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Depois do forno, veio a água

Primeiro dia de setembro ganha “chuva do caju” depois de calor de 40°C

Depois de uma sequência de dias em que o cuiabano parecia estar disputando espaço com o termômetro, setembro começou com chuva na Baixada Cuiabana.

Pancadas foram registradas nesta terça-feira (1º) em diferentes bairros de Cuiabá, além de Várzea Grande, Santo Antônio de Leverger e outras cidades da região. Moradores registraram vídeos da mudança repentina no tempo, com ruas molhadas, céu carregado e, em alguns pontos, trovoadas.

A chuva apareceu depois de um período marcado por calor extremo, baixa umidade do ar e condições favoráveis à ocorrência de incêndios.

Nos últimos dias de agosto, Cuiabá chegou novamente à faixa dos 41°C. O Instituto Nacional de Meteorologia havia previsto máxima de até 41°C para a capital no fim do mês, em meio ao tempo seco que predominava sobre parte do Centro-Oeste.

A chegada da chuva, mesmo de forma irregular, foi recebida como um alívio por moradores que enfrentavam o calor intenso.

“chuva do caju” aparece em vários pontos

Em Cuiabá, a precipitação foi registrada de maneira isolada, atingindo diferentes regiões da cidade.

Houve relatos de chuva no Centro Histórico, CPA, Morada do Ouro e Coxipó, entre outros pontos. Em alguns locais, a pancada foi mais rápida; em outros, veio acompanhada de bastante nebulosidade e trovoadas.

Nas redes sociais, moradores passaram a chamar o fenômeno de “chuva do caju”, expressão popular usada para definir aquelas primeiras pancadas que aparecem durante a transição do período seco para uma fase mais chuvosa.

A expressão não representa uma classificação meteorológica oficial, mas acabou virando uma maneira bem cuiabana de comemorar a chegada da água depois de tantos dias de calor.

E desta vez teve motivo para comemorar.

chuva também chegou a Várzea Grande e Chapada

A mudança no tempo não ficou restrita à Capital.

Moradores de Várzea Grande também registraram pancadas, inclusive na região do bairro Cristo Rei.

Na região de Chapada dos Guimarães, houve registros próximos ao Lago do Manso. Também foram observadas áreas de chuva em municípios como Rosário Oeste, Acorizal e Campo Verde.

A distribuição irregular é característica desse tipo de instabilidade, fazendo com que uma região receba uma pancada enquanto outra permaneça com tempo quente e seco.

Por isso, mesmo com os vídeos de chuva se espalhando pelas redes sociais, a precipitação não significa que todo o Estado tenha passado imediatamente para uma condição de tempo chuvoso.

chuva chega enquanto fogo ainda preocupa

Em Santo Antônio de Leverger, a chuva apareceu em um momento especialmente simbólico.

Desde a noite de segunda-feira (31), um incêndio de grandes proporções atinge o Morro de Santo Antônio, um dos principais cartões-postais de Mato Grosso. As chamas foram vistas de vários pontos da Baixada Cuiabana e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros.

Nesta terça-feira, a operação foi reforçada e passou a contar com três aeronaves e cinco equipes em solo para combater o incêndio em pontos estratégicos da área atingida.

A precipitação registrada na região pode ajudar a reduzir temporariamente a propagação do fogo, principalmente ao aumentar a umidade da vegetação e diminuir o ressecamento superficial.

Isso, porém, não significa que o incêndio esteja automaticamente controlado. As equipes seguem trabalhando na área atingida.

A própria Prefeitura de Santo Antônio de Leverger montou uma força-tarefa com o Corpo de Bombeiros para apoiar o combate às chamas.

A prefeita Francieli Magalhães comemorou a chegada da chuva e resumiu o sentimento de muitos moradores da região:

“Deus é bom, Santo Antônio é bom, mandou chuva.”

calorão deu lugar a uma mudança rápida

A chuva desta terça-feira chama atenção justamente pela diferença em relação às condições registradas nos últimos dias.

No domingo (30), Cuiabá chegou a 41,2°C, segundo dados do INMET. A marca foi a maior temperatura registrada na capital naquele ano até então e representou mais um episódio de calor acima dos 40°C durante agosto.

Na segunda-feira (31), o calor continuou forte em municípios da Baixada. Santo Antônio de Leverger chegou a 41,4°C, segundo dados do instituto.

O cenário vinha acompanhado de baixa umidade e vegetação extremamente seca, combinação que aumenta o risco de incêndios florestais.

Foi nesse ambiente que a chegada das primeiras pancadas de setembro chamou ainda mais atenção.

Para quem passou dias enfrentando temperaturas próximas ou acima dos 40°C, alguns minutos de chuva já foram suficientes para transformar o cenário.

mas o calor ainda não foi embora

Apesar do alívio, a chuva não representa o fim imediato do período quente e seco.

A previsão indica que novas pancadas isoladas podem ocorrer nos próximos dias, mas de maneira irregular. O Centro-Oeste ainda deve apresentar áreas com tempo seco e temperaturas elevadas.

O INMET prevê a ocorrência de chuva isolada no Centro-Oeste entre quarta-feira (2) e quinta-feira (3), enquanto a atuação de sistemas meteorológicos sobre outras regiões do país modifica gradualmente a circulação atmosférica.

Na prática, isso significa que o morador de Cuiabá ainda pode ter uma combinação bastante conhecida nesta época do ano: chuva em um bairro, sol forte em outro e calor logo depois que a água vai embora.

Para esta quarta-feira (2), a previsão citada para Cuiabá indica possibilidade de novas pancadas, com máxima na faixa dos 37°C.

Ou seja, a chuva chegou, mas o verão cuiabano continua ensaiando antes mesmo de dezembro.

chuva vira alívio em meio aos incêndios

Além de diminuir momentaneamente o calor, a chuva representa um alívio importante para uma região que vinha enfrentando condições críticas de seca.

A umidade mais elevada pode ajudar a reduzir a velocidade de propagação das chamas e melhorar temporariamente as condições da vegetação.

No caso do Morro de Santo Antônio, onde equipes continuam combatendo o incêndio, qualquer precipitação é vista como um fator favorável, embora o resultado dependa da quantidade de chuva efetivamente registrada sobre a área atingida.

A mudança também ajuda a melhorar a sensação térmica nas cidades e reduz, ainda que temporariamente, o desconforto provocado pelo ar extremamente seco.

Mas a recomendação continua sendo de atenção, especialmente para períodos em que a umidade voltar a cair.

setembro começou diferente

O primeiro dia de setembro trouxe uma mudança que muita gente já esperava depois de uma das sequências de calor mais intensas do ano.

A chuva apareceu, os celulares foram levantados para registrar as primeiras gotas e as redes sociais rapidamente ficaram cheias de vídeos comemorando a chegada da água.

Em Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães e Santo Antônio de Leverger, o céu carregado representou mais do que uma simples mudança no tempo.

Depois de dias de 40°C, umidade baixa e fogo espalhado pela região, setembro resolveu começar do jeito que o cuiabano gosta: com chuva.

Só não dá para guardar o guarda-chuva ainda. O calor continua à espreita.