candidato não tendo participado do debate.

A posição mostra que, na avaliação de Abilio, o primeiro turno pode funcionar como uma espécie de vitrine de propostas que posteriormente poderão ser incorporadas por uma candidatura que avance para a segunda etapa da eleição.

“Eu vi lá uma discussão muito inteligente do Augusto Cury, sobre a questão dos neurodivergentes, a questão do autismo, eu achei que foi uma pauta bem interessante”, afirmou.

A provocação ficou no ar para Mato Grosso

Além de Renan Santos, Abilio deixou outra bomba sobre a mesa ao mencionar que um candidato ao Governo de Mato Grosso também poderia enfrentar problemas em um eventual teste toxicológico.

O prefeito, entretanto, não revelou quem seria o candidato.

A declaração imediatamente abriu espaço para especulações no cenário político estadual, especialmente porque Mato Grosso vive uma disputa eleitoral com vários nomes e alianças ainda em construção.

Sem apresentar qualquer exame ou prova sobre esse segundo candidato, a fala deve ser tratada apenas como uma provocação feita pelo prefeito.

Por enquanto, o que existe de concreto é a declaração pública de Abilio, o histórico confirmado pelo próprio Renan sobre o uso de cogumelos em ocasiões anteriores e uma eleição que já começou a transformar até exame toxicológico em munição política.

No debate de domingo, faltaram alguns dos candidatos mais conhecidos. Na terça-feira, pelo menos uma coisa sobrou: a treta.