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Ganhou um fã motorizado

Presidente da Câmara de VG denuncia ameaças de morte e perseguição por carro com “placa fria”

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), afirmou nesta sexta-feira (4) que está sendo ameaçado de morte e que teria sido seguido por um veículo com uma suposta placa falsa pelas ruas da cidade.

A denúncia foi apresentada durante uma coletiva de imprensa na sede do Legislativo municipal. Segundo o parlamentar, pessoas próximas já haviam lhe relatado que existiriam ameaças contra sua vida e, nos últimos dias, ele teria percebido movimentações consideradas suspeitas.

O caso já foi comunicado à Polícia Civil, por meio de boletim de ocorrência, e deverá ser investigado. Até o momento, não há confirmação oficial sobre quem estaria por trás das supostas ameaças ou se o veículo realmente utilizava uma placa irregular.

vereador diz que carro acompanhou seus deslocamentos

Segundo Wanderley, o episódio envolvendo o veículo ocorreu na quinta-feira (3).

O parlamentar afirmou que o carro, um Volkswagen Polo, teria sido visto primeiro nas proximidades da empresa de seu filho. Depois, o mesmo automóvel teria aparecido próximo à casa de sua mãe, na região da Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes.

A equipe de segurança do vereador teria fotografado o veículo. Wanderley afirmou que buscou informações sobre a identificação do automóvel e recebeu a informação de que a placa utilizada seria “fria”, expressão popular usada para se referir a uma placa falsa ou irregular.

O presidente da Câmara disse ainda que não descarta a possibilidade de o veículo pertencer a policiais que estariam realizando algum tipo de investigação à paisana.

“E se for a polícia, tudo bem, pode investigar. Eu estou à disposição da Justiça”, declarou durante a coletiva.

Por enquanto, não existe confirmação pública de que o carro seja efetivamente utilizado por alguém interessado em atacar o vereador, nem de que a placa seja falsa. Esses pontos deverão ser esclarecidos pela investigação.

ameaças teriam começado após ligação anônima

A situação relatada por Wanderley não começou, segundo ele, com o carro.

O presidente afirmou que recebeu no domingo (30) uma ligação de uma pessoa que não conhece. Durante a conversa, o interlocutor teria feito diversas acusações e informado que um servidor da Câmara teria repassado sua senha de acesso aos sistemas internos da Casa a terceiros.

Ainda conforme o relato, um suposto hacker teria utilizado essas credenciais para entrar nos sistemas do Legislativo e obter documentos que poderiam ser utilizados para montar um dossiê contra o vereador.

Wanderley disse que também foi informado sobre supostas acusações envolvendo contratos, nepotismo e outras possíveis irregularidades.

O próprio vereador afirmou não saber quem fez a ligação nem se as informações são verdadeiras.

Câmara vai auditar sistemas

Depois de receber a informação sobre uma possível invasão, a Câmara acionou a empresa responsável pela estrutura tecnológica do Legislativo para realizar uma auditoria.

A análise deverá verificar o histórico de acessos aos sistemas e identificar se houve alguma entrada não autorizada.

Entre os dados que deverão ser levantados estão usuários, horários, endereços de IP e níveis de acesso das pessoas que possuem credenciais nos sistemas.

A intenção é descobrir se alguma senha foi compartilhada, se houve acesso indevido e quais documentos ou informações eventualmente foram consultados.

Até que a análise seja concluída, não existe confirmação de que a Câmara tenha realmente sofrido um ataque hacker. O que existe é uma denúncia que está sendo apurada.

boletim de ocorrência foi registrado

Wanderley também procurou a Polícia Civil para registrar a situação.

Segundo informações do boletim, o vereador pediu que sejam levantados os acessos aos sistemas internos da Câmara e identificados eventuais usuários responsáveis por movimentações consideradas suspeitas.

O registro também menciona a possibilidade de documentos serem manipulados ou utilizados na elaboração de um suposto dossiê.

