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Puxou um e apareceram 27

Polícia deflagra operação e cumpre 27 prisões contra facção suspeita de comandar rede de tráfico em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (27) a Operação Tentáculos, uma ofensiva para desarticular uma estrutura criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. A ação cumpre 27 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão, além de outras medidas autorizadas pela Justiça para preservar e analisar provas. As ordens são cumpridas em Primavera do Leste, Paranatinga e Cuiabá.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste e começou a partir da prisão de um dos envolvidos em um inquérito anterior. A partir das informações obtidas naquele procedimento, os investigadores aprofundaram as diligências e conseguiram chegar a outros suspeitos, identificando diferentes funções dentro da estrutura investigada.

Segundo a Polícia Civil, o grupo seria formado por integrantes de uma facção criminosa com ramificações em diferentes municípios de Mato Grosso. Em vez de uma atuação concentrada em poucas pessoas, os investigadores dizem ter encontrado uma organização dividida em núcleos, com integrantes responsáveis por tarefas específicas.

Entre as funções identificadas durante a apuração estão o fornecimento e a distribuição de drogas, a venda varejista de entorpecentes, o apoio logístico e a movimentação financeira. A investigação também aponta pessoas responsáveis pela administração de grupos de comunicação usados pelos integrantes e pelo monitoramento de equipes policiais.

Na avaliação dos investigadores, essa divisão de tarefas permitia que diferentes integrantes cuidassem de etapas distintas do comércio ilegal, formando uma estrutura que alcançava mais de uma cidade.

É justamente essa expansão que deu nome à operação.

Prisões e buscas atingem três cidades

As 40 principais ordens judiciais da operação estão distribuídas entre Primavera do Leste, Paranatinga e Cuiabá. São 27 prisões preventivas e 13 mandados de busca e apreensão domiciliar. A Polícia Civil também cumpre medidas cautelares probatórias destinadas à coleta, preservação e análise de materiais que possam ajudar a comprovar a participação de cada investigado.

A operação é coordenada pela Derf de Primavera do Leste e recebeu reforço de diversas unidades da própria Polícia Civil.

Participam da ação a Delegacia Regional de Primavera do Leste, a Delegacia de Delitos Gerais, a Delegacia de Defesa da Mulher, Criança e Idoso (DEDMCI), a Delegacia de Gaúcha do Norte/Paranatinga, além das delegacias de Poxoréu e Campo Verde.

O número de presos divulgado inicialmente corresponde aos mandados expedidos, e a própria Polícia Civil informou que a quantidade efetivamente capturada poderá ser atualizada depois da conclusão das diligências.

Isso ocorre porque parte dos alvos pode não ser encontrada imediatamente nos endereços indicados nas ordens judiciais.

Investigação encontrou uma estrutura dividida por funções

Um dos pontos que mais chama atenção na Operação Tentáculos é a forma como a Polícia Civil descreve a estrutura investigada.

Segundo os investigadores, não se tratava apenas de pessoas vendendo drogas de maneira isolada. A apuração identificou integrantes que, supostamente, desempenhavam funções diferentes e complementares.

Havia quem estivesse ligado ao fornecimento e distribuição dos entorpecentes, enquanto outros atuariam diretamente na comercialização no varejo. Também foram identificados suspeitos relacionados ao suporte logístico, à movimentação financeira e à comunicação entre integrantes.

Outro núcleo chamou atenção dos investigadores: pessoas responsáveis por acompanhar a movimentação das equipes policiais.

Esse tipo de função, caso seja confirmado no decorrer da investigação, indicaria uma preocupação da organização em acompanhar a presença das forças de segurança e reduzir os riscos durante suas atividades.

A administração dos grupos de comunicação também aparece entre as funções mapeadas. Segundo a polícia, esses grupos faziam parte da estrutura utilizada pelos integrantes para manter a organização funcionando.

A Polícia Civil ainda não divulgou o conteúdo das conversas ou outros detalhes das comunicações para não comprometer a investigação.

Como a polícia chegou aos demais suspeitos

O ponto de partida da operação foi uma investigação anterior.

A prisão de um dos envolvidos forneceu informações que permitiram aos policiais ampliar o foco da apuração. A partir daí, os investigadores passaram a cruzar dados e identificar outras pessoas que, segundo a polícia, tinham diferentes posições dentro do esquema.

Esse avanço acabou revelando o que a Polícia Civil considera uma estrutura com ramificações em diferentes municípios.

A estratégia também explica o nome “Tentáculos”. A expressão faz referência justamente à forma como a investigação se expandiu a partir de um primeiro suspeito e alcançou pessoas ligadas a diferentes núcleos da organização.

Em outras palavras, uma prisão acabou puxando outra ponta, depois outra e mais outra, até que os investigadores chegassem a uma rede maior.

Operação ainda está em andamento

As equipes continuam nas ruas e a investigação não termina com o cumprimento dos mandados.

Os materiais apreendidos durante as buscas serão analisados para tentar identificar novas conexões e confirmar a participação individual dos suspeitos. A Polícia Civil também deverá verificar a existência de outros integrantes que ainda não foram alcançados pelas medidas desta quinta-feira.

Como a operação envolve diferentes funções dentro da estrutura investigada, a análise dos celulares, documentos e demais elementos recolhidos pode ser importante para reconstruir a maneira como o grupo funcionava.

A investigação também poderá avançar sobre a movimentação financeira atribuída aos suspeitos e sobre possíveis conexões entre os núcleos que atuavam nas diferentes cidades.

Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o nome da facção investigada nem uma lista oficial com todos os alvos e suas respectivas funções.

Também não foram apresentados publicamente, nesta fase inicial, detalhes sobre a quantidade de drogas eventualmente apreendida durante o cumprimento das buscas.

Por isso, além das prisões, um dos principais objetivos desta etapa é justamente reunir provas que permitam individualizar a conduta de cada investigado.

A existência de um mandado de prisão ou de busca e apreensão não significa, por si só, condenação. Os envolvidos ainda deverão responder aos procedimentos legais e terão direito à defesa.

O que cada crime significa na investigação

Os principais crimes investigados são tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa.

O tráfico está relacionado à produção, distribuição, comercialização ou outras formas de circulação ilegal de entorpecentes. A associação para o tráfico envolve a reunião de pessoas para a prática desse tipo de crime. Já a organização criminosa pressupõe uma estrutura mais complexa, com divisão de tarefas e outros requisitos previstos na legislação.

A definição de quais crimes serão efetivamente atribuídos a cada investigado dependerá das provas reunidas e da participação individual apontada pela investigação.

É justamente por isso que a Polícia Civil enfatiza a necessidade de analisar os materiais recolhidos e avançar sobre as conexões identificadas durante a operação.

Por enquanto, a ofensiva é uma tentativa de desmontar uma estrutura que, segundo os investigadores, funcionava como uma espécie de engrenagem, com diferentes pessoas ocupando posições específicas.

E o nome escolhido resume bem a estratégia policial: um suspeito levou a outros, os outros levaram a novos núcleos e a investigação acabou alcançando três municípios.

A Operação Tentáculos continua em andamento nesta quinta-feira (27), e a Polícia Civil deve divulgar novas informações sobre o número de prisões efetivamente realizadas e eventuais materiais apreendidos após o encerramento das diligências.

 

Veja vídeos:

 

MT24H
Crédito: PJC
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