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Do outro lado da ponte

Enquanto Cuiabá fica sem água, Pivetta promete ficar em VG até resolver crise no abastecimento

Enquanto moradores de bairros de Cuiabá enfrentam interrupções no abastecimento após o rompimento de uma rede, Várzea Grande, do outro lado da ponte, também continua vivendo uma batalha antiga contra a falta d’água. A diferença nesta semana é que o Governo de Mato Grosso decidiu colocar uma operação permanente na cidade e afirma que vai continuar trabalhando até que o problema seja reduzido.

Nesta quinta-feira (27), o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) acompanhou a operação de um poço reativado no bairro Joaquim Curvo, na região do Grande Cristo Rei. Segundo o Estado, o equipamento passou a reforçar diretamente a rede de distribuição e já atende aproximadamente 2 mil residências.

Durante a agenda, Pivetta afirmou que a falta de água não pode ser tratada como uma situação normal para a população.

“Não é normal viver sem água. Não dá para normalizar isso. Nós viemos para Várzea Grande para ficar. Vamos trabalhar até resolver esse problema da água. Vamos continuar até que chegue a água em todas as áreas, em todos os lares várzea-grandenses”, afirmou.

O discurso ocorre justamente em meio a uma série de ações emergenciais adotadas no município para tentar aumentar rapidamente a oferta de água enquanto o Estado trabalha também em soluções estruturais.

Poço reativado passou a abastecer 2 mil casas

Segundo a equipe da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), o poço reativado no Grande Cristo Rei foi conectado diretamente à rede de distribuição.

A estratégia aumenta a pressão do sistema e permite que a água consiga chegar às caixas dos imóveis com maior regularidade.

O Governo afirma que o equipamento está operando há aproximadamente uma semana e que, desde então, os moradores da região passaram a receber água diariamente.

Uma moradora contou ao governador que chegou a enfrentar 15 dias sem abastecimento antes da reativação do poço.

“Estava 15 dias aqui sem água. Depois que resolveu, agora é dia e noite. Muito bom”, relatou.

O depoimento mostra o impacto mais direto da medida para quem vive na região. Em vez de uma promessa de obra futura, a população passou a perceber uma alteração imediata na pressão e na frequência do fornecimento.

Estado diz ter colocado quase 5 milhões de litros na rede

A reativação do poço faz parte de uma força-tarefa iniciada há cerca de 20 dias pelo Governo de Mato Grosso para reforçar o sistema de abastecimento de Várzea Grande.

De acordo com o Estado, nesse período foram realizadas intervenções em diferentes regiões do município.

Ao todo, três novos poços foram perfurados e outros oito poços que estavam inativos foram reativados.

O Governo estima que essas medidas acrescentaram quase 5 milhões de litros de água à rede de distribuição e melhoraram o abastecimento de aproximadamente 15 mil domicílios.

A estratégia é utilizar os poços como reforço de emergência, aumentando a quantidade de água disponível enquanto as intervenções de maior porte são executadas.

Pivetta afirmou que o trabalho continuará.

“Nós estamos ativando todos os poços. Não vamos deixar faltar água na Grande Cristo Rei. Vamos suprir essa deficiência da estação com toda a ação que estamos fazendo agora”, declarou.

O problema não termina nos poços

Apesar dos resultados anunciados pelo Estado, os poços são tratados como parte da resposta emergencial. Paralelamente, está em andamento a recuperação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Cristo Rei.

Segundo o Governo, as membranas necessárias para a recuperação do equipamento já foram adquiridas. Como se trata de material importado, a intervenção depende da chegada dos componentes para avançar.

A ETA é uma peça importante do sistema justamente porque permite tratar a água antes que ela seja distribuída para os moradores. Por isso, enquanto os poços ajudam a aumentar a oferta de forma mais imediata, a recuperação da estação é apresentada como parte da solução estrutural.

O objetivo é reduzir a dependência das medidas emergenciais e aumentar a capacidade do sistema de abastecimento.

Mais um poço está sendo perfurado

A força-tarefa também ganhou uma nova frente nesta semana.

Na Escola Municipal Maria Antunes, no bairro Jardim União, Pivetta acompanhou o trabalho de perfuração de outro poço.

A estrutura deverá atender diretamente a escola e também reforçar a rede de distribuição da região.

Durante a agenda, o governador afirmou que a intenção é ampliar esse tipo de intervenção para outras áreas da cidade.

“Isso é só o começo. Vamos fazer em todos os lugares”, disse.

