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Cada um no seu quadrado

Grupo Alife Nino nega vínculo com empresária presa pela PF e diz que Tatu Bola de Cuiabá é independente

O Grupo Alife Nino, responsável pela marca Tatu Bola, divulgou um esclarecimento nesta quinta-feira (27) após a prisão da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, em Cuiabá, durante a Operação Bóreas, da Polícia Federal.

Em comunicado publicado nas redes sociais, o grupo afirmou que não possui qualquer vínculo societário ou administrativo com Thatiana e que a unidade do Tatu Bola localizada na Praça Popular, em Cuiabá, funciona de maneira independente há mais de um ano.

Segundo a empresa, o estabelecimento cuiabano é a única unidade da marca que opera nesse formato e possui apenas uma licença para utilização do nome Tatu Bola. O grupo também afirmou que não tem qualquer relação com os fatos investigados pela Polícia Federal e informou que pretende adotar medidas para resguardar seus direitos.

A manifestação ocorre dois dias depois de Thatiana ser presa preventivamente como alvo da Operação Bóreas, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar aeronaves, pistas clandestinas e uma estrutura logística para transportar drogas e armas da Bolívia e do Peru para o Brasil.

O que o grupo esclareceu

No comunicado, o Alife Nino explicou que atua há mais de 15 anos no setor de bares e restaurantes e atualmente possui mais de 130 estabelecimentos em todo o país, com aproximadamente 4 mil colaboradores.

A empresa fez questão de separar sua operação nacional da unidade existente em Cuiabá.

Segundo o comunicado, o Tatu Bola da Capital funciona de maneira independente há mais de um ano. Nesse modelo, o estabelecimento não seria uma unidade societariamente pertencente ao grupo, mas uma operação que possui licença para utilizar a marca.

A explicação é importante porque, desde a prisão de Thatiana, reportagens passaram a associar seu nome diretamente à marca Tatu Bola em Cuiabá, principalmente porque ela aparece como sócia-administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa relacionada ao estabelecimento da Praça Popular.

Agora, o grupo responsável pela marca afirma que essa relação empresarial não se estende ao Alife Nino.

“Não há qualquer vínculo societário ou administrativo entre o Grupo Alife Nino e a pessoa mencionada em diversas matérias relacionadas à investigação da Polícia Federal”, afirmou a empresa no comunicado.

 

Grupo também nega relação com a investigação

Além de esclarecer a estrutura empresarial, o Alife Nino foi direto em relação à investigação.

A empresa afirmou que não possui qualquer relação com os fatos apurados pela Polícia Federal na Operação Bóreas.

O grupo também informou que pretende tomar as providências consideradas necessárias para preservar seus direitos diante da associação feita entre a marca e o caso.

Até o momento, não há informação pública de que o Alife Nino seja investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Bóreas.

Também não há informação oficial de que o Tatu Bola de Cuiabá tenha sido alvo de busca e apreensão durante a operação.

Esse ponto já havia sido destacado por reportagens anteriores sobre o caso: embora Thatiana esteja ligada empresarialmente ao restaurante da Praça Popular, a Polícia Federal ainda não detalhou publicamente qual seria a participação específica atribuída a ela na organização criminosa investigada.

Thatiana foi presa na Operação Bóreas

Thatiana foi presa na terça-feira (25), em Cuiabá, durante a operação conduzida pela Polícia Federal do Tocantins.

A Bóreas investiga uma organização suspeita de atuar na logística aérea do tráfico internacional de drogas e armas, utilizando aeronaves e pistas clandestinas para transportar carregamentos vindos da Bolívia e do Peru.

Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, além de outras medidas determinadas pela Justiça Federal, como apreensão de aeronaves e bloqueio ou sequestro de bens e valores. A PF também solicitou a inclusão de dez investigados nos mecanismos de Difusão Vermelha da Interpol.

Durante a busca realizada no imóvel de Thatiana, em Cuiabá, foram apreendidos R$ 84,8 mil em dinheiro, um veículo e um aparelho celular, além de outros materiais mencionados nas informações divulgadas sobre a investigação.

A Polícia Federal, entretanto, não divulgou publicamente todos os detalhes sobre a suposta atuação da empresária no esquema.

Empresária nega envolvimento

Após a prisão, Thatiana participou de audiência de custódia e negou ter qualquer relação com os crimes investigados.