O parlamentar afirmou que decidiu formalizar a denúncia por orientação jurídica e para que as autoridades possam preservar eventuais evidências digitais.

A Polícia Civil deverá analisar as informações apresentadas e verificar se houve crime.

“se tiver operação, pode vir”, diz vereador

Durante a coletiva, Wanderley afirmou que não teme uma eventual investigação sobre sua atuação política ou administrativa.

O presidente declarou que a Câmara está à disposição das autoridades e que não teria problema em receber uma operação para verificar documentos ou sistemas.

“Se tiver alguma operação, pode vir aqui, que a Câmara está de portas abertas. Pode ir na minha casa, pode ir lá na empresa. Pode ir, não tem problema”, afirmou.

A declaração ocorre justamente em um período de forte tensão política dentro do Legislativo de Várzea Grande.

Câmara vive momento de tensão política

Nos últimos dias, Wanderley protagonizou embates públicos com o vereador Rogerinho da Dakar (PSDB), líder da prefeita Flávia Moretti (PL) na Câmara.

Na sessão de 1º de setembro, os dois trocaram acusações durante uma discussão envolvendo projetos relacionados ao Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).

Durante o bate-boca, Wanderley questionou um contrato que, segundo ele, teria passado de pouco mais de R$ 800 mil para R$ 3,8 milhões. O vereador cobrou explicações e questionou se a medida teria levado em consideração os interesses da população.

Rogerinho rebateu e pediu que o presidente apresentasse publicamente o documento que sustentaria a acusação.

A discussão faz parte de uma sequência de divergências entre integrantes do Legislativo municipal em torno da situação financeira e administrativa do DAE.

presidente também cita suposto dossiê

Além da perseguição, Wanderley afirmou que recebeu informações de que estaria sendo preparado um dossiê contra ele.

Segundo o parlamentar, o material poderia envolver acusações relacionadas à administração da Câmara e teria sido encaminhado ou poderia ser encaminhado a órgãos públicos.

Ele disse, contudo, que não conhece o conteúdo desse suposto documento e não sabe quem estaria produzindo o material.

Também não há confirmação, até o momento, da existência do dossiê ou de que qualquer pessoa tenha invadido sistemas da Câmara para produzi-lo.

Essas informações fazem parte das denúncias apresentadas pelo vereador e deverão ser verificadas durante as apurações.

ameaça e possível invasão serão investigadas separadamente

Apesar de Wanderley relacionar os acontecimentos, ainda não está comprovado que as duas situações tenham a mesma origem.

De um lado, existe a denúncia de possível acesso indevido aos sistemas da Câmara e a suposta tentativa de reunir informações contra o presidente.

De outro, há o relato sobre ameaças de morte e perseguição por um veículo.

A Polícia Civil deverá verificar se existe conexão entre os episódios ou se são acontecimentos distintos.

Também será necessário confirmar a identidade de quem teria feito as ameaças, quem estava utilizando o veículo mencionado pelo vereador e se a placa realmente era falsa.

Até a conclusão dessas diligências, nenhuma dessas hipóteses pode ser tratada como fato comprovado.

vereador diz que não pretende recuar

Mesmo afirmando estar preocupado com as ameaças, Wanderley disse que não pretende recuar de sua atuação política.

O vereador afirmou que ainda espera informações mais concretas sobre quem estaria por trás dos episódios e quais seriam as motivações.

A investigação deverá reunir imagens, registros eletrônicos, informações sobre o veículo e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a denúncia.

Enquanto isso, a Câmara também aguarda o resultado da auditoria de segurança para saber se houve, de fato, alguma violação dos sistemas internos.

O caso agora sai do campo das denúncias públicas e passa para a apuração das autoridades. Até lá, ameaças, perseguição, placa falsa e invasão dos sistemas permanecem como suspeitas relatadas pelo presidente da Câmara, e não como fatos já comprovados.


 

Veja o vídeo da denúncia feita por Wanderley Cerqueira:

MT24H

Crédito: EN