A ideia é espalhar os pontos de reforço pelo município para aumentar a segurança do sistema e diminuir o impacto de falhas em determinadas regiões.

Crise antiga virou prioridade política

O problema de abastecimento em Várzea Grande não é recente. A própria Prefeitura reconhece que o município enfrenta desafios estruturais no setor e iniciou, neste ano, a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico.

Um diagnóstico apresentado em audiência pública neste mês apontou perdas de até 60% na distribuição e estimou necessidade de até R$ 1,3 bilhão em investimentos para solucionar os problemas de saneamento do município.

A atualização do plano deverá orientar as decisões sobre abastecimento de água e esgotamento sanitário para as próximas décadas. A versão anterior era de 2017, e o novo planejamento pretende considerar as necessidades da cidade até 2060.

Durante a audiência pública, a prefeita Flávia Moretti reconheceu a dimensão histórica do problema e afirmou que nenhuma gestão anterior teria enfrentado a questão de forma suficiente.

O tema também ganhou atenção do Tribunal de Contas do Estado, que defendeu investimentos de grande porte para enfrentar os problemas estruturais da cidade.

É nesse cenário que entra a atuação anunciada agora pelo Governo do Estado.

A diferença entre emergência e solução definitiva

As medidas adotadas em Várzea Grande mostram duas estratégias acontecendo ao mesmo tempo.

De um lado estão as ações de emergência, como reativação de poços e perfuração de novas unidades, capazes de aumentar rapidamente a quantidade de água disponível em determinadas regiões.

Do outro está a necessidade de recuperar a infraestrutura de tratamento e distribuição, reduzir perdas e ampliar a capacidade do sistema para acompanhar o crescimento da população.

Os próprios números apresentados pelo Estado mostram que colocar mais água na rede não resolve sozinho o problema. Se a estrutura continuar perdendo grandes volumes ou tiver capacidade limitada de tratamento e distribuição, a pressão sobre o sistema permanece.

É por isso que a recuperação da ETA Cristo Rei é tratada como uma etapa paralela às ações emergenciais.

E Cuiabá nessa história?

A situação desta quinta-feira também cria um contraste curioso entre as duas cidades vizinhas.

Enquanto Várzea Grande recebe uma força-tarefa do Estado voltada especificamente ao abastecimento, Cuiabá registrou nesta quinta-feira uma interrupção temporária em 14 bairros provocada pelo rompimento de uma rede de água na Rua Comandante Costa.

No caso da Capital, a concessionária informou que o reparo é emergencial e que o abastecimento deverá ser normalizado gradualmente até a manhã desta sexta-feira (28).

São problemas diferentes e não necessariamente relacionados: em Cuiabá, trata-se de um rompimento pontual de rede; em Várzea Grande, o problema discutido pelo poder público é uma crise estrutural de abastecimento que exige reforço de produção e investimentos de longo prazo.

Mas, para quem está com a torneira seca, a diferença técnica pouco consola.

A pergunta continua sendo a mesma:

tem água ou não tem?

Estado promete permanência

Ao acompanhar a operação no Grande Cristo Rei, Pivetta deixou claro que pretende manter a presença do Estado no município até que os resultados sejam percebidos pelos moradores.

A promessa é de continuidade das ações enquanto os poços são recuperados e novos pontos são perfurados.

A força-tarefa, segundo o Governo, também deverá continuar paralelamente à recuperação da ETA Cristo Rei.

A expectativa é que a soma dessas medidas aumente a segurança do abastecimento em diferentes bairros e reduza a frequência das interrupções.

Ainda assim, a dimensão dos problemas revelados em diagnósticos municipais mostra que a solução definitiva não deve depender apenas de poços emergenciais. O município precisará enfrentar questões como perdas na rede, capacidade de tratamento, expansão da infraestrutura e planejamento para o crescimento urbano.

Por enquanto, o governo aposta na estratégia mais imediata: colocar água onde está faltando e ganhar tempo para recuperar a estrutura maior.

E a cena desta semana acabou produzindo uma situação curiosa na Grande Cuiabá:

de um lado, Cuiabá reclamando que a água sumiu por causa de um rompimento; do outro, Várzea Grande recebendo uma operação para fazer a água aparecer.

Para o várzea-grandense, a promessa de Pivetta é direta: o Estado vai continuar por lá até resolver.

Agora falta a parte que interessa para quem abre a torneira:

água de verdade, todo dia, sem precisar fazer promessa, oração e dança da chuva.

Veja o vídeo da agenda e da operação no Grande Cristo Rei:

MT24H
Crédito: Redes Sociais