Em meio às lágrimas, afirmou que não entendia por que havia sido presa e declarou que sua situação estava “fora da realidade” que conhecia.

A defesa sustenta que a empresária possui residência fixa, trabalha em Cuiabá e mantém atividades empresariais regulares. O advogado Fernando Faria também questiona os fundamentos utilizados para a prisão preventiva e afirma que pretende buscar a liberdade da cliente.

Em uma das declarações feitas durante a audiência, Thatiana disse acreditar que a investigação pudesse ter alguma relação com seu irmão, Márcio Theodoro, preso anteriormente no Tocantins em uma ocorrência envolvendo grande quantidade de cocaína.

A defesa, porém, nega que Thatiana tenha participado de qualquer esquema criminoso.

O Tatu Bola continua no centro da história, mas por outro motivo

Com o novo posicionamento do Alife Nino, a relação entre a marca nacional e o estabelecimento cuiabano passa a ter uma distinção importante.

De um lado está o Tatu Bola de Cuiabá, cuja empresa responsável tem Thatiana entre seus sócios.

Do outro está o Grupo Alife Nino, responsável pela marca e por uma grande rede de bares e restaurantes em diferentes regiões do país.

Segundo o grupo, a ligação entre as duas partes atualmente se limita à licença de utilização da marca.

Isso significa que o comunicado não afirma que Thatiana não tenha qualquer relação empresarial com o estabelecimento de Cuiabá. O esclarecimento é outro: o Alife Nino afirma que não é sócio nem administrador da operação cuiabana e que não possui ligação com os fatos investigados pela PF.

A diferença pode parecer pequena, mas juridicamente e empresarialmente é bastante relevante.

Entenda a estrutura

As informações divulgadas até agora permitem separar as relações da seguinte maneira:

Grupo Alife Nino: responsável pela marca Tatu Bola e por mais de 130 estabelecimentos no país.

Tatu Bola Cuiabá: segundo o grupo, funciona como operação independente há mais de um ano.

TRMT Restaurante Ltda.: empresa que aparece relacionada à operação do Tatu Bola em Cuiabá e na qual Thatiana figura como sócia-administradora.

Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro: empresária e advogada presa preventivamente na Operação Bóreas.

Operação Bóreas: investigação da Polícia Federal sobre uma organização suspeita de atuar na logística aérea do tráfico internacional de drogas e armas.

A existência dessas relações empresariais não significa que todas as empresas ou pessoas tenham envolvimento com os crimes investigados.

A própria manifestação do Alife Nino deixa essa separação clara.

Por que o comunicado foi feito agora?

A nota veio depois que o nome da empresária passou a aparecer nas reportagens sobre a operação associado diretamente ao estabelecimento da marca Tatu Bola.

Desde a prisão, diversos veículos passaram a descrevê-la como sócia ou dona do Tatu Bola em Cuiabá. A própria documentação empresarial citada nas reportagens relaciona Thatiana à empresa responsável pela operação do restaurante.

O Alife Nino decidiu, então, esclarecer publicamente que a unidade de Cuiabá possui um modelo empresarial diferente das demais operações da marca.

A intenção é evitar que o público interprete a investigação envolvendo uma das sócias do restaurante como uma investigação envolvendo a rede nacional.

Por isso, o grupo enfatizou no comunicado tanto a independência da unidade quanto a inexistência de vínculo societário ou administrativo com Thatiana.

A investigação continua

A manifestação do Alife Nino não altera o andamento da Operação Bóreas.

Thatiana continua submetida à prisão preventiva, enquanto a defesa tenta reverter a medida judicial.

A Polícia Federal continua investigando a suposta estrutura utilizada para o transporte internacional de drogas e armas e deve analisar os materiais recolhidos durante as buscas.

Também será necessário esclarecer qual seria, especificamente, o papel atribuído a cada um dos investigados.

No caso de Thatiana, essa resposta ainda não foi apresentada de maneira detalhada publicamente.

Até que isso aconteça, é importante separar o que a investigação afirma, o que a defesa contesta e o que o grupo empresarial esclareceu.

A prisão da empresária é um fato confirmado. A existência da investigação também. Já a participação dela nos crimes investigados ainda é uma questão a ser apurada no processo.

E o Alife Nino, por sua vez, resolveu deixar seu recado bem claro:

a marca é uma coisa, a operação de Cuiabá é outra, e a investigação da PF é outra história.